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Captura de peixe aumenta rendimento das cooperativas na província da Huíla

Estanislau Costa| Lubango

Mais de 270 mil toneladas de pescado diverso foram capturadas, na província da Huíla, entre Agosto do ano passado e Julho último, apontam dados divulgados ontem num relatório da direcção local da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca.

Mais de 270 mil toneladas de pescado diverso foram capturadas, na província da Huíla, entre Agosto do ano passado e Julho último, apontam dados divulgados ontem num relatório da direcção local da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca.
O referido relatório da direcção da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca informa ainda que as toneladas de pescado foram capturadas nas localidades da Matala, Cuvango, Jamba, Caconda, Chicomba, Quipungo, Lubango e Chibia.  De acordo com o documento, os rios Cunene, Quê, Cuando, Cuvango, Cutato, Caculuvar, Chipoponhino, Coluna, Mbale, Chibalebale e alguns lagos, incluindo as barragens do Sendy, Neves e Chicungu, são sítios em que abundam várias espécies de peixes.
Para regular a actividade e acautelar a captura exagerada, com impacto negativo no ambiente aquático, o Instituto de Pesca Artesanal e especialistas desenvolvem, nas zonas piscatórias, acções para educar os pescadores sobre a época de reprodução dos animais, fase de crescimento, captura, tipos de peixe a recolher da rede e a devolver ao habitat, entre outros assuntos.
Silvano Levi, técnico do Instituto de Pesca Artesanal da província da Huíla, disse que é premente dotar os pescadores de conhecimentos e técnicas de lidar com os animais aquáticos para manter a reprodução normal e proporcionar fartura na captura. “Os pescadores associados sabem que o peixe miúdo arrastado pela rede deve ser devolvido ao rio”, avisou.


Meios de apoio à actividade


O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Fome e à Pobreza distribuiu 140 canoas a remos, outras 120 motorizadas e mais 550 tradicionais, nas zonas com rios, onde os pescadores associados desenvolvem a captura de pescado.
Os novos meios disponibilizados gratuitamente pelo governo da ­província da Huíla aos pescadores associados em cooperativas permitiu aumentar a captura do pescado de 200 para 500 mil quilos, por trimestre, segundo o relatório.
Segundo o coordenador da cooperativa 11 de Novembro, António Tyamba, os pescadores associados em cooperativas, nos municípios da Jamba-mineira, Matala, Chicomba e Cuvango, com embarcações e diverso material técnico de pesca entregue gratuitamente pelo governo, há cerca de dois anos, aumentaram a captura de peixe e o rendimento familiar, com a comercialização do produto nos mercados. O responsável disse que, na Jamba-mineira, situada a 315 quilómetros a leste da cidade do Lubango, são regularmente capturadas quantidades consideráveis de cacusso, quimaia, bagre e outras espécies, muito procuradas no mercado local e nos restaurantes.
 António Tyamba disse que o processo de captura é, neste momento, feito em melhores condições de segurança, higiénicas e de conservação do pescado, afirmando que a iniciativa do governo em unir os pescadores em pequenas cooperativas, distribuir barcos modernos e kits compostos por anzóis, redes, linhas, agulhas, bóias, lanças, caixas térmicas, coletes e balanças, fortaleceu a capacidade de pesca, a arrecadação de fundos e o alargamento do comércio.


Secagem do peixe
 

Mateus Kambinda, coordenador da associação de pescadores das localidades de Tyitumba e Malavi, no município do Cuvango, explicou que foi gizado um amplo programa que visa incentivar a prática de secagem do peixe para evitar a deterioração quando há poucos clientes. Mateus Kambinda afirmou que os pescadores da associação, que exploram a abundância de pescado do rio Kutato, estão a ser sensibilizados e mobilizados para também apostarem na seca do produto. “Os pescadores aprendem agora técnicas de manuseamento de peixe destinado à seca e utilização do sal”.
O coordenador afirmou que são capturados cinco mil quilos de peixe quimaia, tainha e bagre por mês, quantidade que serve para abastecer o mercado e fomentar a cultura de secagem entre os produtores.
O chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) do município do Kuvango, Timóteo Teófilo, considerou importante a formação dos pescadores artesanais filiados em associações, para melhorarem as experiências de captura, manuseio das embalagens de conservação e seca do peixe.
 “O peixe seco é fundamental para a dieta alimentar porque, além de possuir um período de conservação longo, pode também ser transportado pelos criadores tradicionais de gado bovino e respectivas famílias, durante a transumância, sem a preocupação de deterioração”, justificou Timóteo Teófilo.


Consumo de carne

 

O consumo de carne em vários pontos da província da Huíla é frequente, tendo em conta a existência de quantidade considerável de gado bovino, caprino e suíno e aves. Para variar a dieta, muitas famílias têm alternado, além das hortaliças, com o peixe, principalmente do rio.
 Por isso, as donas de casa deslocam-se aos fins-de-semana ao mercado da Lage, ou aos talhos, para aquisição de peixe. Há ainda clientes que preferem percorrer longos quilómetros para adquirir o produto a preços mais acessíveis nas zonas de captura.

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