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Centro em Arimba recebe crianças

Estanislau Costa| Lubango

Para dar à criança a protecção necessária para um crescimento sadio, está a ser erguido na comuna de Arimba, 15 quilómetros a sul da cidade do Lubango, o Centro Regional de Desenvolvimento e Protecção Integral da Criança. O empreendimento, que tem como data de conclusão o próximo mês de Julho, vai acolher 1.250 crianças e adolescentes.

As novas estruturas arquitectónicas enchem de orgulho os habitantes do Lubango
Fotografia: Arimateia Baptista

Para dar à criança a protecção necessária para um crescimento sadio, está a ser erguido na comuna de Arimba, 15 quilómetros a sul da cidade do Lubango, o Centro Regional de Desenvolvimento e Protecção Integral da Criança. O empreendimento, que tem como data de conclusão o próximo mês de Julho, vai acolher 1.250 crianças e adolescentes.
João Kanhanga é um garoto bom de fala. O seu raquitismo esconde os nove anos de idade. Com o seu carrito de lata vai quase todas as tardes entreter-se nos vários montes de areia fina usada pelos mestres de construção civil da Omatapalo. Kanhanga e um amigo imitam o roncar dos motores dos camiões. A sua constante presença nas proximidades da imponente obra em acabamento, localizada na sede da comuna da Arimba, faz deles testemunhas inocentes do nascimento de um moderno empreendimento para acolher crianças desamparadas.
Conversador, João Kanhanga sabe que o empreendimento vai servir especialmente as crianças desprotegidas que deambulam pelas ruas a pedinchar ou a fazer trabalhos pouco dignificantes para o seu sustento e que as convenções sobre os direitos da criança condenam. "Aquelas crianças que andam à toa a pedir esmola e a vender na rua da cidade vão ficar aqui", disse despreocupado, sem saber que ele também pode habitar no Centro Regional de Desenvolvimento e Protecção Integral da Criança, por ser órfão e viver com a avó.
O garoto mostrou-se encantado com a estrutura física da obra, os espaços verdes, as áreas desportivas e de lazer existentes no local. "Já meteram as portas e as janelas, e os pintores estão a acabar de pintar todas as paredes. Os jardins têm relva, flores e bancos para sentar bonitos. O campo dá para jogar à bola, basquete, ténis", disse com ar inocente, acrescentando que sabe e gosta muito de jogar futebol.
Questionado se gostaria de viver naquele lugar bonito em fim de construção, o garoto disse, sem hesitar, que "se vierem pedir à minha avó para eu ficar no centro ela vai aceitar e eu não vou chorar. Mas quero passar a visitar a minha avó, porque é a minha única família, os meus país já morreram", disse.
A imponente imagem e a impressão que o novo centro regional de protecção integral da criança está a dar à comuna da Arimba contagiam habitantes locais. "A obra do centro, que está prestes a ser inaugurado, vai trazer novos horizontes aos jovens vulneráveis das quatro províncias do Sul do país", disse um jovem habitante.
Pedro António, 15 anos, disse que nasceu e vive na comuna da Arimba, tendo testemunhado, há dois anos, o lançamento da primeira pedra para a construção do imóvel, sem nunca lhe ter passado pela cabeça que seriam aquelas grandes estruturas e com uma arquitectura de encher de orgulho os habitantes da comuna.
 "A construção de infra-estruturas modernas, como a escola do ensino secundário e agora o centro regional, tornaram o movimento na comuna mais dinâmico, com o enquadramento de novos trabalhadores e uma maior prestação de serviços", afirmou.
 A implantação de estruturas sociais modernas nas comunas e nas zonas mais recônditas da província e do país em geral, explicou a psicóloga Suzeth Figueiredo, servem para moldar a forma de pensar do cidadão de que "o moderno e belo não estão só concentrados nos centros urbanos, mas também nas zonas rurais".
 Suzeth Figueiredo acrescentou que na contemporaneidade é preciso incutir na mente das pessoas que a preocupação de se solucionar os problemas sociais não está só centrado nas cidades ou zonas urbanas. "Todo o esforço que o Governo fizer no sentido de beneficiar todos os cidadãos na cidade e no campo é bem-vindo e tenderá, a curto prazo, a diminuir as assimetrias regionais e proporcionar um desenvolvimento sustentável do país", declarou.
O centro regional erguido na Arimba, afirmou, representa uma valia na preparação da criança como homem formado, preparado e capaz de dar continuidade ao fortalecimento e desenvolvimento socioeconómico do país.
A concluir, a psicóloga encorajou as autoridades a prosseguirem com projectos que levem cada vez mais progresso e bem-estar à periferia dos grandes centros urbanos, de modo a construir um país de harmonia social.
  
