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Defendida a inclusão de produtos do campo

Arão Martins| Humpata

A administradora municipal da Humpata, na província da Huíla, defendeu naquela circunscrição, a necessidade de incluir-se no pacote da merenda escolar produtos do campo, cultivados localmente, evitando que se gaste avultadas somas de dinheiro na compra de alimentos.  

Famílias das áreas rurais e peri-urbanas estão motivadas a deixarem os filhos ir à escola
Fotografia: Arão Martins| Humpata

Paula Nassone, que falava no acto de apresentação do programa piloto a ser implementado pelo Executivo e o governo provincial, que conta com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Embaixada da Itália, reconheceu o potencial agrícola diversificado do município, cuja produção pode ser cada vez mais valorizada.
O município da Humpata, situado a 22 quilómetros a oeste da cidade do Lubango, produz em grande escala bata rena, cebola, cenoura, pimenta, feijão e pera, além de ervilha, maçã, repolho, couves, alho, batata-doce e mandioca, incluindo milho e  massambala.
No âmbito do programa de desenvolvimento agro-pecuário dos municípios, explicou que foram  instalados vários projectos agro-industriais de referência, virados essencialmente para a produção e transformação de produtos locais que, referiu, a serem incluídos na merenda escolar podem  proporcionar uma saúde alimentar aceitável aos alunos.
A administradora municipal da Humpata disse que a concepção da merenda escolar constitui uma das estratégias concebidas pelo Executivo, com vista a dar uma resposta, relativamente aos direitos da criança, consubstanciados na criação de condições favoráveis à sua educação, instrução e aprendizagem.
A criação do programa merenda escolar, de acordo com a responsável, contribui para a motivação de alunos nas escolas durante o período de aulas, daí a necessidade de continuar-se a revitalizar e criar mais sinergias para melhorar a dieta alimentar.  O supervisor provincial de promoção de Saúde, Júlio Madaleno, disse ser importante a aposta em alimentos saudáveis para se garantir uma boa saúde e nutrição para os alunos e realçou que o programa merenda escolar tem contribuído para o aumento de crianças nas salas de aula.

Promoção de acções

Júlio Madaleno garantiu que o Governo vai continuar a promover acções que visam os bons hábitos alimentares. O responsável pela elaboração de projectos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Matteo Tonini, disse que o Governo de Angola e parceiros internacionais estão a desenvolver programas que visam reduzir a dependência das importações alimentares e valorizar a produção local.
Matteo Tonini reconheceu a importância do programa merenda escolar que tem estimulado as crianças a aderirem ao ensino obrigatório e motivado as famílias das áreas rurais e peri-urbanas a deixarem os filhos ir à escola.Desde 2002 que a FAO tem desenvolvido em  Angola programas-piloto de merenda escolar com produtos locais. A ideia é que, segundo o responsável, o Executivo e parceiros sociais dediquem ao programa merenda escolar uma atenção especial, sem precisarem de aplicar grandes recursos financeiros na compra de alimentos. Sublinhou que os produtos podem ser adquiridos na comunidade a um preço convencional e até mais saudável.
A FAO está comprometida com a erradicação da fome que atinge actualmente cerca de 795 milhões de pessoas no mundo (216 milhões menos que em 1990-92), daí o empenho da organização para se atingir as metas sustentáveis de desenvolvimento, aprovadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro de 2015.
A  Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura está igualmente comprometida com a adaptação da produção de alimentos, a diversificação da agricultura,  as mudanças climáticas e os efeitos dos desastres que surgem desta ameaça mundial, que é um factor determinante para a estabilidade dos países.
O responsável FAO esclareceu que, no quadro da cooperação com a Itália, existem estratégias e aspectos operacionais que contribuem para a implementação do Quadro do Programa de Cooperação com Angola 2013-2017, através de programas bilaterais e da sua contribuição para o Fundo Europeu para o Desenvolvimento (FED).

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