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Chipindo constrói casas para albergar quadros

Arão Martins e André Amaro| Chipindo

Um total de dez casas do tipo T2 e T3 foram construídos na sede do município de Chipindo, 456 quilómetros a leste da cidade do Lubango, no quadro de um projecto que visa atingir 50 habitações até 2012.

Pontes de troncos de árvores entre Chipindo e Kuvango estão a ser substituídas por estruturas metálicas
Fotografia: Aritmeia Baptista

Um total de dez casas do tipo T2 e T3 foram construídos na sede do município de Chipindo, 456 quilómetros a leste da cidade do Lubango, no quadro de um projecto que visa atingir 50 habitações até 2012.
Orçado em 76 milhões de kwanzas, o projecto financiado pelo Programa de Intervenção Municipal (PIM) visa solucionar a falta de casas na sede municipal e atrair quadros de várias especialidades, concentrados nos centros urbanos.
O administrador municipal de Chipindo, Daniel Salupassa, disse que uma empresa local executa as obras. “As acções realizadas até ao momento dão garantias de qualidade e a entrega das casas na data estipulada”. Daniel Salupassa adiantou que a administração municipal tem em carteira, para os próximos dois anos, o desenvolvimento de acções de impacto socioeconómico para a melhoria das condições de vida da população local e dos quadros interessados em trabalhar em Chipindo.
Para haver equilíbrio nas infra-estruturas do município, disse, a construção de casas contempla as comunas do Bambi e Bunjei, com as suas habitações. “Chipindo é um dos municípios que perdeu todas as estruturas públicas e privadas em consequência do conflito armado”.
O administrador reconheceu que o município está a recompor-se de forma paulatina com o empenho do governo e empresários ansiosos em expandir as suas actividades comerciais para todos os pontos da província da Huíla.

Pontes metálicas melhoraram circulação
 
A circulação de pessoas e mercadorias no troço rodoviário que liga o município do Chipindo a várias zonas recônditas da província da Huíla é feito em melhores condições, com a instalação de três pontes metálicas.
As estruturas metálicas, encomendadas para substituir as pontes improvisadas com troncos, que evitam a paralisação do trânsito, têm capacidade para suportar até 40 toneladas e uma extensão de 20 a 40 metros de comprimento. A instalação das pontes está a cargo do Instituto Nacional de Estrada de Angola (INEA) na Huíla, com parceria de empresas de construção civil locais que fazem obras de reabilitação de estradas.
O director provincial do INEA na Huíla, Florêncio Teófilo, disse que a maior parte do equipamento já está no estaleiro da empresa e, nos próximos dias, começa a ser transportado para os locais das antigas pontes. Florêncio Teófilo adiantou que se procede neste momento à criação de condições logísticas, mobilização de pessoal técnico, máquinas como gruas, camiões basculantes, retroescavadoras e outros meios para o trabalho.
O director provincial explicou que para instalação das estruturas metálicas, urge a movimentação de solos, construção de bases de betão armado, visto que os locais das pontes nunca tiveram uma ponte condigna.
A primeira fase prioriza o Chipindo, por ser o único município do interior da província com o principal troço que liga a outras localidades que precisam de obras de asfaltagem. No âmbito dos investimentos públicos, salientou o director, o único troço intermunicipal que ainda não está reabilitação é a via Chipindo-Kuvango, com uma extensão de 105 quilómetros. São ainda necessárias novas pontes para abranger mais vias secundárias e terciárias.
A instalação das três pontes metálicas no troço Chipindo-Kuvango traz vantagens para as populações do leste da província, na medida em que torna fluida o transporte de grandes quantidades de mercadoria. O empresário Domingos Fernandes disse a instalação das pontes contribui para o desenvolvimento do município do Chipindo, por atrair investimentos e reduzir o preço dos produtos.
Domingos Fernandes, que executou obras de construção da escola e hospital no Chipingo, disse que os concursos públicos para as obras no município tinham pouca adesão devido à distância e ao mau estado do troço. Chipindo está a 455 quilómetros a leste da cidade do Lubango e com uma estrada degradada e com pontes de madeira. Antunes Calei, comerciante da comuna do Galangue, considera que as novas pontes vão fomentar a actividade mercantil. “Temos enfrentado muitas dificuldades para transportar produtos do Lubango para o Chipindo devido às pontes improvisadas que inviabilizam a passagem de camiões pesados”, referiu o comerciante.

