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Cultivo de morangos aumenta na fazenda Jamba

Estasnilau Costa | Humpata

A produção de morangos nas terras aráveis da Fazenda Jamba, município da Humpata, 18 quilómetros a oeste da cidade do Lubango, província da Huíla, registou um aumento considerável, fruto da utilização de sistemas e­ficazes ao controlo da humidade, temperatura e fertilizantes.

O actual equipamento tecnológico alimenta as plantas com nutrientes em condições para que o morango atinja uma boa espessura
Fotografia: Arimateia Baptista

As colheitas diárias nos quatro hectares de terras destinados a lavoura de morangos passaram de mil para mais de três mil quilos.
Esta performance favorece o escoamento da fruta, além do Lubango, para os mercados do Namibe, Benguela, Huambo e Luanda.
O sócio gerente da Fazenda Jamba, Yudo Borges, disse que toda área de cultivo da fruta em referência é geralmente coberta por estufas e plásticos no solo que protegem as plantas da invasão de pragas. “Já não dependemos de sol ou humidade normal para produzirmos”.
Explicou que o sistema de rega gota-a-gota, instalado em todo espaço produtivo, oferece indicadores necessários sobre a quantidade de á­gua, evita o desperdício e permite desenvolver a produção de acordo com o estabelecido pelos padrões internacionais da agricultura.
Yudo Borges afirmou que o actual equipamento tecnológico alimenta convenientemente as plantas com nutrientes e proteínas em condições para que o morango atinja uma boa espessura e coloração e sabor cativantes. “A qualidade e sabor do produto são requisitos fundamentais para a sua aceitação no mercado”, salientou.
Por isso, disse, o investimento orçado em 400 milhões de Kwanzas, efectuado no ano passado, tornou a Fazenda Jamba no maior produtor nacional de morangos. Sendo o morango uma fruta rara, a produtora da província da Huíla está empenhada no aumento dos níveis de cultivo e pretende escoar para todos os pontos do país.
As províncias de Luanda e Benguela figuram como os maiores mercados, onde os stocks às vezes esgotam. Para corresponder à demanda, foi, recentemente, criada uma cadeia de distribuidores da fruta. O sócio gerente afirmou que os comerciantes de produtos agrícolas interessados em revender os morangos da Humpata podem fazê-lo.
“As colheitas são satisfatórias, razão para ampliar a rede de revendedores e tornar a comercialização do produto mais acessível”, disse para acrescentar que quanto mais gente interessar-se, haverá concorrência no mercado nacional e os preços podem ser mais baixos para os consumidores.O cultivo e as colheitas de morangos permitiram o enquadramento de 200 trabalhadores que beneficiaram de formação diversa sobre as metodologias de lidar com a planta e fruta. A fazenda possui 300 hectares de extensão, distribuída em área para pasto de gado bovino e suíno e para a agricultura.

Reduzir importação de fruta

O sócio gerente da Fazenda Jamba, Yudo Borges, defendeu que a aposta na produção de morangos, em grande escala, visa desacelerar a importação do produto. “Só aumentando e diversificando a produção interna de fruta, estaremos em condições de cobrir as necessidades do país”.
Para o efeito, anunciou que já foram plantados, na Jamba, acima de 400 videiras, 300 macieiras, entre outras plantas, para repovoar os pomares. “Apostamos na renovação das plantações para aumentarmos as colheitas e colocarmos no mercado fruta com qualidade e bom sabor”.
A Humpata é uma das referências na produção e comércio de bens hortofrutícolas, razão que motiva a afluência de clientes provenientes não só da anfitriã Huíla, mas também de outros pontos do país, como Luanda, Namibe, Benguela, Cunene e Lundas.
No mercado informal, com novas infra-estruturas construídas pela administração municipal da Humpata, são diariamente postas à venda quantidades consideráveis de pera, maçã, goiaba, ameixas, mirangol, laranja, tangerina, pêssego, manga, hortícolas e os famosos morangos.
A abundância e diversidade dos produtos referenciados tornam os preços acessíveis, dando origem ao slogan “preços da igreja”.
Os custos em si baixos facilitam o escoamento da maior parte da produção. Cinco quilos de pêra, laranja, tangerina, goiaba estão cotados entre 200 a 500 Kwanzas.
O potencial agrícola das terras que tinha sido dominada por boers é alimentada, além do clima frio e húmido, pela barragem das Neves, cujo canal pode irrigar pelo menos mil e 300 hectares.
A água conservada na bacia das Neves, com todo sistema a necessitar de obras de restauro, corre para várias fazendas.
Os produtores do município da Humpata, alguns deles com boas safras de fruta e hortaliças, fruto do programa de repovoamento e renovação das plantas, efectuado há quatro anos, comercializaram quantidades consideráveis de laranja, tangerina, pêra, maçã, ameixa e morangos.
O fácil acesso às províncias de Benguela, Namibe, Huambo e outras localidades, devido às estradas que se encontram em boas condições, assim como a abertura de vários estabelecimentos comerciais, unidades de hotelaria e turismo, impulsionaram a procura de fruta e hortaliças.

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