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Crédito agrícola reanima produção

Estanislau Costa| Lubango

Os pequenos e grandes agricultores dos municípios da Matala e Chibia, na província da Huíla, estão mais animados em lavrar a terra e alargar os espaços para o aumento da produção, com o reforço de meios agrícolas proporcionados pelo crédito de campanha, criado pelo Executivo.

Cedência de crédito aos agricultores da província da Huíla está a criar facilidades aos produtores da Chibia e Matala
Fotografia: Estanislau Costa

Os pequenos e grandes agricultores dos municípios da Matala e Chibia, na província da Huíla, estão mais animados em lavrar a terra e alargar os espaços para o aumento da produção, com o reforço de meios agrícolas proporcionados pelo crédito de campanha, criado pelo Executivo.
Na imensidão dos campos de lavoura da comuna do Micossi, nos arredores do município da Matala, começa a aparecer o amarelado de maçarocas prontas para serem colhidas brevemente.
O envolvimento de um número considerável de camponeses, entre desmobilizados e respectivas famílias, deslocados, pessoas sem ocupação, bem como a distribuição de terrenos férteis para o cultivo, permitiram o aumento dos espaços de produção e perspectivar colheitas animadoras.
Os pequenos agricultores, regozijados com a regularidade das chuvas registadas na presente campanha agrícola, estão entusiasmados com a aproximação da época das safras de cereais, como o milho, massango e massambala.
Os produtores já têm até certeza no aumento de excedentes. É o que diz dona Angelina Kamati, agricultora, residente no bairro Kandjakite, circunscrição da comuna do Micossi. Na segunda época da campanha agrícola, iniciada em Fevereiro, cultivou em quatro hectares enormes quantidades de milho, massambala, feijão, batata-doce e abóbora.
Dona Angelina integra a cooperativa "Sanjuka", que possui 88 membros, sendo que as mulheres são em maior número. Esta agremiação tem regularmente auscultado os problemas de cada produtor, buscando as melhores soluções para estas queixas, assim como envida esforços para captar financiamentos, instrumentos de trabalho, fertilizantes e outros apoios.
A mecanização agrícola, gado para tracção animal, charruas, lavrar e analisar a qualidade dos solos figuram também do leque de actividades da cooperativa. No entanto, o dinamismo e árduo trabalho da cooperativa impulsionam e melhoram a agricultura e a expansão anual dos campos de cultivo.
Angelina Kamati explicou que o desenvolvimento dos produtores de Kandjakite tem a ver com os novos acordos firmados entre a cooperativa "Sanjuka" e os bancos comerciais que administram os fundos do Crédito de Campanha, disponibilizados pelo Executivo.
"Com o crédito recebemos o gado para tracção animal, charruas, enxadas, sementes diversas e adubos para cultivar e reactivar os campos abandonados por falta de meios de trabalho, sementes e fertilizantes", disse.
Dona Kamati foi contemplada com bens equivalentes a cinco mil dólares. Contou que teve muitas dificuldades quando não pertencia a uma cooperativa e nem beneficiava de créditos agrícolas.
Ela conta que a falta de recursos financeiros e materiais impedia a lavoura nos quatro hectares que possui e tempos houve em que era obrigada a trabalhar com muitas dificuldades em dois hectares, por falta de sementes. As dificuldades de Angelina Kamati, 47 anos, foram solucionadas com a integração na referida cooperativa.
Agora diz não se preocupar tanto em arranjar sementes, tracção animal ou tractores para lavrar a terra, pois o programa de concessão de créditos a agricultores resolveu este problema.
Além de facilitar a aquisição de bens, a agricultora afirma que o crédito de campanha está a contribuir para que ela possa dar igualmente emprego a mais de 30 pessoas, entre familiares.
Angelina assegura que o reembolso do financiamento não está comprometido, uma vez que, nesta altura, há boa produção e perspectivam-se óptimas colheitas.

