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Camponeses investem na produção de milho

Estanislau Costa | Lubango

Agricultores associados à co­operativa Aurora Impulu, do município de Quilengues, norte da província da Huíla, estão a semear, desde meados de Fevereiro deste ano, 1.600 hectares de terra, com culturas de milho, feijão, batata e outros produtos.

Empresários agro-industriais e camponeses receberam da administração municipal parcelas de terras aráveis que já foram desmatadas e tratadas
Fotografia: Jornal de Angola

Agricultores associados à co­operativa Aurora Impulu, do município de Quilengues, norte da província da Huíla, estão a semear, desde meados de Fevereiro deste ano, 1.600 hectares de terra, com culturas de milho, feijão, batata e outros produtos.
Para o efeito, os 29 fazendeiros dos 100 associados, contam com equipamento mecanizado, gado de tracção, charruas, sementes diversas e fertilizantes adquiridos com o financiamento disponibilizado pelo Banco de Desenvolvimento  de Angola (BDA).
A primeira fase da produção contempla as fazendas das áreas de Mussandji, Fela Lucote e Canjinji, com um espaço total de 1.600 hectares. As fases subsequentes vão abranger a sede do município e a comuna de Impulu, com quatro mil hectares.
O projecto agro-industrial Aurora Impulu, gizado em 2010, além do cultivo de leguminosas, dá prioridade à produção de grandes quantidades de milho e feijão, com o propósito de tornar o município de Quilengues num dos corredores de abastecimento de cereais.
O soba grande da comuna do Impulu, Tchiputchu Nambalo, um dos beneficiários do financiamento do BDA, afirmou que o banco deu um grande impulso à actividade agro-pecuária na zona de Quilengues.
 “A actividade do campo está a ser reanimada e os primeiros resultados são apresentados dentro de quatro a seis meses”, afirmou. A reactivação do cultivo, sobretudo de cereais nas terras férteis do município vai congregar mais de 1.700 camponeses, mas a autoridade tradicional defende que todas as pessoas envolvidas devem encarar o projecto com muita responsabilidade e cada um dedicar-se ao máximo para que haja bons frutos.
A primeira fase do projecto estabelece 1.500 postos de trabalho directos e 500 indirectos. O vice-presidente da cooperativa Aurora Impulu, Almeida Pinho, explicou que à medida que se processa o cultivo, vai-se também desenvolver acções de esclarecimento sobre a absorção da produção dos camponeses.
“Ao procedermos desta forma, não teremos problemas de escoamento dos alimentos”, referiu. A formação dos camponeses no domínio da embalagem dos produtos é outro passo importante, por ter repercussões positivas nas vendas.
“Temos observado que o problema, às vezes, não é escoamento dos produtos. Há, em muitos casos, a ausência da uniformidade da embalagem dos bens. Quando os produtos do campo são embalados de forma adequada, melhora a conservação e facilita o transporte”, acrescentou Almeida Pinho.
 
Parcelas de terra
 
Os empresários agro-industriais e camponeses receberam da administração municipal de Quilengues parcelas de 50, 90 e 100 hectares de terras aráveis, que já foram desmatados e tratados. Neste momento, são lançadas à terra sementes de milho, feijão, bata rena, tomate, alho, citrinos e de outros produtos.
A cooperativa perspectiva a instalação de silos para armazenagem de cereais, moagens, fábricas de rações, sabão, sumos, conservas, concentrado de tomate, óleo vegetal, matadores para gado e aves, curtumes, unidade de processamento de frutas.
A revitalização completa do sector agro-pecuário e industrial de Quilengues está estimado em 500 milhões de dólares (50 mil milhões de kwanzas). Para início da produção em grande escala, o Banco de Desenvolvimento Angola financiou 29 empresários agrícolas com 500 mil dólares (50 milhões de kwanzas) cada um.
O vice-governador para área Económica da Huíla, Cunha Velho, considerou o projecto da cooperativa Aurora Impulu um indicador importante “no aumento da produção agrícola, segurança alimentar das populações e desenvolvimento da agro-indústria  do país”.
Cunha Velho, que falava na cerimónia de arranque do cultivo de cereais em grande escala em Quilengues, destacou os novos postos de trabalho a serem criados, o aumento do rendimento das famílias e combate à pobreza.
“O Executivo, liderado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, está a promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável do sector agrícola para a diversificação da produção, aumento da produtividade para o consumo interno”, disse.

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