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Combate à pobreza mobiliza autoridades

Estanislau Costa | Matala

A mulembeira plantada entre a comuna de Capelongo e a povoação da Castanheira da Pêra, serviu, esta semana, de sala de reuniões, onde os gestores públicos da província da Huíla trocarem informações sobre a utilidade de algumas plantas na solução de problemas das comunidades rurais.

A reunião entre a comitiva dirigida pelo governador provincial da Huíla e os camponeses decorreu à sombra da mulembeira
Fotografia: Arimateia Baptista

A mulembeira plantada entre a comuna de Capelongo e a povoação da Castanheira da Pêra, serviu, esta semana, de sala de reuniões, onde os gestores públicos da província da Huíla trocarem informações sobre a utilidade de algumas plantas na solução de problemas das comunidades rurais.
A comitiva de 14 administradores municipais, liderada pelo governador Isaac dos Anjos, reuniu-se na Matala para definir estratégias que ajudem na materialização do Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza. A jornada de campo serviu para governador e colaboradores ouvirem experiências de pessoas que dão vida à vários projectos agro-pecuários, com realce para o perímetro irrigado da Matala, onde há plantas medicinais.
Tabaibo, sisal, eucalipto branco, entre outras, quando bem utilizadas são plantas que contribuem para a melhoria do rendimento familiar. Os frutos do tabaibo, por exemplo, podem ser aproveitados para alimentação e o caule para produzir medicamentos caseiros para a tosse e inflamações. Também é utilizado no tratamento de água em reservatórios durante a época de estiagem.
O sisal e as folhas do eucalipto branco também são usados no dia-a-dia. O primeiro, como matéria-prima de várias indústrias e na actividade doméstica e as folhas do eucalipto branco, aromáticas, para massagens e alívio de dores.

Apostar em iniciativas  locais

O governador aconselhou os administradores a concretizarem algumas das ideias ouvidas, “desde que sirvam para o engrandecimento da localidade e resolução dos problemas da população”.
Isaac dos Anjos, formado em engenharia agrónoma, disse que os administradores municipais não devem esperar que o Executivo ou o governo provincial resolvam certos problemas quando há possibilidades de se sanarem situações, através de iniciativas locais.
Se cada família aumentar a cultura do tabaco nos espaços não usados para produção do milho ou de hortaliças, frisou, pode-se ter mais colheitas e melhor comercialização de uma marca local. Estas iniciativas, referiu Issac dos Anjos, podem abranger outros produtos do campo e contribuir para o crescimento da riqueza de cada família, criando bases para satisfação das principais necessidades.
Para isso, recomendou, é preciso que os produtores criem cooperativas e, futuramente, montem pequenas fábricas.

Formação de  administradores

O governo da província enviou ao Brasil os administradores municipais da Chibia, Chicomba, Matala e Quipungo, onde trocaram informações com gestores públicos e produtores agrícolas.
Os administradores municipais colherem conhecimentos que podem ser adaptados à realidade das circunscrições, como é o caso da criação de cooperativas agrícolas com fábricas caseiras.
Os quatro administradores estão agora empenhados em aplicar gradualmente as experiências das cooperativas brasileiras. “Os métodos de transformação da goiaba, laranja, batata e hortaliças vai trazer mais rendimentos às famílias e incentivar o aumento do cultivo”, disseram. A administradora do município da Chibia, Otília Noloty, afirmou que o uso de coisas simples permite rentabilizar mais a actividade dos agricultores, sendo necessária a mudança dos métodos de tratamento, conservação, apresentação e escoamento dos produtos. A administradora da Humpata disse que o combate à pobreza e o desenvolvimento integrado das zonas rurais passam pela valorização, entrega das comunidades e pelo aumento da produção agro-pecuária.
Nos anos 70 e 80, a produção nas zonas rurais estava mais organizada, os camponeses produziam em cada ano agrícola alimentos suficientes para o sustento familiar e para venda, recordou Maria da Cruz. Com o recrudescer do conflito armado, referiu, muitas famílias tornarem-se dependentes das ajudas humanitárias ao serem obrigadas a abandonarem das terras, o que desarticulou o processo produtivo rural e aumentou a pobreza.
Urge, por isso, salientou, sistematizar os mecanismo para activar o processo produtivo das famílias camponesas das zonas urbanas a das áreas mais recônditas da Huíla e de outros pontos de Angola para se reconquistarem os valores e melhorar a vida das pessoas.

Cooperativas funcionais

 As cooperativas 1º de Maio e Baixa de Capelongo são exemplos de grupos de produtores organizados, que desbravam as terras férteis do perímetro irrigado da Matala e produzem fartura.
O surgimento da fábrica de concentrado e processamento de tomate, na comuna de Capelongo, constitui um desafio para os agricultores. João Rodrigues, responsável da cooperativa da Baixa de Capelengo, disse que “a fábrica surgiu em boa altura, tendo em conta que agricultores estão motivados para produzir tomate para a abastecer”, o que vai, frisou, “dar nova dinâmica ao município da Matala”.
A única linha de produção da unidade, com capacidade para seis toneladas por hora, vai empregar 40 filhos de camponeses.
O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) financiou parte das obras do empreendimento, orçadas em 801 milhões de kwanzas.
O projecto proporciona o envolvimento de 400 agricultores de forma indirecta, o que reanima os planos de diversidade e aumento do cultivo de tomate.
“Estas fábricas de transformação são necessárias para evitar os receios de se lavrar muito e não existir mercado”, disse o produtor António Gouveia, que aproveitou a ocasião para solicitar mais apoio, para o aumento da produção e o escoamento dos produtos.

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