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Comboio dos CFM volta a Tchamutete

Domingos Mucuta |

O comboio dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes volta a apitar na comuna do Chamutete, município da Jamba, 35 anos depois da paralisação da circulação da locomotiva na região, devido ao conflito armado.

O tranporte de pessoas e bens ficou cada vez mais fácil na região com a circulação do comboio
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A viagem inaugural do comboio de transporte de passageiros e mercadorias, assistida pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, aconteceu na terça-feira, partindo do entroncamento do Dongo.
A viagem durou pouco menos de uma hora, num percurso de 94 quilómetros. A bordo das nove carruagens, além de mercadorias diversas, iam também vários passageiros, com destaque para membros do Governo, que disseram à nossa reportagem que a viagem foi tranquila e agradável, graças à reabilitação da linha-férrea, no âmbito do programa de reconstrução dos Caminhos-de-Ferro de Angola.
Ao longo da via, vários populares concentraram-se nas estações de Carvalhais, Tuntunhé, Chakaia e em outras localidades, para comemorar a chegada do comboio.
Na estação ferroviária de Chamutete,  a comitiva, encabeçada pelo governador, encontrou um aglomerado de cidadãos eufóricos, com cânticos típicos da região, entoados na língua nacional umbundo.
O presidente dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, Daniel Kipaxe, disse que a inauguração começa com duas frequências por semana e pode ser aumentada, mediante o fluxo de passageiros e mercadorias.
A tarifa entre o entroncamento do  Dongo e Jamba, numa distância de 16 quilómetros, custa 100 kwanzas. Do mesmo ponto, até Chamutete, cerca de 94 quilómetros, custa  300 kwanzas, contra os mais de 1.000 cobrados pelos automobilistas, devido ao mau estado das estradas.
O presidente dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes lamentou a vandalização de uma locomotiva na estação da Mapunda, arredores da cidade do Lubango, onde os marginais quebraram todos os vidros, prejuízos avaliados em 100 mil dólares.

Baixo custo

O administrador comunal de Chamutete, Mariano Tyamba, considerou que a circulação do comboio no ramal facilita o transporte de pessoas e mercadorias a baixo custo.
“Estamos contentes. Esta é uma prova do desenvolvimento económico e social do país. É momento de alergia e orgulho para a população, que vê muitos problemas resolvidos, com a chegada deste meio de transporte”, declarou.  O governador da Huíla, João  Marcelino Tyipinge, disse que a chegada do comboio à comuna é a concretização de uma promessa feita pelo Executivo à população da localidade.
João Marcelino Tyipinge afirmou que o povo de Chamutete merece também viajar de forma cómoda, segura e barata.  O governante destacou as potencialidades mineiras do município da Jamba, que, nos próximos anos, começa a explorar ferro e ouro. “Jamba é um município abençoado. Além do potencial  agrícola, há aqui muita riqueza, que, após o início de exploração, vai ser transportada por comboio”, concluiu o governador.

Crescimento da Matala


Os munícipes da Matala devem participar activamente no processo de desenvolvimento do município, com ideias, pois a administração está aberta para receber contribuições, apelou ontem o seu administrador, Miguel Vicente.  Em declarações à Angop, Miguel Vicente disse que a contribuição dos munícipes passa também pela conservação de infra-estruturas sociais, que foram erguidas na circunscrição para servirem as gerações vindouras.
O administrador afirmou terem registado um grau de desenvolvimento em todos os sectores, com a construção de estabelecimentos comerciais, facto que tem contribuído para a melhoria da vida da população.
Miguel Vicente destacou a construção de 40 fogos habitacionais para a população, escolas do primeiro ciclo, postos de saúde, bem como a construção de novos sistemas de captação e abastecimento de água.             
O administrador sublinhou que a Administração continua a trabalhar na planificação e na construção de novos equipamentos, para que os munícipes estejam bem servidos.
Por outro lado, 72 crianças do Lar de Acolhimento da Paróquia da Missão Santa Teresinha do Menino Jesus, de Chicomba, beneficiaram de bens alimentares, oferecidos pelo governador  João Marcelino Tyipinge. O governante  encorajou os pequenos a aproveitarem a oportunidade que a igreja lhes dá, dedicando-se aos estudos.

  CFM garante serviços a baixo custo 


Com 756 quilómetros de comprimento, a linha dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM-EP) é uma das maiores e mais importantes em África, tendo sido construída pela administração colonial portuguesa e concluída em 1963.
A linha parte da cidade de Moçâmedes (Namibe) e chega à cidade de Menongue (antiga Serpa Pinto). No caminho, passa pelas importantes povoações da Bibala (antiga Vila Arriaga), Lubango (antiga Sá da Bandeira) e Matala.
Depois de grande parte da sua extensão ter sido destruída durante a guerra civil, uma parceria entre a China e Angola levou à reconstrução da linha férrea, terminada no mês de  Setembro de 2015.
Os Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM) receberam, recentemente, um reforço de novas locomotivas de fabrico americano, para reforçar o transporte de pessoas e mercadorias.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da empresa, Daniel Quipaxe, para descongestionar o transporte de carga na região, o Estado angolano encomendou 100 locomotivas, que serão distribuídas aos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, Benguela e Luanda. Daniel Kipaxe disse que a empresa tem dado resposta às solicitações de empresas, como a Sonangol e a Sonagas, no transporte de combustíveis para a província do Cuando Cubango, bem como no transporte de mármore e granito na linha Namibe - Cuando Cubango, com redução dos custos do frete. “Temos transportado cargas em grandes quantidades, em segurança e com custos reduzidos”, esclareceu o presidente do Conselho de Administração. Informou que a empresa modernizou ainda as infra-estruturas ferroviárias e dispõe de residências para trabalhadores ao longo de toda a linha Namibe-Lubango, garantindo as condições de trabalho aos funcionários.

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