Províncias

Cooperativa "Aurora Impulo" combate a pobreza

Arão Martins| Quilengues

Pelo menos 1.700 camponeses estão desde Fevereiro a ser integrados em projectos de cultivo de massango, massambala, batata, alho e milho pela Cooperativa Agro-Pecuária Aurora Impulo, no município de Quilengues.

Equipamentos estão disponíveis para acelerar a produção no projecto que integra camponeses
Fotografia: Arimateia Baptista| Quilengues

Segundo revelou ao Jornal de Angola o vice-presidente da Cooperativa, Almeida Pinho, o projecto de integração dos camponeses na produção de cereais permite aumentar os seus rendimentos e ajuda a combater a fome e a pobreza.
Almeida Pinho explicou que para o sucesso do programa de combate à pobreza a Cooperativa, formada por 200 agricultores, trabalha com a Administração Municipal de Quilengues na identificação dos camponeses individuais e associados.
A empresa agro-industrial tem financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) que disponibilizou 13 milhões de dólares, disse Almeida Pinho, acrescentando que parte significativa dos agricultores já começou a desenvolver a sua actividade.
A primeira parte do financiamento do BDA serviu para aquisição de equipamentos agrícolas, tractores e alfaias, charruas, atrelados, sistemas de rega de ponta, motobombas e outros meios. Alguns jovens locais estão a ser treinados pela Cooperativa Aurora Impulo para operarem os equipamentos, num esforço que conta com a colaboração da Administração Municipal de Quilengues.
“Numa primeira fase, vamos produzir milho, massambala, massango, bata rena, cebola e alho. Depois da efectiva implantação de todos os associados no município de Quilengues, passamos à industrialização”, referiu Almeida Pinho, sublinhando que a Cooperativa está a trabalhar em 3.800 hectares de terra, dos 15 mil previstos. Os restantes hectares estão em preparação.
O vice-presidente da Cooperativa especificou que 80 por cento do total de área cultivável é destinado à produção de milho, feijão, massango e massambala e os outros 20 por cento para batata, cebola e alho.
Sobre a industrialização, Almeida Pinho indicou que o programa prevê a montagem de fábricas de óleo alimentar, sabão, sumos, concentrados de tomate e um matadouro para bovinos, caprinos e suínos e para o aproveitamento de curtumes.
Na sua segunda fase, a cooperativa, constituída por 41 fazendas, prevê dar emprego a 11 mil pessoas. “Queremos ver concretizado o projecto agro-indústria, dar emprego a 11 mil pessoas e fazer de Quilengues uma zona franca”, disse Almeida Pinho, que anunciou na reabilitação de cerca de 100 quilómetros de estrada interligando as várias fazendas.
A cooperativa vai também desenvolver um programa de comércio rural centrado na permuta de produtos por animais. “O proprietário da galinha, cabrito, porco, cabrito ou boi, ao optar pela permuta, recebe o preço real”, disse Almeida Pinho, assegurando que a cooperativa tem como meta o fornecimento de produtos agrícolas e industriais ao mercado nacional. “Hoje estamos a receber bastante cebola, óleo e batata sul-africana. Vamos apostar e trabalhar seriamente para a redução de tais importações”, prometeu Almeida Pinho.
O governador provincial da Huíla, João Tyipinge, visitou na semana passada a Cooperativa Agro-Pecuária Aurora Impulo e manifestou “total disponibilidade” das autoridades, classificando o empreendimento como um valioso contributo ao Executivo no combate à fome e pobreza.
Quanto ao abastecimento de água, Almeida Pinho sublinhou haver alternativas para o tempo seco. Todas as fazendas integrantes do projecto dispõem de quatro a seis furos de água para a produção agrícola. “Vamos apoiar e incentivar a abertura de mais furos e criar grandes áreas agrícolas para que o combate à fome e à pobreza seja um facto”, disse.
A regularidade das chuvas em Quilengues está a facilitar significativamente a produção agrícola e o desenvolvimento do projecto. A Cooperativa conta com engenheiros agrónomos, veterinários e outros técnicos nacionais.
Nesta fase de implantação conta com a colaboração de equipas estrangeiras que a ensinam a produzir cereais.

Tempo

Multimédia