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Crianças deixam de estudar debaixo da Muphanda

Domingos Mucuta | Quipungo

As sombras da árvore Muphanda, que serviam de salas de aulas, acolheram a cerimónia de inauguração de uma nova escola, de seis salas, construída na localidade de Chicungo, no município de Quipungo, na Huíla.

Muitos técnicos da província aprenderam a ler e a escrever debaixo desta árvore
Fotografia: Domingos Mucuta |Quipungo

As sombras da árvore Muphanda, que serviam de salas de aulas, acolheram a cerimónia de inauguração de uma nova escola, de seis salas, construída na localidade de Chicungo, no município de Quipungo, na Huíla.
A utilidade da frondosa árvore, que durante vários anos lectivos serviu de escola, fica para o passado, porque a comunidade deixa de ter de a usar como alternativa, para que as crianças possam aprender a ler e a escrever.
A árvore, que acolhe as entidades governamentais, autoridades tradicionais e outras pessoas que assistem à inauguração da nova escola, está integrada no recinto da unidade escolar, orçada em 22 milhões de dólares, à luz do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.
A Muphanda e as duas salas construídas com materiais locais passam para a galeria histórica da Escola primária 19, por decisão da comunidade, dos responsáveis administrativos e do sector da Educação da localidade de Chicungo.
“Esta planta conhece literalmente o currículo académico de muitas pessoas, que hoje estão inseridas nos ensinos médio e superior, algures na província da Huíla e no país”, disse a professora Rosa Fátima, à reportagem do Jornal de Angola.
Colocada em Chigungo em 2008, relata que, quando chegou à aldeia, as salas encontradas eram as sombras das árvores. Depois, as condições evoluíram para uma pequena escola construída de pau a pique, com a ajuda da comunidade.
A professora da 5ª classe, que participou na construção de uma escola de adobe, manifesta satisfação ao ver a infra-estrutura pintada com as cores da República, enquanto recorda que ministrar aulas ao ar livre limitava o processo de ensino e aprendizagem, porque os professores eram obrigados a cancelar as aulas sempre que chovia.
“A assimilação dos alunos era razoável, porque quando chovia dispensávamos os alunos, muitas vezes por uma ou duas semanas”, enfatizou.

Aumento de alunos

Francisca Nangombe, 16 anos, sempre estudou à sombra de árvores, mas, este ano lectivo, tal como os dois mil alunos que ingressam pela primeira vez no sistema de ensino, vai poder prosseguir os seus estudos em salas confortáveis, de construção definitiva, na sequência da aposta da Administração Municipal e do sector da Educação. A aluna da 6ª classe quer esquecer o sofrimento dos últimos anos, em que teve de se sentar em troncos para assistir às aulas debaixo da Muphanda, agora transformada em lugar de arrecadação.
Francisca Nangombe e a sua vizinha Teresa Fernando, 12 anos, estão felizes por este ano poderem estudar em salas confortáveis.

Arranque do ano lectivo

O ano lectivo 2012 arranca com mais de 51 mil alunos inseridos no sistema de ensino geral, da primeira à nona classe. A revelação foi feita pelo responsável da repartição municipal da Educação de Quipungo, Domingos Artur, acrescentando que no ano transacto foram matriculados 48 mil alunos.
O governador da Huíla, Isaac dos Anjos, inaugurou, na semana passada, três escolas no referido município, durante as comemorações alusivas ao Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional. As novas escolas foram financiadas pelo Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.
O responsável da repartição municipal da Educação informou que o sector conta, actualmente, com 191 unidades escolares. Domingos Artur acrescentou que o processo de ensino e aprendizagem é garantido por 1.250 professores.

Água para todos

O soba grande do sector do Sendy, António Civinga, que agradeceu a construção da escola na localidade de Chicungo, frisou que o empreendimento renova a esperança de dias melhores, em todas as vertentes. Mas o município tem mais um motivo para estar contente. A água potável vai jorrar nas torneiras das casas de várias famílias da sede municipal de Quipungo, depois da conclusão, em cinco meses, das obras de instalação do sistema de captação e distribuição. O director provincial da Energia e Águas, Abel da Costa, explicou que o novo sistema de captação e distribuição de água de Quipungo, orçado em mais de 90 milhões de kwanzas, está projectado para bombear 45 mil litros por hora.
O projecto, que prevê abastecer 12 mil habitantes, contempla a instalação e reabilitação da rede de distribuição, numa extensão de sete quilómetros.
“Este é um sistema de água nunca visto aqui no município. É uma aposta do governo para aproveitamento da albufeira subterrânea, para minimizar as dificuldades da população”, disse a administradora do município do Quipungo, Fernanda Ukali.

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