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Cacula tem novas infra-estruturas sociais

Domingos Mucuta | Lubango

O município de Cacula, 86 quilómetros a norte da cidade do Lubango, ganhou nesta semana festiva diversas infra-estruturas socioeconómicas e de lazer.

Os novos empreendimentos, inaugurados terça-feira pela directora provincial da Assistência e Reinserção Social, foram financiados pelo Fundo de Apoio Social
Fotografia: Domingos Mucuta

 
O município de Cacula, 86 quilómetros a norte da cidade do Lubango, ganhou nesta semana festiva diversas infra-estruturas socioeconómicas e de lazer.
Entre os novos empreendimentos, financiados pelo Fundo de Apoio Social (FAS) no âmbito do programa de desenvolvimento local, constam um parque infantil, mercado municipal, residência para professores e manga convencional de vacinação de gado bovino. Para dar dignidade à actividade dos sobas e seculos, o projecto contemplou a construção de um jango de justiça tradicional.
As infra-estruturas, inauguradas terça-feira pela directora da Assistência e Reinserção Social, Catarina Manuel, foram construídas na sede do município, para atender à carência de serviços sociais básicos. As obras orçaram em 250 mil dólares e tiveram a comparticipação da comunidade.
Na ocasião, Catarina Manuel disse que a entrega dos cinco projectos vão proporcionar melhores condições de trabalho aos quadros dos diferentes sectores para melhor servir e pediu a conservação das infra-estruturas. “É preciso que as famílias se empenhem na transmissão dos valores morais às crianças e jovens. Não devemos danificar estes bens públicos, porque são pertença de todos”, exortou.
O director do Fundo de Apoio Social na Huíla, Frederico Sanumbutue, disse que a construção dos empreendimentos na Cacula faz parte do programa do Governo de reconstrução nacional e visa promover condições para o bem-estar da população.
 
Educação pré-escolar

A educação pré-escolar das crianças, dos dois aos cinco anos, tem um lugar condigno em Cacula. O parque infantil Ekevelo Lio Vana (esperança das crianças) já está aberto aos meninos. Quatro salas de aula com capacidade para 120 crianças e um espaço de recreio com quatro gaiolas com animais diversos, são algumas das características deste parque, que dispõe ainda de gabinetes para a directora e professores, baloiços, circulares horizontais e verticais para os momentos de recreios das crianças, um vasto campo para brincar e casas de banho.
Os compartimentos estão apetrechados com equipamentos administrativos e cadeiras à altura das crianças, controladas por quatro educadoras de infância, preparadas para transmitir conhecimentos primários às crianças antes de ingressarem nas escolas.
A educadora de infância Edilda Antónia beneficiou de uma formação para trabalhar com crianças. Ela garantiu que, como mãe e professora, está disposta a ensinar noções ligadas ao meio social, saúde, artes plásticas, ambiente, cultura e outras. “Estou feliz porque ganhámos este lugar para ensinarmos as crianças a respeitar os mais velhos, a cuidar da higiene e a contar, preparando-as para o ensino normal. Tudo faremos para o desenvolvimento integral da criança que continua como prioridade absoluta”, disse.
O sector da Educação ganhou ainda uma casa para albergar os professores dos I e II Ciclos. A moradia comporta uma sala, cozinha, casas de banho, dois quartos e uma varanda. O projecto custou 57.281 dólares.
No dizer do director do Fundo de Apoio Social (FAS), Frederico Sanumbutue, a construção da residência garante, a partir do próximo ano lectivo, a permanência de professores perto do local de trabalho, reduzir as faltas, atrasos e elevar a motivação do corpo docente e pais.

Comércio informal

 O novo mercado dispõe de uma infra-estrutura adequada para o exercício da actividade comercial. O imóvel possui armazéns e bancadas para acomodar cem vendedores, num investimento de 94.521 dólares.
Iza Tomás, vendedora, louvou a iniciativa por “tirar os comerciantes do ar livre para um local com condições favoráveis. Estamos bem porque temos sombra, armazém e bancadas para expor melhor os produtos. E se chover estaremos bem protegidos”.
 
Poder local
 
O poder local está agora mais reforçado. As reuniões realizadas debaixo das mulembeiras vão passar a decorrer no jango da Justiça Tradicional, equipado com mobiliário diverso. Além dos encontros das autoridades tradicionais, aqui poderão ser realizados palestras e debates comunitários, sendo um sítio para os séculos, e não só, acompanharem os acontecimentos da actualidade, através de um televisor.
O porta-voz do poder tradicional da Cacula, Luciano Canguia, disse que os sobas antes enfrentavam dificuldades para reunir os conselheiros e as partes desavindas. O recurso para apaziguar os conflitos familiares e dos moradores era feito debaixo de árvores. “Estamos satisfeitos porque temos este jango para resolver os casos de okoi (traição), roubos e outros conflitos comunitários. Agradecemos o esforço do governo em nos dar este sítio”, declarou.
O valor da obra é de 23.780 ­dólares.

Vacinação do gado
 
Uma manga convencional de vacinação de gado bovino, orçada em 9.933 dólares, vai vacinar cinquenta animais em simultâneo. O imóvel está localizado a cem metros da estrada nacional Cacula-Caluquembe.
O número de mangas na Cacula aumentou para 38, das quais 37 são tradicionais. “A sua edificação visa aumentar o número de infra-estruturas sanitárias para animais, melhorar a sanidade bovina e reduzir as doenças de origem animal”, disse o director do FAS.
O efectivo ganadeiro é de 70 mil cabeças, segundo o responsável municipal do Instituto dos Serviços Veterinários de Cacula, José Paulo, que adiantou que a campanha deste ano vacinou 64.343 cabeças. A vacinação envolveu quatro brigadas e 70 mil doses. Foi realizada com o objectivo de prevenir os animais de doenças como a peripneumonia contagiosa, dermatite modular e carbúnculo.
 
Gratidão
 
Os beneficiários das acções do FAS manifestaram satisfação pelos novos empreendimentos na Cacula. Professores, sobas, educadores sociais e criadores de gado consideraram que as infra-estruturas vão contribuir para o bem-estar dos habitantes.
O professor do ensino secundário, Domingos Tiago, proveniente do Lubango, enalteceu a oferta da residência para acolher os docentes. O seu colega de profissão, Jony Ernesto, reconheceu que a partir de agora os professores estão dignificados e mais motivados para desempenharem a sua função com zelo e dedicação. “Muitas vezes fomos obrigados a voltar ao Lubango, porque aqui não tínhamos sítio para dormir. Agora temos esta casa para nos acomodar e facilitar a nossa vida como docentes”, realçou.
O administrador adjunto da Cacula, Miguel Agostinho, sublinhou que o município caminha rumo ao desenvolvimento, porque regista avanços em termos de projectos de impacto social, como resultado da concretização do programa de reconstrução nacional.
“Todas estas obras são bem-vindas ao nosso município”.

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