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Dadores de sangue salvam crianças malnutridas

André Amaro| Lubango

As doações de sangue feitas por jovens de diferentes organizações políticas e religiosas ao centro de hemoterapia do Hospital Pediátrico do Lubango, na Huíla, estão a ajudar a salvar, todos os dias, entre três a dez crianças com problemas de má nutrição severa.

Vários jovens afectos à organização juvenil do MPLA foram ao Hospital Pedriátrico do Lubango dar sangue ao centro de hemoterapia
Fotografia: André Amaro|Lubango

O centro de hemoterapia da pediatria do Lubango recebe, em média semanal, mais de 20 doações de sangue, no âmbito das acções de solidariedade para com as crianças doentes e internadas naquela unidade clínica.
Esta semana, a instituição hospitalar recebeu mais de 40 jovens da organização juvenil do MPLA do bairro da Mapundo, que deram várias quantidades de sangue, no âmbito das comemorações do 14 de Abril, Dia da Juventude .
O director-geral do Hospital Pediátrico do Lubango, Nsimba Nafila, salientou que a instituição está a efectuar entre três a dez transfusões de sangue em crianças internadas, sobretudo aquelas que sofrem problemas de má nutrição severa e com pesos muito inferiores ao que deviam ter.
Apesar das doações, acrescentou, o hospital ainda enfrenta problemas de carência de sangue, razão pela qual continua a pedir que haja sempre doadores regulares e espontâneos.
O director Nsimba Nafila considerou ainda que “as doações não devem continuar a ser feitas apenas por jovens da JMPLA, Igreja­ Metodista e escuteiros católicos, pois todos têm um papel nesta luta para salvar vidas”.

Partido solidário

A segunda secretaria municipal da JMPLA no Lubango, Fernanda dos Santos, disse que a organização está solidária com os problemas de saúde da população, sobretudo das crianças, por serem indefesas.
Fernanda dos Santos salientou que a doação, além de ajudar a salvar a vida de muitas crianças, vai fazer com que os jovens conheçam o seu estado serológico, peso, tensão arterial, infecções no sangue, entre outras doenças.
A dirigente juvenil garantiu que esta atitude vai ser estendida a outras unidades sanitárias, como o hospital materno infantil Camarada Irene e Hospital Central do Lubango Doutor Agostinho Neto, com vista a minimizar a carência de sangue nestes estabelecimentos.

Cuidados primários

O programa de cuidados primários de saúde a nível do Hospital Pediátrico do Lubango está a permitir melhorar a assistência médica e medicamentosa aos pacientes e a reduzir o elevado número de mortes de crianças.
O director Nsimba Nafila salientou que, actualmente, os pacientes, além de terem as três refeições diárias, já não precisam de realizar análises clínicas, nem de adquirir os medicamentos nas farmácias fora do hospital.
Neste momento, há mais pessoas a aderir às campanhas de vacinação, consultas de rotina e saneamento básico, devido às campanhas de sensibilização a nível das comunidades e de pacientes que acorrem à unidade sanitária. Fruto dos cuidados primários de saúde, há mais crianças que passaram a fazer consultas externas, mas também diminuíram os casos de doenças que chegam em estado grave ao banco de urgência e os internamentos. Em média, estão a ser atendidas 150 crianças nas consultas externas, 70 no banco de urgência, e fazem-se 15 a 20 internamentos por dia, segundo o director da pediatria.
Como resultado das melhorias nas intervenções médicas e medicamentosas, o número de mortes também reduziram significativamente, rematou o responsável.

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