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Chicomba tem estrada degradada

Estanislau Costa | Chicomba

A degradação acentuada verificada nos 110 quilómetros do troço rodoviário Quipungo/Chicomba constitui um dos factores que está a inviabilizar a circulação permanente de pessoas e mercadorias entre os dois  municípios, sendo Chicomba considerado como um dos maiores produtores de cereais da província da Huíla.

Durante a época chuvosa é preciso muita coragem e mestria para circular em alguns troços da estrada Quipungo/Chicomba
Fotografia: Estanislau Costa | Edições Novembro

O soba de uma povoação do município de Chicomba, Feliciano Caloningui, disse ao Jornal de Angola que o mau estado da via está entre os principais motivos que “desencorajam os pequenos e grandes comerciantes a estenderem as suas acções à circunscrição”.
Feliciano Caloningui explicou que “o estado do troço piora nas épocas chuvosas, por aumentarem os buracos e se observar o surgimento de valas que dividem a estrada quase a meio, fazendo com que as poucas viaturas que ainda circulam encontrem alternativas na mata adentro”.
Viajar até a sede de Chicomba, disse, implica coragem para enfrentar os constrangimentos causados aos passageiros e os danos das viaturas. “As viaturas ligeiras não conseguem enfrentar o mau estado  do troço, apenas os camiões ou jeeps 4x4 todo-o-terreno”. Contou que a população do município aguarda há sensivelmente oito anos pela remodelação do troço. “Muitos dirigentes que visitaram o município prometeram resolver o problema da estrada e já houve uma empresa local que efectuou obras de terraplanagem da via”.
Segundo o soba, as boas intenções não passaram de raspar a via e consertar as valas de drenagem das águas das chuvas. “Tudo o que se tinha feito acabou danificado, piorando o seu estado que desencoraja as visitas de turistas interessados em conhecer o potencial agrário e a terra que às vezes treme e sacode as infra-estruturas”.
O agricultor Januário Lembemba, com 70 toneladas de milho e massambala da safra transacta, considera que o estado actual do troço “atrapalha o escoamento dos produtos do campo, principalmente o milho, facto que encarece ainda mais a comercialização do cereal”.
Enalteceu a coragem dos camionistas das províncias de Benguela e do Huambo que não medem esforços para atingirem os mercados e zonas com milho armazenado de Chicomba. “Apesar de não ser com a frequência desejável, há camiões que chegam às áreas de comercialização, principalmente nas épocas das safras\".
Januário Lembemba reconheceu que o escoamento da produção em grande escala “só é possível com a presença de clientes provenientes de vários pontos das províncias da Huíla, Benguela e Huambo, que não se importam em alugar camiões à altura de enfrentar o mau estado do troço em referência”.

Devagar e bem
Ao volante de uma Toyota Dina,  com indícios de estar já velha,  está António Guerra, que efectua uma marcha que não ascende os 10 quilómetros por hora, devido às 40 toneladas de milho que transporta de Chicomba para o mercado informal do Mutundo, situado na cidade do Lubango. 
António Guerra justiçou que prefere fazer uma marcha lenta para evitar danos complicados ao camião durante o trajecto. “Com a marcha frouxa e habilidade em superar os buracos, chego até a estrada 280 que liga Lubango ao Cuvango, sem quebrar uma das molas ou estourar um dos pneus”.
O camionista acrescentou que se danificar uma das molas com a viatura carregada “fica muito complicado reparar por implicar em certos casos descarregar parte da mercadoria para facilitar a sua remoção e reparar ou substituí-la. Por isso, prefiro viajar devagar e bem”.

Triângulo produtor

Os municípios de Chicomba, Caluquembe e Caconda são há muito  tempo considerados, por alguns empresários agro-pecuários e comerciantes da região sul e não só, como “triângulo produtor” de milho, massambala, feijão, ervilha e tubérculos.
As colheitas de Chicomba, particularmente, estiveram sempre acima das 50 mil toneladas de vários produtos.      
O envolvimento de vários camponeses, grandes agricultores e apoios permanentes em sementes diversas, instrumentos de trabalho e fertilizantes têm contribuído para o aumento da produção.
Dados da direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Huíla atestam que a organização dos produtores em cooperativas, com o número actual a ascender as mil e 200 pessoas, permite maior organização e controlo dos apoios entregues e quantidades colhidas.
Os resultados positivos alcançados pelo município de Chicomba têm a ver, também,  com o regresso massivo de um número considerável de famílias nativas e de outras pessoas às respectivas zonas de origem, assim como a desminagem de dezenas de  terras aráveis.

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