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Denunciados mais casos de violência doméstica

Domingos mucuta| Lubango

A província da Huíla tem registado um certo aumento da cultura de denúncia de casos de violência doméstica entre as famílias, o que facilita a recolha de dados aproximados à real situação do fenómeno na região, considerou ontem a directora local da Família e Promoção da Mulher.

Mulher é considerada a face mais importante da humanidade por ser ela que cuida dos filhos e promove a paz nos lares e na sociedade
Fotografia: Junilson António| Huíla| Edições Novembro

Catarina Manuel Sebastião salientou que o aumento da denúncia e da tomada de consciência da população sobre a necessidade de combate à violência doméstica é fruto das campanhas de sensibilização levadas a cabo pela instituição.
Em função dessa tomada de consciência sobre a necessidade da denúncia, a direcção da Família e Promoção da Mulher registou um aumento significativo de casos, com as agressões físicas e a  fuga à paternidade a liderarem a lista de ocorrências.
Catarina Sebastião, que falava quarta-feira, na comuna da Huíla, à margem do acto provincial do Dia Internacional da Mulher, revelou que, até o dia 7 deste mês, foram averbados 40 casos diversos.
A directora referiu que, além das agressões físicas e da falta de assistência alimentar aos filhos, as ofensas morais e psicológicas, em que as mulheres são a maioria das vítimas, são outra preocupação.

Promoção da mulher

A responsável precisou que, entre os casos de violência doméstica levados à direcção da Família e Promoção da Mulher, nos primeiros meses do ano, constam três agressões físicas contra homens. Catarina Manuel Sebastião disse que a violência doméstica afecta todos os elementos do lar e os homens têm receio de denunciar, por complexo de superioridade. “Ficamos satisfeitos com os senhores que decidiram romper o silêncio.” A directora provincial considerou que a situação da violência ­doméstica ainda é preocupante, na medida em que continuamos a assistir casos que envolvem muitas mulheres e crianças.
Quanto aos considerados casos de difícil solução ou graves, a responsável avançou que estes são encaminhados para os tribunais para julgamento, à luz da Lei Contra a Violência Doméstica e da legislação em vigor. A vice-governadora da Huíla para o sector Político e Social, Maria João Chipalavela, apelou às famílias para reforçarem o diálogo, por ser o melhor caminho para evitar os casos de violência doméstica. “Não fica bem termos mais mulheres nas cadeias com filhos, porque mataram os maridos. Por isso, precisamos conversar muito, orar e ter-se calma e serenidade, no sentido de se promover um clima de harmonia nas famílias”, apelou Maria João Chipalavela. As políticas de empoderamento das mulheres no sentido de criar micro, pequenas e médias empresas continuam entre as prioridades da Administração do Município do Lubango para este ano, disse o seu gestor principal.
O administrador Francisco Barros avançou que as autoridades administrativas estão empenhadas na criação de condições para facilitar a vida das mulheres empreendedoras, sobretudo das “zungueiras”, que têm no comércio ambulante a única via de sustento das famílias.
Francisco Barros considera que “a mulher é a face mais importante da humanidade, uma vez ser ela que cuida dos filhos, do homem, além ainda de promover a paz nos lares e na sociedade.”
O administrador revelou que muitas mulheres ocupam cargos de destaque a nível no Lubango como administradoras adjuntas, comunais e de bairro, directoras municipais e outras funções, no quadro de pessoal do município. “Estamos a interpretar correctamente a estratégia do Governo para que elas possam ocupar o seu papel no processo de desenvolvimento”, disse.

Apoio familiar

Os membros da Associação de Homens e Pais “Pró-Muda” manifestaram-se disponíveis para apoiar as famílias, promover os valores morais, cívicos, éticos e culturais, para fazer com que os senhores participem cada vez nas tarefas domésticas.

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