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Entrega de viaturas a quem as perdeu ao serviço do Estado

André Amaro | Lubango

No troço entre a Matala e Jamba, na Huíla, há 19 anos, Daniel Gunda, ao serviço do Estado angolano, viu a sua viatura ser destruídas numa emboscada.

Ministro dos Transportes no momento da entrega das chaves de uma das viaturas
Fotografia: Estanislau Costa

No troço entre a Matala e Jamba, na Huíla, há 19 anos, Daniel Gunda, ao serviço do Estado angolano, viu a sua viatura ser destruídas numa emboscada.
Os militares que transportava eram portadores de uma quantia monetária destinada ao pagamento dos salários de tropas concentradas na comuna de Chamutete, no município da Jamba Mineira.
Antes de atingirem a comuna do Dongo foram surpreendidos por uma emboscada que deixou o veículo completamente destruído, mas felizmente, não houve vítimas humanas porque os passageiros conseguiram fugir. A camioneta, de seis toneladas, era a principal fonte de rendimento da família.
Daniel Gunda nunca perdeu a esperança de, tarde ou cedo, o Governo lhe restituir o veículo.
No ano de 2000, soube que estava aberta a inscrição daqueles que tinham perdido as viaturas na guerra, mediante a apresentação dos documentos pessoais e do carro e uma declaração das autoridades.
A esperança aumentou e, como tinha guardado toda documentação, não vacilou e foi imediatamente inscrever-se na direcção provincial dos Transporte na Huíla.
Hoje, 11 anos após a inscrição e 19 da perda da viatura, Daniel é um homem feliz. No dia 18, o ministro dos Transportes, Augusto Tomas, entregou-lhe uma viatura, de seis toneladas, tal como a que perdera, igual à de Constantino Cachia, que há 20 anos aguardava que isso acontecesse, depois de, no troço entre a Matala e Chicomba, ter visto a sua, igualmente ao serviço do Estado, ser destruída pela guerra.
 Constantino Cachia, agora com 50 anos e viatura nova, disse, ao Jornal de Angola, que vai reunir a família para definir a melhor forma de explorar a caioneta e tirar dela o maior proveito para o bem-estar de todos.
Outros 17 cidadãos, de várias localidades da província da Huíla, foram contemplados no processo de restituição de viaturas. Os beneficiários manifestam-se satisfeitos por terem oportunidade de refazerem as vidas com a camionagem.

 Extensivo a todas as províncias
 
O ministro dos Transporte referiu que a iniciativa é do Chefe do Executivo que, frisou, dentro do seu princípio de justiça e de tudo fazer para resolver as dificuldades das populações, considerou importante entregar viaturas a quantos, ao serviço do Estado, as perderam na guerra. Augusto Tomás lembrou que o processo é extensivo às 18 províncias e que os beneficiários vão comparticipar com 50 por cento do custo real das viaturas, importância amortizada num prazo que vai de 24 a 36 meses.
O ministro pediu aos contemplados que conservem as viaturas, usando-as no transporte de pessoas e de mercadorias, sobretudo do campo para a cidade, e contribuam no fomento do comércio rural. “Os veículos vão facilitar o escoamento da produção do campo para cidade, aproximar os centros produtores dos consumidores e aumentar o rendimento das famílias”, afirmou.
A cerimónia oficial de entrega foi presenciada por familiares dos contemplados que, naturalmente, se manifestaram satisfeitos.
Maria Judith, mulher de Ezequiel Caneia, um dos beneficiários desta segunda fase da entrega de viaturas, disse estar satisfeita com o veículo que o  marido recebeu, pois vai ajudar a melhorar o rendimento familiar.
“Participei na cerimónia, com os nossos cinco filhos, por saber do valor do camião para a vida da família”, disse, sublinhando:
 “Estamos muitos felizes com esta nova viatura, o meu marido dedicou parte da vida a trabalhar para adquirir um camião e quando conseguiu isso a guerra destruiu-o, o que o levou ao desespero”.
Evaristo Correia não conseguiu esconder a alegria. É filho de Correia António, hoje septuagenário e vai substituí-lo.  “O pai tem 73 anos e o seu estado físico já não lhe permite trabalhos pesados, como é o de conduzir camionetas”, afirmou.  Ao todo, o Ministério dos Transportes entrega, nesta segunda fase, nas 18 províncias, 1.500 viaturas aos que as perderam, ao serviço do Estado, durante a guerra.  As viaturas, das marcas Faw e JMC, têm capacidade para transportar entre 1,5 a 20 toneladas e assistência técnica garantida pela empresa responsável pela venda.
Constantino Cachia considerou importante a presença no país de empresas que representam as marcas por serem capazes de fornecer acessórios a preços acessíveis.
Artur Dias, outro contemplado, afirmou que o Governo, com a entrega das viaturas e com a manutenção assegurada, concebeu um projecto que resolve alguns problemas das famílias.

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