Províncias

Da agricultura rudimentar à mecanizada

Domingos Mucuta | Lubango

A enxada de dois cabos é uma das alfaias agrícolas predilectas do agricultor Júlio Safeca, por ser uma herança da família. O instrumento de trabalho foi utilizado pelos antepassados do camponês, residente na comuna do Waba, município de Caconda.

Tractores e alfaias agrícolas concedidas a crédito a uma associação de camponeses do município de Caconda
Fotografia: Domingos Mucuta | Caconda

A enxada de dois cabos é uma das alfaias agrícolas predilectas do agricultor Júlio Safeca, por ser uma herança da família. O instrumento de trabalho foi utilizado pelos antepassados do camponês, residente na comuna do Waba, município de Caconda.
A ferramenta agrícola, rudimentar, conhece a história de quatro gerações. Passou pelas mãos do bisavô, do avô, do pai até chegar a Júlio Safeca, que tudo faz para cuidar com muita estima o legado.
A enxada, combinada com a força, auxilia, ao longo de anos, a desbravar a terra destinada ao cultivo de produtos diversos. A agricultura é a principal fonte de renda familiar e de sobrevivência dos membros da família Safeca.
Júlio Safeca, membro de uma associação de camponeses de Caconda, esteve ciente das principais inconveniências da enxada, como o longo tempo gasto e o esforço empreendido na preparação do terreno da família para a lavoura.
Ele nunca perdeu a esperança de substituir a enxada por outro meio de trabalho mais rápido. O lançamento do “Crédito de Campanha” foi visto pelo agricultor como a oportunidade para realizar o sonho.
Depois de informado sobre as modalidades para o acesso ao crédito influenciou os colegas da associação a aderir ao fundo, alistando, como necessidades, tractor, charruas, gado de tracção, sementes e fertilizantes.
Júlio Safeca reconhece que o “Crédito de Campanha”, lançado o ano passado na província da Huíla, além de introduzir meios modernos na agricultura, reduziu o tempo gasto e estimulou os homens do campo a ampliar os espaços agrários.
Aos poucos, a agricultura rudimentar dá lugar à mecanizada à medida que os homens do campo dispõem de instrumentos modernos. O camponês Safeca utiliza agora a enxada de dois cabos para eliminar as ervas daninhas, inimigas do desenvolvimento de cereais, hortícolas e leguminosas.
“Esta enxada, a catana e o machado vão continuar a ser úteis em trabalhos mais simples. Agora, o tractor, os bois e as charruas são mais rápidos para preparar os espaços para semear milho e plantar hortícolas”, afirma.

Incentivo à produção

O crédito, avaliado em cinco mil dólares por cada agricultor, é convertido em inputs. Dados fornecidos pelos bancos concessionários revelam que cerca de mil agricultores já beneficiaram do fundo.
Os camponeses das cooperativas dos municípios da Matala, Lubango, Quipungo, Caconda e Caluquembe são os primeiros beneficiados com alfaias agrícolas.
O crédito agrícola de campanha é uma das vertentes dos Programas Municipais Integrados de Desenvolvimento e Combate à Pobreza, a cargo das administrações locais.
Parte dos instrumentos de trabalho foram entregues pelo vice-governador para o sector Económico, Sérgio da Cunha Velho, aos agricultores das comunas do Gungui, Cusse e Sede, em Caconda.
Os camponeses receberam três tractores, 25 charruas, 50 cabeças de gado bovino para tracção animal e carroças, para dinamizar a produção de cereais, grãos, tubérculos, hortícolas e leguminosas. Cada tractor está orçado em cerca de 80 mil dólares.  Além de instrumentos de trabalho, os camponeses continuam a receber também inputs agrícolas, com destaque para sementes de milho, massango, massambala, feijão, batatas rena e doce, fertilizantes e outros.
Sérgio da Cunha Velho espera que os meios postos à disposição dos agricultores contribuam para o aumento dos hectares cultivados e resgatem a mística de celeiro do milho, ostentada pelo município de Caconda, que faz parte do triângulo do milho, com Caluquembe e Chicomba.  “Estamos a disponibilizar condições para tornar a agricultora uma actividade mecanizada. Desta forma, o Executivo está a proporcionar meios aos produtores para melhorar as condições de vida e reduzir a fome e a pobreza no seio da população”, disse.

Tempo

Multimédia