Províncias

Criadores tradicionais de gado bovino aderem às campanhas de vacinação

Domingos Mucuta e João Katumbela |Kuvango

A prevenção do gado bovino contra pestes começou, esta semana, no município do Kuvango, na Huíla, com o lançamento da campanha de vacinação alargada na época 2010, que prevê, durante três meses, imunizar perto de 10 mil cabeças.

Durante três meses os técnicos veterinários prevêem vacinar mais de dez mil cabeças de gado na província da Huíla
Fotografia: Arimateia Baptista

A prevenção do gado bovino contra pestes começou, esta semana, no município do Kuvango, na Huíla, com o lançamento da campanha de vacinação alargada na época 2010, que prevê, durante três meses, imunizar perto de 10 mil cabeças.
A abertura da campanha, realizada no bairro Kuando, arredores do Kuvango, foi marcada pela adesão de criadores tradicionais e fazendeiros, que começaram a levar os animais às mangas de vacinação.
Os serviços veterinários do município garantiram que estão criadas as condições técnicas e materiais para o sucesso da campanha, estando disponíveis seis mil doses de vacinas contra sarna, carbúnculo hemático, dermatite nodular e outras doenças.
O técnico veterinário da secção municipal do Kuvango, Lote Guvo, assegurou que as brigadas de vacinação estão também mobilizadas para que o processo abranja todas as comunas e aldeias da municipalidade, tendo em vista o alcance da cifra preconizada.
O veterinário Lote Guvo sublinhou que, doravante, a vacinação vai ser periódica, porque “ela traz benefícios em termos de crescimento do gado bovino”.
“Temos doses suficientes para esta empreitada. A nossa meta este ano é atingir o maior número possível de animais, para preveni-los contra as doenças que impedem o seu desenvolvimento saudável”, disse Lote Guvo.
Assistiram a cerimónia do lançamento da campanha o administrador municipal, João Hilifilua, membros da administração municipal, responsáveis da Estação de Desenvolvimento Agrário e autoridades tradicionais.
A preparação dos mais de 25 mil hectares planificados para a presente campanha agrícola vai ser conseguida graças ao uso de animais, explica um técnico da secção municipal da Agricultura e Desenvolvimento Rural.
O gado bovino é um factor importante na actividade agrícola, sublinhou o soba do bairro Kuando, Pascoal Kambinda.
Por esta razão, a autoridade tradicional garantiu à nossa reportagem que vai sensibilizar mais criadores para “quebrarem o cepticismo” sobre as vacinas. A ideia é convencer sobretudo os criadores tradicionais que se recusam a levar o gado às mangas de vacinação. “Muitos criadores pensam ainda que estas vacinas matam o boi. Isso não é verdade, aliás, se fosse assim o Governo não levaria adiante este projecto. Vamos continuar a mobilização dos outros, porque o gado precisa estar com saúde para nos ajudar na agricultura”, afirmou. Pascoal Kambinda disse que os criadores de gado que aderem sempre às vacinas estão satisfeitos com os resultados, pelo facto de os seus animais ficarem imunes de certas doenças que dizimaram muitos bois na região.
O criador Filizardo Mbinda exteriorizou a sua alegria por este ano acontecer mais uma vez a campanha de vacinação no município. Proprietário de mil cabeças de gado bovino e 10 de caprino, Filizardo Mbinda prometeu colaborar com as equipas de vacinadores.
Explicou que o uso do gado na agricultura só é possível com dois bois do mesmo tamanho, aos quais se acopla uma charrua, com o objectivo de desbravar a terra.
A nossa reportagem apurou que quase 18 mil hectares recebem a plantação de milho.
A outra parcela está a receber outras culturas, como feijão, gergelim, batata-doce, massango, massambala, mandioca, ginguba, gengibre e hortícolas.
A presente campanha agrícola envolve, em toda a extensão do município, 700 famílias, que receberam pequenos hectares.
João Hilifilua confirma a entrega de charruas, catanas e enxadas, assim como sementes de milho e fertilizantes, no âmbito do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR).
“O Governo incentiva a prática da agricultura com a distribuição de ferramentas. O objectivo é estimular a produção, para garantir a auto-suficiência alimentar das famílias”, salientou.
O clima e as potencialidades hídricas do município favorecem, igualmente, o cultivo de hortícolas diversas, trigo e arroz, girassol, amendoim e batata-rena, mas, por escassez de sementes, a sua lavoura continua comprometida.

Tempo

Multimédia