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Comuna do Hoque com novo mercado

Estanislau Costa| Lubango

A insegurança e falta de condições em que trabalham dezenas de vendedores do mercado informal na comuna do Hoque, município do Lubango, têm os dias contados com o arranque das obras de construção de um mercado moderno.
O mercado informal situado ao quilómetro 42 na Estrada Nacional que liga o Lubango ao Huambo, Benguela e Kuando-Kubango é ponto de encontro de milhares de pessoas, todos os dias, entre clientes e vendedores.

Para além de bancadas personalizadas é instalado equipamento para conservar os bens
Fotografia: Arimatéia Baptista| Huíla

A insegurança e falta de condições em que trabalham dezenas de vendedores do mercado informal na comuna do Hoque, município do Lubango, têm os dias contados com o arranque das obras de construção de um mercado moderno.
O mercado informal situado ao quilómetro 42 na Estrada Nacional que liga o Lubango ao Huambo, Benguela e Kuando-Kubango é ponto de encontro de milhares de pessoas, todos os dias, entre clientes e vendedores. Muitos viajantes fazem ali paragem para recompor o farnel, tomar refeições, ou fazer trocas comerciais entre os produtos do campo e da cidade. O comércio rural é facilitado pelas boas estradas que ligam os municípios e as províncias.
Os vendedores estão à espera do mercado porque no "quilómetro 42" trabalham à chuva e ao sol e não há as mínimas condições de higiene nem de armazenamento e conservação dos produtos.
O novo mercado público, em construção no "quilómetro 42", está a nascer com fundos do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, em curso em várias comunas e municípios da província da Huíla. A acção é uma iniciativa do Executivo e visa desenvolver as zonas mais recônditas.
As comunas do Hoque e da Huíla vão, nos próximos três meses, ter mercados modernos com todas as condições para desenvolver o comércio rural, dar comodidade aos vendedores e garantir a qualidade e conservação dos produtos.
Os mercados modernos estão projectados para mais de mil vendedores cada um e vão dispor de vedação para maior segurança e delimitar espaços, escritórios para a administração, instalações sanitárias e postos para a Polícia Nacional. A segunda fase da obra compreende a implantação das bancadas. As obras nos dois mercados estão orçadas em cerca de 22 milhões de Kwanzas e está igualmente prevista a construção de armazéns, estabelecimentos comerciais, parques de estacionamento e outros serviços. 
A chefe da repartição de Estudo e Planeamento da Administração Municipal do Lubango, Margarida Vahenguela, disse que "os vendedores vão ter boas condições para vender e conservar os seus produtos nas comunas do Hoque e da Huíla". "Os camponeses que têm dificuldade em escoar os produtos, vão contar agora com um espaço apropriado para promover e fomentar as trocas comerciais", afirmou. E garantiu que a partir de Julho os vendedores já não vão trabalhar nos novos espaços.

Mais segurança

Maria Capumo vende há nove anos no mercado do "quilómetro 42", legumes, galinhas e ovos. A sua afinidade com a comercialização de produtos do campo tem a ver com o facto de viver na comuna do Toco, uma zona muito próxima ao mercado.
Com a venda de alimentos, conseguiu formar os seis filhos nas universidades da Huíla e do Huambo: "não sei ler nem escrever. Mas tenho filhos formados e a trabalhar em gabinetes, a dar aulas e outros a construir casas, estradas e prédios". Maria Capumo vive sem os filhos e justifica as razões: "não tenho o hábito de viver na cidade por haver muito movimento de pessoas e viaturas e estar distante do verde das plantas, do lombi, da abóbora, das galinhas. Gosto do odor da terra e estar próximo dela. Assim duro mais". Com 79 anos, Maria Capumo continua a gostar de fazer os trabalhos no campo e da sua venda. Ela é tão competente que conquistou a confiança dos pequenos agricultores. Na época das safras eles seleccionam os melhores produtos para ela comercializar.
A velha comerciante considera um verdadeiro presente para todos os vendedores do mercado do "quilómetro 42", a construção de um mercado moderno com todas as condições: "já não vamos apanhar sol e os nossos produtos não vão apodrecer porque o mercado tem meios de conservação".
O Executivo, afirmou, "não mede esforços para solucionar os principais problemas da população das zonas rurais. Agora vamos ter um espaço apropriado e bom para trabalharmos em condições".
Anastácia Fernanda gosta da área definida para a construção do mercado porque oferece muita segurança aos vendedores, clientes e principalmente às crianças: "o actual sítio da praça deixa muito a desejar por estar muito próximo da nova estrada nacional". Há motoristas, explicou, que não respeitam as pessoas que frequentam o mercado: "como estamos ao lado da estrada eles passam com muita velocidade e isso é perigoso". Guarda recordações tristes de acidentes que além de causarem vítimas, destruíram barracas e haveres de muitos vendedores. "Vamos ter mais segurança e comodidade para fazer o nosso negócio".

Obras nas comunas

A construção de empreendimentos de impacto socioeconómico abrange várias comunas e municípios da província da Huíla. Parte dessas obras já foram consignadas aos empreiteiros, pelas administrações municipais.
O programa agendou a construção, no presente ano, de sedes das administrações, postos de saúde, casas para os professores, lares para idosos, escolas do primeiro ciclo, campos desportivos polivalentes e mercados.
Para a materialização do programa, o Executivo investiu, no primeiro trimestre, na província da Huíla, 7,5 milhões de Kwanzas em cada um dos 13 municípios. Os sectores das águas, energia eléctrica e agricultura constam igualmente do programa. Na avaliação dos primeiros três meses de trabalho, o vice-governador para o sector Económico da Huíla, Cunha Velho, considera razoável a execução dos projectos. Afirmou que as enxurradas e o mau estado das vias secundárias e terciárias, têm sido os principais obstáculos que dificultam os trabalhos. Quando as chuvas afrouxarem, disse, os trabalhos vão registar uma nova dinâmica. O vice-governador explicou que  o sector da Educação vai contar com 204 novas salas de projectadas para inserir 17 mil alunos nos três turnos, nos municípios. "Uma das apostas do programa consiste no aumento de salas para ampliar em cada ano lectivo o número de vagas".

Mais medicamentos

As unidades hospitalares dos municípios da província da Huíla, no quadro da materialização do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate a Pobreza foram contempladas com fundos para suprir as necessidades de medicamentos, material gastável e alimentos. Os dados estatísticos atestam que até ao momento, 30 milhões de Kwanzas foram disponibilizados pelo Governo Provincial para medicamentos e alimentos nos hospitais dos municípios. As verbas destinam-se também à manutenção dos meios, campanhas de vacinação e outros gastos.
           

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