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Escolas de Quipungo recebem milhares de alunos

Domingos Mucuta| Quipungo

Crianças e adultos, alinhados em fila indiana, cantam hinos e dançam topola, ao som de ongoma e opuita. A poeira é levantada pelos bailarinos, mas a alegria é tanta que ninguém pára de dançar.

 
Crianças e adultos, alinhados em fila indiana, cantam hinos e dançam topola, ao som de ongoma e opuita. A poeira é levantada pelos bailarinos, mas a alegria é tanta que ninguém pára de dançar.
“Hoje, estamos muito contentes porque o sofrimento dos nossos filhos acabou”, disse Maria Kembita, enquanto executa os movimentos da dança tradicional. A razão da euforia dos moradores da Tchitunguila “A” é a inauguração da escola primária “Tchongolola”, construída pelo Fundo de Apoio Social (FAS) do Governo de Angola. O pátio da nova escola está engalanado, porque chegou o dia da recepção aos novos alunos.
Manuel Tchambanga, administrador adjunto, faz o corte da fita e descerra a placa. Marca assim a entrega da nova escola à população de Tchintuguila “A”, sector de Maputica Mãe-Mãe, município de Quipungo, 120 quilómetros a este do Lubango.
O soba Mbala Quipungo, natural de Maputica, testemunha a entrega da primeira escola de ensino primário, apetrechada com equipamentos modernos.
Para trás ficam lembranças de tempos recentes em que as crianças ávidas de aprender o ABC se deslocavam para áreas distantes. Mbala Quipungo conhece as duas realidades. Afinal são tempos “muito diferentes”.
O soba diz que “as crianças sofriam muito porque andavam muitos quilómetros a pé para estudar. Recebemos a primeira escola que vai diminuir a distância entre as casas e a salas de aulas”, frisou a autoridade tradicional.
O soba espera a colaboração dos país e encarregados de educação na tarefa de mobilizar as crianças para marcar presença nas salas de aulas, porque “as condições favorecem o ensino e aprendizagem de todas as crianças em idade escolar”.
 
De troncos para carteiras
 
A construção da escola primária na aldeia de Chongolala vai permitir inserir no sistema público de ensino, este ano lectivo, 2.500 alunos. As crianças estudavam debaixo de árvores e cercos de pau a pique. A nova escola oferece as condições necessárias para um ensino de qualidade.  “Estudamos muito tempo em salas de pau a pique e sentados nos troncos de árvores. Ganhamos uma nova escola. Agora vamos estudar sentados nas carteiras”, declara, satisfeito, um aluno da quarta classe, residente em Tchongolola.
A escola tem quatro salas de aulas para 35 alunos cada, gabinetes para professores e directores, uma varanda, tangue de água e duas casas de banho. Sete professores foram formados para leccionar na unidade escolar em três turnos.
As salas de aulas estão apetrechadas com carteiras, secretárias e cadeiras para os professores, quadros e os compartimentos administrativos equipados com mobiliários modernos. Os custos de edificação e apetrechamento da escola estão avaliados em 178.533 dólares.
Em nome dos alunos, Laurindo Ferreira agradeceu o gesto que vai minimizar a falta de salas de aulas “sentida ao longo de muitos anos” e comprometeu a comunidade em cuidar a escola e “mantê-la sempre limpa para gratificarmos e honrarmos o empenho do Governo”
 Laurindo Ferreira disse que “reconhecemos os esforços empreendidos pelo Governo na construção de infra-estruturas escolares com vista à melhoria de condições de ensino, aprendizagem e formação das futuras gerações. Esforços do género diminuem gradualmente o número de alunos ao ar livre”, afirmou.
O administrador adjunto, Manuel Tchihuwe Tchambanga, disse que a instrução é uma necessidade de todos, por isso “a sociedade deve favorecer o progresso da inteligência pública e expandir o ensino a todos os cidadãos”.
 
Todas as crianças têm de ir à escola
 
Manuel Tchihuwe Tchambanga disse que o Governo angolano continua a investir na construção e extensão da rede escolar para todos as localidades, o que está a permitir o ingresso de mais crianças no sistema de educação.
 Manuel Tchambanga afirmou que o objectivo da construção de mais unidades de ensino em todo o país visa “acabar com crianças fora do sistema de ensino”, até ao ano de 2015. “As crianças constituem absoluta prioridade pelos que gozam de especial protecção das famílias, do Estado e da sociedade, com vista ao seu desenvolvimento integral. O Governo está a criar condições para promover o ensino para todos”, disse Manuel Tchihuwe Tchambanga.
O administrador municipal adjunto de Quipungo pediu aos alunos, professores, pais e encarregados de educação de Maputica Mãe-Mãe a conservarem a escola, já que “custou muito dinheiros aos cofres dos Estado”.
Deixou um apelo aos alunos: “cuidem dela como se fosse a menina de ouro de cada um, evitando a quebra de vidros, escrever nas paredes, a danificação de portas e janelas e o seu mobiliário. Estas escolas duram no mínimo 50 anos se forem bem conservadas”, garantiu.
 
Novos tempos
 
A escola é a quinta construída pelo Fundo de Apoio Social no município de Quipungo. O responsável da repartição da Educação, Domingos Paulo, afirmou que os avanços do sector são visíveis, porque “o município nunca beneficiou de tantas salas de aulas”.
O município conta actualmente com 188 escolas, do ensino primário ao secundário. O ano passado, 47 mil crianças frequentaram as escolas das comunas de Quipungo.
Domingos Paulo disse que as autoridades vão construir mais salas de aulas e vão ser admitidos pelo menos 300 professores, com o objectivo de absorver as cinco mil crianças fora do sistema de ensino.
O responsável do sector garantiu que uma escola, concebida para os estudantes do ensino médio, com o objectivo de formar professores, vai ser concluída em Março próximo. As escolas 341 e 97, situadas em Quipungo, vão ser reabilitadas porque possuem apenas duas salas de aulas, deixadas pelos colonos. O ano passado 15 escolas encerraram as portas por falta de professores.
 “Continuamos a construir mais escolas do ensino geral. Este ano vão ser concluídas outras cinco escolas, num total de 20 novas salas de aulas, para combater e eliminar o analfabetismo”, disse Domingos Paulo.

Aulas de alfabetização

O Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar (PAAE) prossegue o seu propósito. Domingos Paulo revelou que o soba de Imbala de Gungo está a estudar. A autoridade tradicional faz parte de um universo de dois mil alfabetizados do ano lectivo 2009.  “A adesão dos adultos é enorme e satisfatória. Temos recebido material didáctico. Estamos com muitos êxitos. A presença do rei está a servir de incentivo para a população”, sublinhou o responsável da secção de educação.
Domingos Paulo informou que existe uma grande colaboração de igrejas, Organizações Não Governamentais e autoridades tradicionais para a criação de jangos comunitários e espaços para aulas de alfabetização pode aumentar o número de beneficiários.
Desde o início, mais de cinco mil adultos aprenderam a ler e escrever, processo que conta com 22 alfabetizadores. Domingos Paulo destacou a adesão das mulheres nos cursos de alfabetização.
“Neste universo, realce para a presença da mulher que continua interessada em elevar o seu nível cultural. Isto é gratificante para nós, porque temos muitos adultos que depois de frequentarem as aulas de alfabetização decidem continuar os estudos no ensino geral”, disse Domingos Paulo.

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