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Elefantes matam maior agricultor da Matala

Arão Martins | Lubango

O maior produtor do canal irrigado de Matala, Júlio Francisco Domingos, 52 anos, foi morto por uma manada de elefantes, na comuna de Capelongo, confirmou ontem o administrador local.

Manadas de elefantes têm causado grandes estragos nas lavras a nível das comunidades circunvizinhas do Parque Nacional do Bicuar
Fotografia: DR

Fernando António da Silva informou que a manada de elefantes deixou também outras duas pessoas gravemente feridas.
O administrador comunal de Capelongo disse que  30 elefantes saídos do Parque Nacional do Bicuar invadiram uma fazenda, em direcção ao rio Cunene.
Explicou que, neste momento,  um grupo de pessoas, incluindo jornalistas e funcionários da administração comunal, procurou aproximar-se deles para filmar.
A aproximação das pessoas assustou os elefantes que correram em direcção às pessoas, vitimando mortalmente o agricultor Júlio Francisco Domingos, que estava entre o grupo de pessoas que fotografava os animais.
Os dois feridos graves, de 20 e 40 anos, encontram-se actualmente internados no hospital comunal de Capelongo, informou o administrador Fernando António da Silva.
A comuna de Capelongo faz fronteira com o Parque Nacional do Bicuar e quando chega a época seca, a água escasseia o que obriga os animais, principalmente os elefantes, a ir beber no rio Cunene, atravessando vários quimbos.
Ao longo desta caminhada, os animais costumam destruir várias lavras, disse o administrador.
Em Capessela, Maculungungo e na zona fronteiriça com a comuna de Mulondo manadas de elefantes costumam fazer estragos na época do Cacimbo, esclareceu o administrador comunal de Capelongo.

Em busca de alimentos

O ambientalista Pedro Muhanda disse que um dos factores que faz com que os elefantes se movimentem do interior do parque para as zonas habitacionais é a procura de alimentação.
“Sabemos que mesmo no interior do parque existe uma vegetação que os animais consomem, mas há outras preferências, sobretudo na época seca”, disse o ambientalista.  O Parque Nacional do Bicuar, com uma extensão de 7.900 quilómetros quadrados, continua a registar um défice de água, que faz movimentar de forma regular os elefantes.
Pedro Muhanda assegurou que a criação de brigadas de segurança no parque permitiu acabar com a caça furtiva, o que faz com que haja maior concentração de animais.
 O ambientalista disse que normalmente os elefantes avançam sobre as pessoas quando se sentem ameaçados. Dai ter aconselhado a população a sair do caminho dos animais, deixando que eles andem livremente.
"Existe movimentação de manadas dentro do interior do parque, mas os ataques destes bichos não são comuns, quando as provocações não existirem", disse.

Outros prejuízos


O ambientalista defendeu a abertura de mais poços de água para evitar a movimentação de animais, uma vez que causam muitos estragos, além de provocarem mortes. Para evitar ainda outras consequências às populações, o responsável ambiental defendeu igualmente a vedação do perímetro do parque, para que haja maior segurança a nível das comunidades circunvizinhas.
Jesus Manuel Bambi, morador da localidade, disse que na procura de alimentação, os animais costumam devastar as lavras, principalmente em Tchicuacusse. "Agora, os elefantes preferem alimentar-se de milho, massango, massambala e outros produto”, disse.
O administrador do Parque Nacional do Bicuar, José Maria, disse que há três anos que se assiste à movimentação regular de elefantes na procura de água.
Explicou que o medo ainda prevalece entre os animais. E quando isso acontece, os bichos ficam furiosos, dai aconselhar a população a ter muito cuidado ao deparar-se com animais selvagem.
Neste momento, de acordo com resultados de trabalhos de investigação científica, ­desenvolvidos, desde Setembro de 2004, por uma equipa de especialistas do ambiente e biodiversidade da província da Huíla, o Parque Nacional do Bicuar tem espécies como a chita, leopardo caçador, hiena malhada, leões, elefantes e o porco facocheiro.
A zebra da planície, o olongo, oribi, bambis e aves de rapina, que geralmente aparecem entre  as 15h00 e 17h00 junto aos lagos, são outras espécies confirmadas naquele parque nacional, localizada na província da Huíla.

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