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Estudantes produzem sistema de alcatrão vegetal

Domingos Mucuta| Lubango

Uma descoberta de alcatrão vegetal é o resultado de uma pesquisa científica feita por um grupo de estudantes do curso de Engenharia Mecânica, do Instituto Superior Politécnico da Huíla (ISPH), na comuna da Arimba, no município do Lubango.

"Feira do Inventor do Lubango" mostra projecto M16 que resulta da intenção de produzir alcatrão a partir de resíduos de madeira
Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

A mostra da pesquisa científica apresentada na “Feira do Inventor do Lubango”, consta do projecto M16. O trabalho, de sete pesquisadores angolanos, resulta da intenção de  produzir-se alcatrão, carvão vegetal e ácido pirolonhoso, a partir de resíduos de madeira.
O líder da equipa de pesquisadores, Domingos Mutota, explicou que o processo de produção, com duas panelas de pressão no protótipo, começa com o tratamento de resíduos de madeira em combustão no sistema de vácuo e sem a presença de oxigénio.
A primeira panela é utilizada para queimadura,  no método fechado, e a outra para a obtenção dos produtos finais.
Durante o processo, esclareceu, o sistema liberta fumaça, contendo produtos condensáveis, aproveitados para a obtenção de três derivados. Acrescentou que na primeira fase se obtem  ácido pirolonhoso; na segunda,  alcatrão vegetal e, na outra,  carvão vegetal.
 Para Zoraster Cambulo, um outro pesquisador, o sistema de produção de alcatrão dispensa o abate de árvores, porque, referiu, pode utilizar-se na maioria das vezes a reciclagem de resíduos de madeira descartados na carpintaria.
O pesquisador indicou que, na fase de materialização do projecto, o recurso ao derrube de árvores de eucalipto ou bambu pode acontecer para a produção em grande escala, mas, referiu que as plantas podem ser cultivadas e o seu crescimento acelerado com o ácido pirolonhoso, como fertilizante.
Os estudantes, responsáveis pela pesquisa, asseguraram que o sistema apresentado vai possibilitar a produção de asfalto em grande escala, se for replicado e redimensionado, admitindo que meia tonelada de resíduos de madeira produz 200 quilogramas de alcatrão, 100 de carvão vegetal e 15 de ácido pirolonhoso.
Neste momento, a equipa de pesquisadores trabalha, numa primeira fase, nos cálculos de valores para investir na montagem e instalação de um sistema de produção em grande escala.“Este é simplesmente o protótipo do projecto. O nosso objectivo é levar esta iniciativa para uma dimensão maior e adequar o projecto M16 a uma produção em maior escala. Precisamos de financiamento para que a província da Huíla comece a colher os frutos da nossa pesquisa”, disse o pesquisador Domingos Mutota.

Instalação do sistema

O projecto começa com a instalação do sistema industrial, numa zona bem identificada,  e, depois da produção, surge a fase de tapa buracos nas ruas da cidade do Lubango.O alcatrão derivado do sistema de produção, além de servir para a pavimentação de estradas, tem utilidade no combate anti-bacteriano, na agricultura e na desinfestação.
A investigadora do Ministério da Ciência e Tecnologia, Eunice Pires, disse que o Centro Tecnológico Nacional está aberto para que as ideias, processos, protótipos e produtos de pesquisadores nacionais encontrem espaço, para serem melhorados e transferidos para o sector produtivo.
O Ministério da Ciência e Tecnologia destacou um grupo de jurados para avaliar a viabilidade económico-social, ambiental e tecnológica das propostas apresentadas pelos pesquisadores da Huíla. As melhores propostas vão representar a província na feira  nacional.

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