Províncias

Crianças da Huíla voltam às famílias

Arão Martins| Lubango

Um total de 46 crianças e adolescentes dos municípios do Lubango e Chibia que foram levadas para trabalhos em fazendas do Namibe, regressaram ao convívio familiar depois de uma intervenção bem sucedida das autoridades.

As crianças são levadas para a província do Namibe para trabalharem nas fazendas
Fotografia: Arão Martins| Lubango

Um total de 46 crianças e adolescentes dos municípios do Lubango e Chibia que foram levadas para trabalhos em fazendas do Namibe, regressaram ao convívio familiar depois de uma intervenção bem sucedida das autoridades.
A directora provincial da Assistência e Reinserção Social da Huíla, Catarina Manuel, informou ontem que as crianças, na sua maioria do sexo feminino, tinham sido transportadas ilegalmente para o Namibe por Mário José Mutango Chivanda.
O motorista que transportou as crianças com idades compreendidas entre os dez e 18 anos, já foi entregue aos órgãos da Justiça.
A directora do MINARS referiu que as crianças são das localidades de Camuviú e Capunda Cavilongo, município da Chibia, e da comuna da Huíla, no Lubango.
As crianças e adolescentes iam trabalhar na fazenda “Calojamba”, que é propriedade de Avelino Ernesto.
Mas, graças aos esforços das autoridades policiais, em conjunto com o MINARS, INAC, MAPESS, Departamento de Delinquência Juvenil e a Administração Municipal da Chibia, explica a directora Catarina Manuel, a restituição das crianças foi possível.
Este foi o primeiro caso que chegou ao conhecimento da Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social da Huíla, mas as autoridades da província e as autoridades do Namibe estão a trabalhar para esclarecer melhor a ocorrência. Sampaio Júnior, 13 anos, é uma das crianças restituídas à família. Explicou que tem sido frequente que crianças do município da Chibia sejam levadas para o Namibe, para trabalhar.
Natural da localidade de Camuviú, o adolescente referiu que os trabalhos se baseiam no cuidado de animais, rega e tratamento de planas dos fazendeiros.
O administrador adjunto da Chibia, Nelson dos Santos, denunciou que tem havido outras ocorrências do género no município.
Precisou que, em finais do ano passado, as autoridades administrativas e policiais da Chibia actuaram numa situação similar: “foi um caso de crianças aliciadas para trabalharem em Luanda”. As autoridades vão reforçar a sensibilização das comunidades por intermédio das autoridades tradicionais, para que situações do género não voltem a acontecer.
Referiu que, por existir no município uma população r pouco informada, sobretudo no meio rural, muitas famílias ficam expostas a actos criminosos. As autoridades administrativas da Chibia vão igualmente trabalhar, em conjunto com outras forças da sociedade, no sentido de saber se existem mais crianças na situação de trabalho infantil.

Tempo

Multimédia