Províncias

Empreendedorismo recomendado para o currículo

Arão Martins| Lubango

A necessidade da introdução da disciplina de empreendedorismo nos cursos ministrados pela Faculdade de Economia, afecta à Universidade Mandume Ya Ndemufayo, foi uma das principais recomendações saídas das segundas jornadas científicas da instituição, encerradas ontem, no Lubango.

Académicos defenderam na Huíla a execução de políticas adequadas que promovam a integração entre a universidade e as empresas
Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

Os participantes no encontro, que durou dois dias, concluíram que a prática do empreendedorismo deve ser estabelecida em todos os níveis de ensino, incluindo nas escolas de formação técnico-profissional.
O alargamento da abordagem da pobreza a outras dimensões, além da componente do rendimento, é outra das conclusões saídas das jornadas, que decorreram sob o lema “O empreendedorismo como factor de criação, inovação e desenvolvimento económico e empresarial nas sociedades actuais”.
Os participantes salientaram que a execução de políticas adequadas, que promovam a integração entre a universidade e as empresas, assim como a criação de feiras e semanas do empreendedorismo, devem fazer parte dos calendários destas instituições.
 Recomendaram, ainda, a actualização do corpo docente em políticas e estratégias empresariais, para acabar com a pouca cultura empresarial nos jovens empreendedores, assim como a criação de um observatório de empreendedorismo, destinado a corrigir, observar e sugerir novas ideias relativamente à cadeira. Os técnicos da Faculdade de Economia encorajaram os governos provinciais a empenharem-se na consolidação de uma relação mais estreita entre as universidades e o mundo empresarial.
Além disso, consideraram o empreendedorismo como um factor de criação, inovação e desenvolvimento económico, por promover o emprego e o crescimento endógeno, assim como concluíram que em Angola existe legislação suficiente para despertar e facilitar as iniciativas empreendedoras dos jovens e da sociedade em geral. A competitividade de uma economia depende fortemente do seu potencial em inovação, alertaram.
O Estado angolano, consideraram, tem estado a pô-la em prática, através da aplicação de vários decretos e programas que promovem o empreendedorismo. Simultaneamente, reconheceram que se verifica uma diminuição cada vez mais acentuada das burocracias exageradas ou dificuldades para quem queira começar uma actividade empresarial, o que está a facilitar a vida a muitos jovens que pretendem desenvolver negócios.
O decano da Faculdade de Economia da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, César Reis, referiu que as empresas ou pessoas que queiram compreender o mercado e necessitam de um financiamento têm de ter um plano de negócio bem elaborado, para ter acesso ao mesmo.
O empreendedorismo, realçou o decano César Reis, pode contribuir para reforçar a coesão económica e social das regiões menos desenvolvidas e a criação do emprego e, consequentemente, no combate à fome e à pobreza, pela constante inovação e aumento da produtividade.
O reitor em exercício da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, Raimundo Wapota, disse que o fomento do empreendedorismo faz parte das políticas do Executivo, com vista a incentivar a criação e a inovação, contribuindo, desta forma, para a diminuição das taxas de desemprego e melhoria da qualidade de vida das populações.
Raimundo Wapota considerou que os painéis discutidos espelharam a necessidade de articulação entre o empreendedor, o governo, as instituições de ensino e as organizações de apoio financeiro, no sentido de se minimizarem as dificuldades da prática empreendedora.
Durante as jornadas, os participantes analisaram o empreendedorismo como factor de criação de emprego e de combate à pobreza, de oportunidade e a gestão estratégica, assim como a avaliação dos impactos sociais e económicos da disciplina.

Tempo

Multimédia