Autoridades tradicionais informadas da Constituição

O soba da povoação de Cambindo, município de Chipindo, Benjamim Chimuco afirmou que “quanto mais a população souber o que a Constituição prevê, melhor será a prevenção dos crimes ou atropelos as normas jurídicas do país”.
Benjamim Chimuco que falava ao Jornal de Angola, depois do esclarecimento sobre a Constituição e a Lei da Probidade Pública, promovido pelo MPLA, disse que é importante que as autoridades tradicionais e a população saibam dos direitos e deveres consagrados na carta magna.
O soba referiu que só o facto de as entidades do Estado serem os únicos responsáveis de distribuir parcelas de terra, faz com que todos cidadãos tenham o mesmo direito de possuir um terreno para o cultivo ou construir a sua casa. O soba está satisfeito com a explicação dada sobre a terra por saber que apesar de ser do Estado, pode ser concedida a pessoas singulares ou colectivas, para bom aproveitamento, nos termos da Constituição.
O deputado do círculo provincial da Huíla, Desidério da Graça, que explicou sobre as boas novas da Constituição, disse que a carta magna valoriza os direitos, liberdades e garantias fundamentais e promove o bem-estar, a solidariedade social e a elevação da qualidade de vida do povo. “As acções para o desenvolvimento integral das crianças e jovens, na educação, saúde, economia primária e secundária e noutros sectores, estão salvaguardados”, disse o deputado, para acrescentar que a Constituição se coaduna com a realidade dos novos desafios.

Kuvango regista aumento de crianças no sistema escolar
 
A construção, reabilitação e ampliação de escolas do ensino primário e secundário do II ciclo, no município do Kuvango, permitiu o crescimento crianças no processo de ensino e aprendizagem num universo de 42.672 alunos no presente ano.
O administrador do município de Chipindo, João Hilifilwa disse que o Executivo construiu e reabilitou, no ano passado, com fundos do Programa de Investimentos Públicos e do município, 30 escolas nas comunas e sectores.
O administrador afirmou que, até 2005, o município possuía 200 professores e 20 mil alunos enquadrados no sistema de ensino. Actualmente, o número de professores cresceu para 800 que leccionam no ensino primário e secundário do II ciclo.
O sector da Educação em Chipindo vai contar, a partir do II semestre, com 200 novos professores admitidos no recente concurso público realizado na província da Huíla. Segundo João Hilifilwa, as acções de construção, reabilitação, ampliação e de admissão de professores no município, permitiram o aumento considerável de alunos. “Há cinco anos, o quadro era diferente com as aulas confinadas à sede. Hoje, regista-se uma expansão do ensino em todas localidades”.
Estão fora do sistema de ensino em Kuvango mais de seis mil crianças. Para inverter o quadro, estão nos projectos a executar a construção de mais escolas. Uma escola de seis salas de aula, com capacidade para albergar 810 alunos do II ciclo, está a ser construída desde Março pela administração do Kuvango. As obras estão a cargo da empresa local Matela. O encarregado de obras da Matela, Joaquim Maya, disse que a empreitada termina em finais de Julho. É uma mais-valia a escola dispor de mais lugares para novos alunos, considerou Maya.

Bispo apela à população para apoiar o Governo


O bispo emérito do Lubango, D. Zacarias Kamwenho, apelou aos cidadãos para colaborarem com o Governo na execução de projectos de impacto socioeconómico e de desenvolvimento.
D. Zacarias Kamwenho, que falava na homilia dos festejos do 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja Católica, assinalado no domingo, que reuniu jornalistas de diversos órgãos, disse que os cidadãos devem mudar de atitude e aliar-se aos esforços do Governo na melhoria da qualidade de vida.
 “Para que a província da Huíla, a cidade do Lubango e o país em geral tenham mais prosperidade, é necessário que haja colaboração entre os governantes e governados na elaboração e execução dos projectos que visam o bem-estar comum”, salientou.
O bispo emérito disse que não foi por acaso que o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, expressou num dos seus discursos que “o mais importante é resolver os problemas do povo”.
O Governo, sublinhou, “está a trabalhar para termos uma cidade bela, acolhedora, onde possamos respirar em condições. Mas neste processo, encontra entraves por parte de algumas pessoas que ainda deitam o lixo nas ruas, constroem sobre as condutas de água e vedam as passagens”. Para D. Zacarias Kamwenho, estas práticas são “satânicas, porque se opõem ao bem e ao esforço de quem quer melhorar a vida do colectivo. Estas práticas são combatidas colaborando com as autoridades”.
O bispo emérito considera a comunicação social, como elo importante entre governantes e governados, deve “primar pela verdade dos factos, passando mensagens conciliadoras e que fortalecem os valores de irmandade entre os filhos desta Nação”.
“Os jornalistas durante a sua actividade devem ter em conta que o seu produto desempenha um papel importante na informação e formação dos cidadãos, levando as pessoas a distinguirem o bem e o mal e a optarem por práticas que ajudam o país a melhorar e desenvolver”, adiantou.
O prelado exortou os profissionais de comunicação social a primarem pela divulgação de matérias que promovam os valores morais e cívicos.

 

André Amaro| Lubango

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