Centro vai servir quatro províncias
 
Crianças e adolescentes das províncias da Huíla, Cunene, Namibe e Kuando-Kubango a viver em condições de vulnerabilidade ou com falta de cuidados adequados para o seu desenvolvimento harmonioso terão no centro regional de Arimba a casa que as acolherá e educará até à fase de inserção no mercado de trabalho.
O projecto, criado pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social, está orçado em 28 milhões de dólares. A instituição infanto-juvenil ocupa uma área de 13.805 metros quadrados e faz parte de um amplo programa do Executivo de construção no país de seis centros regionais.
 O consórcio Omatapalo e Revescor, duas empresas locais, estão a dar os últimos retoques nas obras do empreendimento, preparado para acolher 250 crianças e adolescentes em regime de internato e outras mil em regime externo.
Já são visíveis a estrutura arquitectónica dos quatro edifícios com dois pisos divididos em seis blocos diferentes, sendo o primeiro (A) o edifício administrativo, com bibliotecas e sala de estudos. Os outros blocos (B, C e D) possuem salas de aula, oficinas de artes e ofícios, dormitórios, refeitório, ginásio, centro de saúde e armazéns.
O penúltimo (E) reserva a componente espiritual para os petizes, pois é neste que está localizada a capela, enquanto o último (F) abrange a casa do director do estabelecimento.

Incentivo ao desporto
 
O projecto de construção do lar contempla ainda um complexo desportivo para incentivar as crianças à prática de actividades desportivas e lúdicas, visando o seu desenvolvimento sadio, um centro de controlo, central de emergência e um posto de transformação para garantir o abastecimento regular de energia eléctrica.
 A aposta do Governo é garantir formação média aos beneficiários. Mas, para tornar exequíveis as vocações de cada criança ou adolescente vulnerável, estabeleceu-se também a componente formativa técnicoprofissional, com a introdução dos cursos de alvenaria, carpintaria, informática, administração e comércio, electricidade, mecânica, pastelaria e outras profissões.
O Governo está a investir na construção de centros regionais de desenvolvimento e protecção integral da criança e adolescente nas províncias da Huíla, Benguela, Huambo, Bengo, Kwanza-Sul e Luanda. O da Huíla é o que se encontra em estado avançado de conclusão.
 O Jornal de Angola apurou que o empreiteiro executa neste momento trabalhos de acabamento, como arranjos exteriores, instalação eléctrica, colocação de mosaicos, louças sanitárias, calçada das passagens, plantação de árvores e outras acções de pequeno vulto. António Figueiredo, fiscal da obra, informou que esta pode ser entregues no mês de Julho. "Os técnicos estão empenhados no sentido de se proceder à entrega da obra nos prazos previstos e não há sobressaltos de realce que possam atrapalhar o estipulado".
 
Lançado concurso público
 
 Um concurso público foi lançado neste mês de Maio pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), na cidade do Lubango, com o propósito de serem os cidadãos a atribuir o nome ao futuro centro regional das crianças e adolescentes de Arimba.
Assim, historiadores, psicólogos, sociólogos, educadores de infância e cidadãos comuns são convidados a participar no concurso, que pretende valorizar a concorrência e a participação do cidadão na atribuição de nomes a instituições que a todos dizem respeito.
Alguns participantes, que preferiram o anonimato para evitar qualquer influência no processo, enalteceram a iniciativa do MINARS de pôr à prova a capacidade criativa de vários técnicos e permitir que o nome do centro regional resulte de um processo participativo, transparente e justo.

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