Centenas de contemplados

Os três bancos comerciais, Banco de Poupança e Crédito (BPC), Banco Sol e Banco de Comércio e Indústria (BCI), que executam as acções relacionadas com o crédito de campanha no município da Matala, localidade que dista  220 quilómetros a leste da cidade do Lubango, já contemplaram mais de 460 agricultores, filiados em sete cooperativas e uma associação.
De acordo com dados da administração municipal da Matala, os montantes disponibilizados até ao momento rondam os 108,7 milhões de kwanzas.
Por exemplo, segundo as informações da administração, só o BPC, que já efectuou um investimento de 40 milhões de kwanzas, prevê atingir cerca de 128 milhões de kwanzas.
Os fornecedores de produtos agrícolas entregaram aos camponeses filiados em diversas associações do município da Matala, 77 toneladas de adubo e amónio, cerca de 430 latas de sementes de hortaliças, como cebola, repolho, couve e tomate, e 13 toneladas de feijão e ginguba.
Para fomentar o cultivo da batata rena, no seio dos pequenos e grandes agricultores, o crédito de campanha  agrícola proporcionou um total de 186.160 quilos de sementes do tubérculo.
Os contemplados da referida acção, além dos campos de sequeiros, exploram agora os hectares de terras irrigadas pelo canal da barragem da Matala.

Escoamento regista melhorias

O relatório da administração municipal da Matala atesta ainda que os agricultores receberam 1.017 cabeças de gado de tracção, 584 charruas, 79 motobombas para alternar com os meios mecanizados, para alargar a irrigação dos campos cultivados, principalmente aqueles que se encontram distantes do perímetro  acima citado.
Os executores do programa financiaram o desmatamento de 113 hectares de terras para o cultivo em vários pontos do município. Esta acção visou facilitar a preparação de campos de lavoura virgens e aumentar cada vez mais os espaços destinados à produção agrícola.
O escoamento dos produtos dos camponeses que habitam nas zonas mais recônditas está a ser melhorado, uma vez que os agricultores receberam 60 carroças, facto que alivia a actividade dos membros das várias cooperativas. Apesar desta quantidade de carroças, o Jornal de Angola apurou que a realização do Programa Crédito de Campanha na Matala se confronta ainda com algumas dificuldades relacionadas com a incapacidade dos fornecedores, tendo em conta que há falta deste tipo de carretas, gado de tracção animal e outros bens a nível do mercado local.

Mais municípios beneficiados

O Banco Sol já disponibilizou um total de 72 milhões de kwanzas nos últimos quatro meses, na província da Huíla, para apoiar oito cooperativas agrícolas, no âmbito da execução do Programa Crédito de Campanha, que está a dar maior impulso à actividade dos agricultores da região.
O técnico do programa, Moisés Osório, disse que o referido montante é representado em instrumentos de trabalho, sementes diversas, fertilizantes, gado de tracção animal e outros meios indispensáveis à actividade agrícola, entregues às cooperativas da Chibia, Quipungo e Matala.
Condições estão a ser criadas para que atinja também os municípios da Humpata, Jamba, Chipindo e Gambos. Importa realçar que a acção do Banco Sol, realizada no município da Chibia, situado 45 quilómetros a sul da cidade do Lubango, abrangeu 120 agricultores filiados em associações agrícolas.
A maioria dos beneficiários está a explorar os hectares de terras localizadas ao longo do perímetro irrigado das Gangelas, remodelado, há dois anos, no âmbito da parceria entre os Governos de Angola e da China.
A actividade dos camponeses está reforçada com a distribuição de sementes, alfaias agrícolas, fertilizantes e gado de tracção animal.
 Francisco Macedo, da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), na Chibia, fez saber que o lote de bens entregues é também composto por charruas, moagens, motobombas, carros de mão, pulverizadores e insecticidas.
A responsável da área técnica da Sociedade Gestora do Perímetro Irrigado das Gangelas (SOGANGELAS), Josefa Silva, considerou o programa de benéfico por reforçar a capacidade dos produtores com equipamentos, sementes e instrumentos de trabalho, razão para o aumento da produção e dos espaços de cultivo.
O perímetro irrigado das Gangelas possui 6.220 hectares de terras cultiváveis e um canal de irrigação capaz de banhar cerca de 1.520 hectares. Os lotes de terras foram redimensionados, o que permitiu abranger 77 beneficiários, repartidos em 39 agricultores, 20 jovens e 18 camponeses, que empregam outros 200 trabalhadores.
Os resultados da actividade dos agricultores já são visíveis. Até aqui foram plantadas 26.874 laranjeiras, 2.626 mangueiras, 3.632 tangerineiras, 1.064 goiabeiras e 1.019 limoeiros, numa área de 74 hectares.
Os produtores esperam mais acções, com vista a melhoria das suas condiçoes de trabalho.

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