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Cursos no ISCED sem laboratórios

André Amaro | Lubango

O Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) do Lubango está na contingência de não ter outra alternativa senão suspender os cursos de Matemática, Física, Química e Biologia.

Há três anos que os alunos do ISCED do Lubango deixaram de ter aulas práticas devido à deterioração do laboratório
Fotografia: Arimateia Baptista

O Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) do Lubango está na contingência de não ter outra alternativa senão suspender os cursos de Matemática, Física, Química e Biologia. A razão reside na falta de laboratórios, indispensáveis para garantir as aulas práticas. Esta preocupação foi manifestada aos deputados da Assembleia Nacional pelo círculo provincial da Huíla, que prometeram fazer diligências junto das entidades competentes no sentido de ser encontrada uma solução para o problema.
Há três anos que os alunos do ISCED do Lubango deixaram de ter aulas práticas devido à deterioração do laboratório que se encontrava nas antigas estruturas da escola do II nível Rei Mandume.
A situação, que preocupa estudantes e professores, está a dificultar o processo de ensino e aprendizagem na interligação entre as aulas teóricas e práticas. Isso mesmo foi comunicado ao grupo de deputados da Assembleia Nacional pelo círculo da Huíla, que efectuou, recentemente, uma vista de trabalho àquele estabelecimento do Ensino Superior.
O responsável do Departamento de Administração e Finanças do ISCED, Mário Java, disse que o Instituto se debate, desde 2007, com a falta de laboratórios, situação causada pelo encerramento da antiga escola do II nível Rei Mandume, onde estavam instalados os equipamentos.
“Os laboratórios de Matemática, Química, Física e Biologia, que funcionavam nas antigas estruturas da Rei Mandume, acabaram por se deteriorar por falta de um espaço apropriado para a instalação dos equipamentos”, sublinhou. Disse ainda que o orçamento recebido pelo Instituto é insuficiente para fazer face à situação, apelando às entidades competentes no sentido de o problema ser solucionado e, desse modo, impedir o encerramento dos cursos. Mário Java sublinhou que os cursos de Matemática, Química, Física e Biologia correm o risco de encerrar a qualquer momento, caso não sejam repostos os laboratórios num curto espaço de tempo.
A responsável do grupo parlamentar pelo círculo provincial da Huíla, Isabel Ndala, reconheceu a necessidade de se intervir rapidamente para repor os laboratórios naquela instituição de Ensino Superior. Na verdade, sublinhou, “é impossível ensinar estas matérias e outras cadeiras práticas sem meios de ensaio e aprendizagem, indispensáveis para uma formação de qualidade e à altura das exigências do mercado”.
Isabel Ndala manifestou-se preocupada com a situação, uma vez que o ISCED é uma instituição vocacionada para a formação de formadores e “se estes forem mal preparados a sociedade é que fica prejudicada”. Perante estas dificuldades, a deputada prometeu levar a questão às entidades de direito e pressionar para que a situação seja resolvida no mais curto espaço de tempo.
A comitiva parlamentar, que antes visitou a Universidade Rei Mandume e as suas faculdades de Economia, Direito e Medicina, integrou ainda os deputados Desidério da Graça Wapota e Aguita Raimundo.

 Salários condignos

Aproveitando a presença dos parlamentares, os professores do Instituto manifestaram o seu protesto pelo montante dos salários que auferem, argumentando que este deve ser condigno e equiparado ao dos magistrados do Ministério Público, visto desempenharem funções semelhantes na sociedade. “Os juízes, médicos e outros quadros para atingirem esse título passam por uma escola. Torna-se difícil entender como é que um juiz ou um advogado ganha 900 mil kwanzas e um professor desta instituição do Ensino Superior recebe 200 mil kwanzas de salário”, afirmou Mário Java, durante o encontro mantido entre a direcção do Instituto e o grupo de deputados.
 “Se o juiz tem de ter um bom salário para não ser corrompido por um criminoso, o professor também devia ter uma boa remuneração, porque tem à sua responsabilidade entre 60 a 100 alunos que o podem corromper e, quando assim acontece, é toda uma sociedade que se torna corrupta”, referiu.
Mário Java salientou que os salários auferidos pelos docentes são incompatíveis com o nível de vida, daí a necessidade das estruturas afins reverem esta questão em prol do desenvolvimento do Ensino Superior. O responsável do Departamento dos Recursos Humanos do Instituto, Domingos Pascoal, realçou, por seu lado, que determinados professores estão há 15 anos sem serem promovidos, facto que provoca um grande descontentamento.
Domingos Pascoal acrescentou que a instituição precisa de pelo menos 20 novos docentes para reforçar os 95 que possui, de modo a fazer face à procura dos alunos que todos os anos ingressam na instituição.
Actualmente, o ISCED lecciona as especialidades de Matemática, Física, Química, Biologia, Psicologia, História, Geografia, Pedagogia, Informática Educativa e as línguas Inglesa, Francesa e Portuguesa.
 
Seis mil estudantes
 
No presente ano lectivo, o ISCED é frequente por 6.900 estudantes, sendo o estabelecimento universitário da região Centro e Sul do país que absorve mais alunos que terminam o ensino médio e ingressam pela primeira vez no Ensino Superior. Em média, 600 alunos são admitidos anualmente, enquanto 200 terminam a fase curricular e dezenas defendem teses de licenciatura.
Segundo Domingos Pascoal, o número de alunos do Instituto não é compatível com a capacidade do edifício, assim como também os 95 professores efectivos são insuficientes.
Para minorar as dificuldades, referiu ainda, são necessárias, pelo menos, mais 12 salas de aula e um universo de 20 docentes com graus de mestre e doutores para as diferentes especialidades. Além disso, defendeu maiores apoios, atendendo a que a maior parte dos quadros superiores que asseguram a função pública a nível das províncias da Huíla, Cunene e Kuando-Kubango foram formados pelo ISCED do Lubango.
 
Futura universidade 
 
Um campo universitário com capacidade para albergar, numa primeira fase, 20 mil alunos em quatro faculdades vai ser erguido na localidade da Eiwa, arredores da cidade do Lubango, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP).
O anúncio foi feito pela vice-governadora da Huíla para a Área Técnica, Victória da Conceição, a propósito do projecto de expansão do Ensino Superior na região Sul do país.
Vitória da Conceição adiantou que o Governo lançou o concurso público para a elaboração do projecto para o futuro campus universitário da Huíla no passado dia 10 de Março, aguardando-se a entrega das propostas.
Para o efeito, o Governo concedeu uma área de 143 hectares, na localidade da Eiwa, onde está a ser projectada a centralidade da cidade do Lubango, para construção da estrutura física da nova universidade.
A vice-governadora disse que, numa primeira fase, a universidade vai albergar as faculdades de Economia, Direito, Medicina e Educação, cada uma com capacidade para cinco mil estudantes.
As autoridades governamentais, em parceria com a direcção da Universidade Mandume, estão a trabalhar no sentido de criar condições em termos de recursos humanos, acervo bibliográfico e outras indispensáveis para um bom funcionamento da instituição.

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