Províncias

Cidade agitada com os jogos

Estanislau Costa| Lubango

A agitação registada na fase de preparação da quadra festiva e da passagem de ano, na cidade do Lubango, contagiou os dias que antecedem o começo do Campeonato Africano das Nações Orange-Angola 2010.

Soba Grande da Guíla Joaquim Huleipo
Fotografia: Estanislau Costa

 A agitação registada na fase de preparação da quadra festiva e da passagem de ano, na cidade do Lubango, contagiou os dias que antecedem o começo do Campeonato Africano das Nações Orange-Angola 2010.
Se na véspera do Natal e da passagem de ano o corre-corre das pessoas foi para proporcionar momentos agradáveis em família, a escassas horas de a bola rolar nas quatro linhas do estádio nacional Tundavala, Lubango está com um movimento fora do comum.
Cidadãos nacionais e estrangeiros afluem com frequência às empresas públicas e privadas para fazer reservas nas companhias aéreas, autocarros, hotéis, albergarias, espaços para campismo. Algo inédito neste processo é que as reservas são feitas nas cidades do Lubango e Benguela e vice-versa.
Dezenas de pessoas esforçam-se por não perder nenhum jogo da série D do Lubango e C de Benguela. Uns preferem viajar até Benguela de avião, mas a maioria vai mesmo trilhar a estrada Lubango-Benguela.
Viaturas ligeiras e pesadas estão a ser adornadas com as cores da nação. O vermelho, amarelo e preto é a exigência mor. As bandeiras da República, camisolas, chapéus, cachecóis, apitos, entre outros atavios, viraram o negócio da moda.
Para trás ficou o famoso “dá ou manda só um saldo”. Agora, as crianças, jovens, tias, avós, cara-metade e outros parentes, soam o pedido de uma camisola, bandeira e apito.
Até sexta-feira, 8, os comerciantes credenciados para o efeito procediam à contagem da mercadoria, aguardavam pelo desalfandegamento dos bens no porto do Namibe. Também já se definiram os pontos de venda e alguns revendedores e a venda começa hoje.
Vantajoso é o pequeno calor humano e o apoio que os excursionistas dos 13 municípios da Huíla, províncias do Namibe, Cunene, Kuando-Kubango e Malange vão dar às selecções do grupo D. Ao todo, são sete mil as pessoas que compõem as claques para dar força à Zâmbia, Camarões, Tunísia e Gabão. Mas o maior calor, apoio à força das forças é única e exclusiva para os nossos bravos rapazes, os Palancas. Os angolanos dão a maior força à selecção e pedem aos jogadores e equipa técnica empenho e dedicação.
O reverendo Diniz Eurico sublinhou que “o governo e outros actores se ocupam da actividade material e nós evangelistas estamos com a parte espiritual, rezando para que os Palancas se apliquem mais e tenham sucesso. Oramos todos os dias para isso”.
           
Sobas do CAN
 
As autoridades tradicionais da província da Huíla estão com o maior evento desportivo do continente berço, África. Os sobas, que tiveram um papel preponderante na mobilização e sensibilização dos ocupantes da área onde foi projectado o Estádio Tundavala, aguardam pelo começo dos jogos.
O soba grande da Huíla, Joaquim Huleipo apoia incondicionalmente a selecção nacional e não vai perder o relato da rádio, as imagens da TPA e os detalhes do jogo a serem estampados no Jornal de Angola.  “Os Palancas Negras estão com saúde e bem preparados para o jogo de domingo. São milhões de angolanos e amigos deste país que vão estar com os bravos rapazes. Mesmo assim, para ganharmos temos de lutar muito, porque isto não é jogo amigável, é uma competição”, disse.
Manuel de Sousa, soba do bairro comercial dos arredores da cidade do Lubango, traja há quatro dias roupas com as cores da nação. “Quando visto roupas com a tonalidade amarela, vermelha e preta sinto o verdadeiro orgulho de ser angolano”. Banha o rosto com as lágrimas que solta pela comoção de ouvir, num acto público, o hino nacional. Num aparte, diz que “a futura constituição deve manter pelo menos o actual hino da República de Angola”.
O rosto de Manuel de Sousa é banhado domingo no jogo inaugural do Campeonato Africano das Nações a decorrer em Luanda no estádio 11 de Novembro. Conta que os angolanos têm motivos para se sentir independentes e orgulhosos pelos passos que o Governo dá para o desenvolvimento e bem-estar da população. O estádio Tundavala, declara, o novo aeroporto e outros empreendimentos vão marcar os angolanos. Os turistas e acompanhantes dos clubes vão ficar admirados com o que vão encontrar nas quatro províncias.
Ver jogar Samuel Eto’o, e outros craques do futebol africano integrados nos clubes da série D, ao vivo e cores é um sonho que se torna realidade no seio das autoridades tradicionais e de muitos huilanos. />           
Habituar às instalações
do aeroporto internacional
 
