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Elefantes e javalis destroem lavras na Matala

Estanislau Costa| Lubango

Mais de cem lavras, com plantações de milho, massango, batata-doce e leguminosas, situadas nas proximidades do Parque Nacional do Bicuar, foram destruídas por manadas de elefantes e javalis, desde o segundo semestre do ano  passado até Maio último.

Os animais apesar de raramente atacaram as pessoas destruíram durante o ano passado várias casas por os proprietários os ameaçarem
Fotografia: DR

O administrador do Parque Nacional do Bicuar, José Maria, informou que os javalis são os animais que mais danos provocam às culturas dos camponeses, pois invadem os campos agrícolas durante a noite.
Para minimizar a situação, os camponeses propuseram à direcção do parque o abate dos javalis, ideia reprovada por violar o preceito de preservação e protecção das espécies e só ser possível se após estudo aprofundado sobre a questão houver autorização superior para o efeito, explicou.
O administrador salientou que a solicitação do abate motivou a direcção do parque a desenvolver acções de sensibilização e mobilização junto dos camponeses afectados, para abordar os riscos e consequências do exercício da caça furtiva.
“Esclarecemos e mostrámos aos camponeses que habitar próximo da área do parque e em zonas de circulação livre de animais representa um risco para os haveres e para a própria vida humana, principalmente para as crianças”, disse.
Durante as campanhas, o administrador do municípiosalientou que as populações recebem ensinamentos sobre os métodos a utilizarem para afugentar os animais.
José Maria informou que há 85 famílias com as culturas destruídas por animais, localizadas na comuna de Mulondo, município da Matala.
Disse que os animais, apesar de raramente atacarem as pessoas, destruíram, durante o ano passado, cerca de três casas, por os proprietários os ameaçarem com fogo. O administrador referiu que, para estancar a circulação de animais fora do perímetro do parque e reduzir a invasão das culturas dos camponeses, está em curso a vedação do recinto. Nesse sentido, a prioridade está a ser dada aos pontos tidos como conflituosos, por serem aqueles que a população insiste em ocupar na reserva natural. As áreas de penetração de animais para o interior do parque não vão ser vedadas. As zonas definidas para vedação atingem, neste momento, mais de 130 quilómetros.
O administrador disse que a empreiteira está a utilizar arame farpado e paus adaptados aos dois climas do país, chuvoso e cacimbo. O responsável referiu que os pontos principais de entrada de animais são Manquete, presumindo-se que as espécies surgem da Namíbia e passam por Mupa, região de Cassoco e Lumanha, com proveniência do Botswana, atravessando o Dirico e Mavinga.

Movimento satisfatório

O administrador José Maria considerou que o movimento actual de animais a nível do parque está acima da média. Sugeriu, por isso, que sejam reforçadas as estratégias no sentido de atrair mais elefantes, palancas, bambis, hienas, búfalos, leões, javalis e outras espécies.
Considerou, ainda, positiva a reprodução de espécies, situação que é favorecida pelas boas condições climáticas da região.O aumento e diversificação das espécies deve-se, em parte, à redução em mais de 95 por cento da caça furtiva, tida como obstáculo principal à segurança e comodidade dos animais.
 Os 11 anos de paz e a desminagem de vários campos estão também na base do retorno animal.O controlo efectuado pelos 75 guardas florestais, nos 7.900 quilómetros quadrados de extensão do parque, permitiu a recolha de 68 armas, antes em posse dos caçadores e entregues a Polícia Nacional.
 O administrador do parque referiu ainda que dois caçadores renitentes do município da Matala estão a contas com a justiça.

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