Províncias

Cristo Rei é ponto de atracção no Lubango

Estanislau Costa | Lubango

A cordilheira da Chela, um verdadeiro escudo natural da cidade do Lubango que impede a entrada dos fortes ventos provenientes do deserto do Namibe, é local de atracção turística por ter o monumento do Cristo Rei e a Tundavala.

O Cristo Rei salta à vista de quem chega à capital da Huíla e o monumento foi erguido na década de 60 por uma colónia de madeirenses
Fotografia: André Amaro|Lubango

 
A cordilheira da Chela, um verdadeiro escudo natural da cidade do Lubango que impede a entrada dos fortes ventos provenientes do deserto do Namibe, é local de atracção turística por ter o monumento do Cristo Rei e a Tundavala.
O Cristo Rei salta à vista de quem chega à capital da Huíla e o monumento foi erguido na década de 60 pela colónia de madeirenses que um dia subiram do deserto até à serra. O tempo arruinou a escultura, que apresenta várias partes corroídas pelo vento.
Há três anos, o Governo Provincial da Huíla investiu na reparação completa das estruturas que compõe o acervo turístico do Cristo Rei. Foi reposta a vedação, a iluminação, a pavimentação do pátio, o altar e foi tudo pintado.
Um técnico de construção civil que participou na empreitada explicou ao Jornal de Angola que as obras efectuadas há quatro anos incidiram na pintura do recinto, pavimentação com ladrilhos apropriados, colocação de vidros e portões, construção dum pequeno altar e outros arranjos.
O conserto da estátua vai necessitar de perícia por causa da complexidade das partes da estátua degradadas. “O nariz, dedos, vestes e outras partes sensíveis corroídas pela erosão devem ser consertados por técnicos especializados em preservação de monumentos”, disse.
As melhorias efectuadas no local implicam outras mudanças, entre elas a constituição de uma equipa para gerir o complexo turístico. No futuro vai ser cobrada uma taxa para o acesso ao local e os fundos gerados são aplicados nas obras de manutenção e outros encargos.
Actualmente, ninguém resiste ao fascínio do local. À noite, as atenções são atraídas por uma intensa luz brilhante vinda do alto do morro que dá a sensação de que Cristo, como prometera, está de volta, e o Lubango tem o privilégio de ser a cidade escolhida para receber o Messias.

Explosão de visitantes

A reabilitação do local com fundos do Governo Provincial da Huíla, em 2006, e as obras na estrada de acesso para facilitar a circulação de veículos, tornaram aquele local turístico num dos mais frequentados pelos turistas nacionais e estrangeiros.
Daí muita gente dizer que “quem vem ao Lubango e não visita o monumento do Cristo Rei com a prova de uma fotografia é melhor ficar calado”. A jovem Altina Ananás, residente no Lubango há 28 anos, exibe 277 fotos tiradas de cada vez que visitou o monumento.
“Desde que vivo no Lubango, já posso afirmar que visitei o Cristo Rei 277 vezes. Sempre que nos deslocamos à serra da Chela para desfrutar das maravilhas da área, levamos uma máquina fotográfica para registar os magníficos momentos ali passados”, afirmou.
Altina Ananás conta que na década de 90 era difícil adquirir uma máquina fotográfica porque eram equipamentos caros e escasseavam no mercado e poucos sabiam manuseá-las.Assim, quando não havia ninguém para fotografar, dispensávamos visitar o Cristo Rei, porque ficaríamos sem recordações para confirmar a nossa passagem pela estátua”, disse.
Carlota Gonçalves e as filhas frequentam o local na véspera das festas de Cristo Rei. “Percorremos a pé os mais de seis quilómetros para chegar ao cume do monumento e rezamos pela prosperidade da família, bom trabalho dos governantes e desenvolvimento do país”, afirmou.
Carlota Gonçalves explicou que a festa do Cristo Rei na igreja se assinala em Novembro de cada ano. “Os crentes do Lubango acomodam visitantes de várias partes do país que fazem tudo para participar na missa no local e de outras actividades preparadas pela Igreja”.
No presente ano, visitaram a província da Huíla mais de 15 mil turistas nacionais e estrangeiros por ocasião das festas do Cristo Rei.
 Os dados estatísticos da Direcção de Hotelaria e Turismo da Huíla atestam que as pessoas se deslocaram ao Lubango para férias e lazer, prospecção de mercado e estabelecer novas parcerias nos negócios. O clima ameno da Huíla trouxe também à província pessoas com a saúde frágil e em convalescença.
O aumento considerável de turistas na província, particularmente na cidade do Lubango, tem a ver com as melhorias registadas nas estradas, fruto das obras de reconstrução em curso e da regularidade dos voos das companhias áreas, com destaque para a TAAG.
A construção, reparação e ampliação das unidades hoteleiras é igualmente apontado como um dos factores que chamaram turistas. O aumento de camas no Lubango está a chamar mais turistas.
 
Origem da estátua
 
Os filhos desta Angola que pouco ou nada sabem sobre os belos cantos e recantos do Lubango, de certeza já ouviram falar do Cristo Rei. E o exagero, neste tipo de fragmentos informativos, não é posto de parte. Importa referir que o monumento está projectado no cimo do monte da Chela.
Tem uma altura de 14 metros e foi construído em 1966, pela então Câmara Municipal de Sá da Bandeira. O Cristo Rei é a única escultura do tipo no país, e no mundo só existe o Cristo do Rei do Corcovado (Rio de Janeiro) e o Cristo Rei de Almada (Portugal) que é praticamente uma réplica do que está no Lubango.
A sua construção, rezam os escritos, não teve cunho religioso. A imaginação do engenheiro Carlos Sardinha, de nacionalidade portuguesa, influenciado pelas peças existentes no Rio de Janeiro e Almada, contribuiu para a projecção do monumento aqui na cidade do Lubango.
A edificação da obra era impossível se a mãe natureza tivesse esquecido criar estas paragens uma cadeia de montanhas.
 As obras de construção duraram dois anos. Há quem afirme que a edificação da estátua começou em 1963 e foi concluída em 1968. Mas, apesar das divergências de datas, o mais importante é que o monumento está ali, imponente e com uma grande carga cultural e religiosa.
Após o termo das obras, o monumento passou a ser um ponto privilegiado dos religiosos. Hoje, a estátua do Cristo Rei ostenta o emblema de património cultural do país, daí a necessidade de merecer a atenção especial de todos nós.
 
Faltam restaurantes
 
O presidente do Clube de Turismo na Huíla, Agostinho João, defende a criação no espaço à volta do Cristo Rei de vários restaurantes, estabelecimentos comerciais, espaços culturais e de recreio, para diversificar a prestação de serviços e proporcionar aos turistas novos motivos de atracção.
“É preciso moldar o espaço com outros atractivos para levar mais gente ao alto do monte”, disse, acrescentando que quando se concretizarem todos os projectos vai ser uma mais valia para os visitantes e para o Estado, porque ficam criadas as condições para dar emprego aos jovens e arrecadar fundos para os cofres do Estado.

Tempo

Multimédia