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Cerco à produção da liamba

Arão Martins | Humpata

A administradora municipal da Humpata, Paula Nassone, apelou ontem, aos produtores de liamba para acabarem com a prática da criação deste tipo de plantação, por causa dos seus efeitos negativos na sociedade.

Autoridades têm feito um combate cerrado aos produtores e consumidores de liamba e de outras drogas
Fotografia: Arimateia Baptista | Huíla | Edições Novembro

Paula Nassone informou que a nível do município estão disponíveis equipas que trabalham em conjunto com as autoridades tradicionais no sentido de sensibilizarem as famílias sobre o perigo que o cultivo de liamba representa na comunidade.
Paula Nassone disse que a venda e o consumo de drogas, principalmente da liamba, este último de fácil acesso, sobretudo para os jovens, têm contribuído para a instabilidade de inúmeras famílias e arrastado centenas de pessoas para o cometimento de crimes.
A administradora municipal explicou que o município da Humpata tem ainda áreas críticas de produção de liamba, embora a Polícia esteja atenta ao fenómeno e recorra a todas as formas para identifica-las e combater o mal.
Paula Nassone, que falava no final da cerimónia de incineração de elevadas quantidades de cannabis, pediu a colaboração de todos os munícipes para a denúncia de lavras ou de plantações de liamba (maconha) às autoridades administrativas ou policiais, para que se punam os seus proprietários.
O comandante provincial da Polícia Nacional na Huíla, comissário Arnaldo Manuel Carlos, considerou que o contínuo uso de drogas é uma das principais catalisadoras do cometimento de crimes dolosos a nível da região: "O combate às estas substâncias constitui uma das prioridades do Ministério do Interior, tendo em contas as consequências trágicas que o seu consumo representa para a sociedade."
O também delegado do Interior na Huíla explicou que a droga provoca alterações físicas, psicológicas ou emocionais que afectam a estrutura de um indivíduo, através do sistema nervoso central.
"Tendo em conta a localização geográfica, a Huíla tem sido, nos últimos tempos, um alvo preferencial dos traficantes de droga, como   destino (tráfico e consumo) e trânsito (passagem para outros pontos), principalmente a cidade do Lubango", disse Arnaldo Manuel Carlos, que informou que a situação o preocupa, uma vez que as pessoas que cometem crimes violentos como violação, homicídio e ofensas corporais graves têm um elemento em comum, o consumo de drogas.
Arnaldo Manuel Carlos disse que a produção de liamba é local, sobretudo nos sectores do Jau e de Nkangalongue, município da Chibia, e nas localidades de Bata Bata (Humpata) e o seu transporte é feito  por via terrestre, dada a facilidade que encontram nas zonas de ligação.
Arnaldo Manuel Carlos indicou que as rotas mais lucrativas utilizadas pelos traficantes são as terrestres, com ligações entre as cidades de Luanda, Benguela, Lubango, Namibe e Cunene e a República da Namíbia e vice-versa: "Entre os meios usados destacam-se as viaturas particulares e de transporte público (autocarros) e os aéreos, com passagem e desembarque até ao Aeroporto Internacional da Mukanka."

Situação operacional


O comandante Arnaldo Manuel Carlos informou que de Junho até ontem, os Serviços de Investigação Criminal (SIC) da Huíla realizaram um total de 185 micro-operações, mais 77 em relação a igual período anterior, que culminou na detenção em flagrante delito de pessoas com faixas etárias que variam de 12 a 49 anos, todos encaminhados ao Ministério Público.
"As acções resultaram na abertura de 124 processos crimes e foram instruídos e concluídos 71 destes, sendo todos remetidos à juízo, julgados e condenados nas penas correspondentes", disse Arnaldo Manuel Carlos para acrescentar que as operações resultaram na apreensão de 104 gramas de cocaína, 617 quilogramas de liamba e a queima de 1.239 plantas incineradas.
Neste período, foram julgados  26 cidadãos nacionais, por estarem implicados na prática dos crimes de tráfico e consumo de cocaína e de cannabis, dos quais 23 foram condenados em penas que vão de três meses a um ano de prisão, e outros três indivíduos absolvidos.
Apesar dos dados, Arnaldo Manuel Carlos assegurou que o estado da droga na província está controlada, pois estão identificados os focos de consumo e de tráfico, estando em curso acções de monitorização táctico-operacionais, com vista ao desmantelamento e responsabilização criminal.
Para isso, reforçou o apelo da maior colaboração de todos os munícipes.

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