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Confirmado regresso de animais ao Bicuar

João Luhaco | Lubango

As câmaras de vigilância introduzidas no interior dos parques nacionais do Bicuar,  Província da Huíla, e do Mupa, no Cunene, têm estado a registar o regresso de grandes manadas de animais ao seu habitat tradicional, informou ontem o administrador do Parque Nacional do Bicuar.

Visita das autoridades governamentais ao Parque Nacional do Bicuar na Huíla
Fotografia: Arimatéia Baptista| Edições Novembro|Lubango

José Maria Kandungo, que prestou esta informação à emissora provincial da Rádio Nacional de Angola na Huíla, disse que o regresso destes animais é fruto do trabalho de fiscalização e segurança   no interior  dos   parques. “Foram introduzidas algumas câmaras de vigilância no interior do Parque da  Mupa  e com o trabalho  que nós estamos  a fazer  no Parque Nacional do Bicuar, temos estado a encontrar  nos registos das filmagens grandes  manadas de palancas, leopardos, mabecos, javalis e outros animais", disse.
José Maria Kandungo informou que a aposta na formação de quadros e a sua inserção no contingente do efectivo fiscal e de segurança  criou estabilidade no Parque Nacional do Bicuar, assim como da melhoria das condições do abeberamento  e pasto seguro, que atrai os animais de todas as espécies tradicionais,  que fazem do parque uma marca.  O administrador do Parque Nacional do Bicuar pediu  a colaboração da população da região na melhoria e manutenção do  parque.
“Temos estado a fazer uma  gestão mais sustentável dos recursos humanos, introduzindo políticas, técnicas e muitas acções que visam a motivação dos efectivos, o que tem permitido melhorar o asseguramento do parque e a estabilidade da entrada dos animais”, explicou José Maria Kandungo, que acrescentou que alguns animais “são passageiros”, porque podem passar  no  local saídos dos parques nacionais do Buata-buata, de Mavinga,  e do Luiana, na Província do Cuando-Cubango, no processo de transumância  anual. “Alguns animais para irem ao parque nacional do Yona, na Província do  Namibe, têm que passar pelo parque da Mupa, no Cunene.”  José Maria Kandungo disse  que o Ministério do Ambiente está a dinamizar estratégias  de interacção entre os parques nacionais e atrair a atenção dos estudantes para a vertente de investigação: “Temos estado a interagir com a Administração do Cuvelai, na Província do  Cunene, particularmente com a administradora, para se introduzir novo pessoal no Parque Nacional da Mupa."  
Ainda de acordo com José Maria Kandungo, em função do efectivo que ainda não foi  inserido no Parque Nacional da Mupa, os fiscais do Bicuar têm estado a dar  resposta, a partir  da entrada do Mulondo  e do Xangongo, um trabalho que, com a ajuda das câmaras de vigilância introduzidas, tem dado muitos êxitos na localização dos animais.  

O início do Bicuar
Reja a história que no início da década de 1930 a região da Huíla era onde se podia ver mais espécies de animais selvagens e manadas com maior número.
Por esta razão, a área sofreu bastante com a caça intensa e descontrolada, o que resultou numa redução drástica do número de animais.
De forma a controlar a caça e torná-la mais sustentável, foram tomadas algumas medidas a nível legislativo. Assim, o Bicuar foi declarado, numa primeira fase, Reserva de Caça, e, posteriormente, foi elevado à condição de Parque Nacional, categoria que mantém até hoje.  O Parque Nacional do Bicuar encontra-se a 165 quilómetros da cidade de Lubango, na Província da Huíla, numa extensão de 790.000 hectares.

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