As aeronaves de pequeno e grande porte e dezenas de passageiros estão desde quinta-feira, 7, a utilizar a nova aerogare inaugurada em finais de Dezembro do ano passado pelo primeiro-ministro, António Paulo Kassoma.
O mesmo com a luxuosa infra-estrutura que está à vista de todos, usada há dois dias, e a pista enorme e iluminada. Ainda há quem fique com uma sensação de dúvida. João Dias é um dos afectados pela dúvida. “Está tudo tão bem feito, tapete rolante, equipamento moderno, bons serviços que não dá para acreditar, assim, só assim”.
Alberto Fernandes, que embarcava para Windhoek, considerou o aeroporto internacional da Mukanka um dos importantes investimentos do Estado na Huíla. “Os viajantes vão espantar-se com a beleza, a qualidade e eficiência no atendimento, factores fundamentais para a nossa economia crescer ainda mais e estarmos melhor enquadrados no contexto da SADC”.
É ainda difícil habituarmo-nos à regra imposta pela abertura do aeroporto internacional da Mukanka. Antes, as viagens só se realizavam entre as 8h00 e as 16h00. Fora disso, já era anormal pensar em embarcar por ser raro os voos aterrarem.
Muitos lubanguenses, e não só, caem ainda na antiga regra das viagens. Ouvir dizer que o voo da companhia de bandeira, Taag, ou aeronaves de outras empresas, vão chegar ao Lubango às 19h00 parece brincadeira de mau gosto, mas é verdade.
Agora é assim. Se o voo não veio durante o dia, chega à noite. Urge habituarmo-nos rápido aos novos horários de voos para Lubango, Cabinda e Benguela. São ventos de desenvolvimento que implicam mudanças nos comportamentos e métodos de trabalho.
Para qualquer servidor público, empresário, estudante, é momento de adaptar-se a trabalhar durante o dia e programar a viagem para Luanda ou outro ponto do mundo no período nocturno. A inovação do Governo vai contagiar também as crianças da periferia por se deleitarem com a beleza dos aviões durante as noites. Ao todo, 500 mil passageiros vão embarcar e desembarcar no aeroporto internacional da Mukanka. A quantidade de mercadorias a movimentar ascende a um milhão de toneladas.

Activistas na luta contra as drogas

Uma campanha de sensibilização para a luta contra o uso de drogas está a ser desenvolvida por activistas em locais de grande concentração de turistas que estão no Lubango para assistir aos jogos da série “D” da Taça de África das Nações.
Com o lema “Abraça a Vida e Afasta as Drogas”, a campanha têm o objectivo de informar os cidadãos sobre as causas e consequência das drogas, doença e métodos de combate e forma de garantir maior longevidade.
A iniciativa é do Comité Internacional de Luta Anti-Droga - CILADA - em parceria com os ministérios da Edução e da Justiça. Estão a ser formados activistas para actuarem na prevenção e combate as drogas.
Os activistas vão desenvolver as suas acções no Aeroporto Internacional da Mukanka, no Estádio Nacional Tundavala, hotéis, restaurantes, praças públicas e outros locais onde há actividades do CAN’2010.
O representante da CILADA em Angola, Domingos Torres, esclareceu que para além de mensagens orais, os activistas vão usar cartazes, folhetos e material publicitário com mensagens sobre prevenção e reabilitação. As cartilhas trazem informações ricas sobre os tipos de drogas, causas, consequências do tráfico e consumo e reabilitação de toxicodependentes.
A campanha está a ser realizada em simultâneo em Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango, cidades escolhidas para albergar os jogos da competição africana.

                                                                                                                                          André Amaro | Lubango

Tempo

Multimédia