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Camponeses preparam sementeira de hortícolas

Arão Martins | Lubango

Mais de 48 mil famílias da província da Huíla começaram ontem a receber sementes de hortícolas, no quadro da terceira fase da campanha agrícola 2013/2014, que começa em Junho, informou o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente.

O principal produto da segunda época agrícola foi o feijão com resultado positivo o que coincide com a fase da colheita do milho
Fotografia: Dombele Bernardo

Lutero Campos falava num encontro de coordenação provincial com os responsáveis das Estações de Desenvolvimento Agrário (EDA) dos 14 municípios da Huíla, com o objectivo de avaliar os índices de produção da segunda fase da campanha agrícola em curso.
Para o êxito desta fase, o Governo Provincial, através da sua direcção da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, está a distribuir sementes de batata, cebola, alho, tomate, pimento, repolho, cenoura, entre outros.
Alguns camponeses já estão a fazer os alfobres, enquanto a direcção da Agricultura vai continuar a trabalhar com as 48 mil famílias, um terço das 144 mil que foram apoiadas com êxito no início da campanha agrícola em curso, na produção de cereais.
Lutero Campos explicou que foi feito o levantamento exaustivo, pelos responsáveis das EDA da província, que resultou na identificação das referidas 48 mil famílias que possuem campos em zonas irrigáveis. Apesar de haver outras que também recebem apoio, com sementes diversas, apenas esse universo determinado está a receber já os apoios em sementes de hortícolas, no quadro do Programa de Combate à Pobreza.
O director da agricultura na Huíla disse que terminou a segunda época da campanha agrícola 2014 e o encontro com os responsáveis das EDA destinou-se a fazer o balanço das actividades desenvolvidas e dos ganhos obtidos.
A conclusão a que chegaram foi a de que a segunda época da campanha agrícola 2014 é boa, por haver satisfação na oferta dos produtos agrícolas básicos neste período.
“Os efeitos climáticos foram de encontro à produção agrícola feita. Apesar de em certas alturas ter chovido com alguma intermitência, os camponeses, com as sementes distribuídas, conseguiram fazer a sua sementeira”, garantiu. O principal produto da segunda época foi o feijão, com resultados positivos, o que coincide com a fase da colheita de milho. Lutero Campos disse que em algumas localidades foram feitas três sementeiras de milho.
 “Há quem tenha feito a produção na primeira fase com os efeitos a não se conjugarem, mas houve a segunda e terceira tentativa, que resultaram em índices satisfatórios”, disse.
No início da campanha agrícola 2013/2014, planificou-se trabalhar 605 mil hectares de terra na Huíla. Foi feita a primeira época, que terminou em Janeiro, e em Fevereiro começou a segunda, que findou em Abril. As autoridades estão agora empenhadas em que a terceira época da campanha, que se destina ao cultivo de hortícolas, comece no mês que vem com êxito. A par da terceira etapa, a direcção provincial já está a preparar a pré-época da campanha agrícola 204/2015, auxiliada pela terceira da campanha em curso, que termina em Agosto.
Nesta altura, as famílias produzem milho nas áreas baixas dos rios, produção que depois da sua colheita auxilia as despesas que se vão obter durante a campanha agrícola em curso.

Alívio das populações

Os níveis de produção resultantes dos apoios do Executivo às famílias que foram afectadas pela estiagem, estão a ter um aumento considerável. “Ao continuar-se a trabalhar conforme o projectado, alivia-se a população camponesa do sofrimento de que padece”, garantiu o director provincial da Agricultura na Huíla.
As famílias camponesas estão igualmente motivadas por saberem da existência do Programa de Aquisição de Produtos Agropecuários (PROPAGO), que veio para minimizar o sofrimento da população.
O programa permite integrar a produção no comércio rural, com uma conjugação de esforços na fiscalização da saída dos produtos do campo para outras paragens.
Se assim não fosse, era impossível determinar as quantidades que saem para serem vendidas por comerciantes das províncias do Bié, Huambo, Cuando Cubango e outras.

Apagar os efeitos da seca

Os resultados positivos que estão a ser alcançados na província estão a ajudar a colmatar, paulatinamente, os efeitos da seca que afectaram, sobretudo, as populações dos municípios dos Gambos, Matala, Quipungo e Quilengues.
Lutero Campos esclareceu que, “na agricultura, o que se perde num ano é difícil de ser colmatado no outro. Esta é a pura realidade”.
 No caso da Huíla, os efeitos podem ser colmatados de forma definitiva em três anos consecutivos de chuvas regulares.
Apesar disso, garantiu que há avanços significativos na recuperação dos estragos causados pela seca, graças aos vários programas que estão a ser concebidos pelo Executivo, com a criação de fontes de água de forma alternada e distribuição de sementes agrícolas às famílias.

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