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Crédito agrícola começa a ser entregue

André Amaro | Lubango

As famílias camponesas do país começam a beneficiar, a partir deste mês, de créditos bonificados até cinco mil dólares para que possam melhorar e aumentar a produção agrícola durante esta campanha.

Projecto agrícola tem como um dos objectivos combater a fome e reduzir a pobreza na zona rural e não só
Fotografia: Pedro Miguel

As famílias camponesas do país começam a beneficiar, a partir deste mês, de créditos bonificados até cinco mil dólares para que possam melhorar e aumentar a produção agrícola durante esta campanha.
A garantia foi dada na sexta-feira, na cidade do Lubango, pelo director-geral adjunto do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Miguel Pereira, durante um seminário que pretendeu esclarecer as modalidades de acesso ao “crédito campanha”.
Miguel Pereira informou que o Executivo angolano, em parceria com alguns bancos, tem disponíveis 150 milhões de dólares para conceder créditos às famílias camponesas a nível nacional.
Este projecto é dirigido pelo Ministério de Estado para Coordenação Económica e integra ainda os ministérios das Finanças, Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e o Banco de Desenvolvimento Angola (BDA).
Com o objectivo de combater a fome e reduzir a pobreza, o projecto vai contar com a parceria do Banco de Poupança e Crédito (BPC), Banco de Comércio e Indústria (BCI), Banco Sol e Banco Africano de Investimento (BAI).
Esta actividade, que visa informar como os camponeses podem ter acesso ao crédito, já foi também realizada nas províncias de Benguela, Moxico, Malange, Benguela, Huambo, Kwanza-Sul e Bié.
O seminário foi orientado pelo assessor do ministro de Estado da Coordenação Económica, José Bento, que explicou que o crédito de campanha é um pacote aprovado pelo decreto executivo conjunto nº 16/10, de 14 de Abril de 2010.
José Bento esclareceu que o regulamento do crédito agrícola prevê que cada município constitua um comité local de pilotagem, composto pelo administrador municipal, autoridades tradicionais e entidades religiosas com reconhecimento moral na comunidade. Este comité terá a missão de averiguar as condições dos candidatos, analisar a sua responsabilidade no trabalho, com vista a elaborar uma relação nominal a ser encaminhada para o governador provincial, a quem caberá o direito de dar o aval aos bancos.
Cada beneficiário vai receber o equivalente a cinco mil dólares, em moeda nacional, valores que serão reembolsados num período de dez meses. Para tal, o candidato ao crédito deverá apresentar ao banco uma factura pró-forma dos meios de que necessita para produzir.
Os camponeses vão pagar uma taxa de juro de cinco por cento e o Estado vai cobrir os outros 15 por cento, assim como responsabilizar-se pelos riscos que podem originar desta actividade.
Para o êxito do programa, os camponeses vão contar com o apoio de técnicos da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), da União Nacional de Camponeses de Angola (UNACA), administrações municipais, entre outros.
Quanto à questão do escoamento e comercialização dos produtos, José Bento adiantou que está em curso um vasto programa de reabilitação das estradas inter-provinciais, municipais e comunais, de ampliação da rede do PRESILD e Nosso Super e da activação das compras institucionais para absorção da produção e criação de indústrias transformadoras.
 
Satisfação 

Manuel Severino, camponês do município da Chibia, disse que este crédito é bem-vindo, uma vez que vai ajudar a melhorar as condições produtivas das famílias e combater a fome e a pobreza. Para ele, o principal problema que os camponeses atravessam tem a ver com a comercialização dos produtos, porque o mercado nem sempre tem capacidade para absorver toda a produção.
Disse ainda que a falta de silos para armazenagem da produção é outra das dificuldades com que se deparam, pois, muitas vezes, os produtos acabam por se deteriorar devido à enixistência de espaço.
O secretário da União Nacional de Camponeses de Angola na Huíla, Emídio Diakalunga, considerou a iniciativa louvável porque vai estimular a produção em grande escala e melhorar as condições das famílias.
Emídio Diakalunga sugere o aumento do valor aprovado para permitir que o camponês adquira uma pequena moto-bomba, gado de tracção e para gratificar a mão-de-obra contratada.

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