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Exploração de inertes atrai jovens ao Lubango

Arão Martins | Lubango

Populares oriundos dos municípios da Chibia, Humpata, província da Huíla, e da Bibala (Namibe) estão a explorar de forma ilegal inertes no perímetro adjacente ao monumento religioso do Cristo Rei, arredores da cidade do Lubango.

Autoridades traçam estratégias para travar o garimpo que tende a aumentar na região
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

Populares oriundos dos municípios da Chibia, Humpata, província da Huíla, e da Bibala (Namibe) estão a explorar de forma ilegal inertes no perímetro adjacente ao monumento religioso do Cristo Rei, arredores da cidade do Lubango.

O soba da região do Cristo Rei, Alberto Tchoyo Mayongo, disse ao Jornal de Angola que estão envolvidas centenas de jovens e várias famílias locais, que procuram fixar-se, ainda que de forma provisória, em áreas mais próximas das zonas de exploração.
“Estamos preocupados, porque existem grupos de jovens que vieram das comunas da Quilemba, Hoque e Arimba, no município do Lubango, das comunas do Jau e das localidades da Quihita (Chibia), Palanca (na Humpata) e outros do município da Bibala, província do Namibe, a explorar areia e pedra na zona proibida do Cristo Rei”, disse.
A autoridade tradicional afirmou que o número de populares é alto. “A preocupação reside no facto de que, ao determinar a paralisação da exploração de inertes na zona, por ser fonte de sustento de muitas famílias, o índice de criminalidade po-de aumentar na circunscrição. Essa é a nossa preocu-
pação”, disse o soba da região do Cristo Rei, Alberto Tchoyo Mayongo.
A exploração ilegal de inertes nas zonas proibidas mo-tivou os administradores municipais do Lubango e Humpata, Armando Vieira e Rita Soma Miranda, a visitarem as áreas afectadas e reunir com o director do Gabinete Provincial do Comércio, Indústria e Recursos Minerais, Manuel Machado Quilende.
O administrador municipal do Lubango, Armando Vieira, defendeu o aumento da fiscalização nas zonas proibidas. Disse que a prática está a causar enormes prejuízos à natureza.
A visita às zonas de exploração culminou com um encontro entre a Administração Municipal do Lubango e da Humpata, onde foram traçadas estratégias para apertar o cerco aos exploradores ilegais de inertes, com a participação dos fiscais das administrações municipais, dos serviços minerais e do comando da Polícia Nacional.
O administrador municipal do Lubango esclareceu que no perímetro adjacente à zona esquerda, para quem se desloca ao monumento Cristo Rei, está proibida a exploração de inertes.
Acrescentou que as autoridades competentes, em função dos trabalhos feitos, indicaram alguns perímetros onde a actividade pode ser praticada. Mesmo assim, alguns populares insistem em explorar tais recursos na zona proibida, em períodos com pouco movimento de pessoas.
Armando Vieira defendeu a criação de cooperativas de exploradores de inertes, para melhor controlo.
Esclareceu que o Gabinete Provincial do Comércio, Indústria e Recursos Naturais continua a licenciar vários agentes e cooperativas de exploração de inertes, para facilitar a fiscalização. “Chegamos a consenso de que a exploração de inertes deve continuar a ser licenciada pelo Gabinete Provincial do Comércio, Indústria e Recursos Minerais e a actividade ser fiscalizada, porque existem zonas proibidas e os exploradores continuam a invadi-las”, alertou.
A administradora municipal da Humpata, Rita Soma Miranda, disse que, tendo em conta o contexto que o país vive, muitas famílias obtêm algum rendimento na actividade e é importante a criação de cooperativas, de maneira a que a exploração de inertes seja controlada.
Segundo Rita Soma Miranda, a criação de cooperativas deve ser abrangente aos transportadores. “Temos conhecimento que as pessoas que exercem essa actividade procuram caminhos alternativos para fugirem à fiscalização”, disse, acrescentan-do que “os organismos afins devem fazer o licenciamento das cooperativas de exploração e o mesmo processo deve abranger os transportadores, por meio de mecanismos le-galmente estabelecidos, por forma a evitar a invasão às zonas proibidas”.
Rita Miranda disse que os transportadores de inertes também devem ser licenciados e definir uma taxa simbólica a pagarem aos cofres do Estado.
A administradora municipal da Humpata garantiu que a exploração de inertes em zonas proibidas vai ser banida e defendeu a colaboração da população da região na denúncia de qualquer irregularidade.
“Homens e mulheres têm exercido esta actividade, alegando a falta de emprego e muitas famílias extraem inertes em zonas próximas das suas residências, aumentando os riscos de desabamento das habitações”, frisou Rita Miranda. Defendeu a necessidade de as referidas comunidades estarem associadas em cooperativas, no sentido de exercerem a actividade em zonas recomendadas pelos órgãos compe-
tentes. Frisou que, associados em cooperativas, os garimpeiros poderão pagar impostos ao Estado e contribuir para o desenvolvimento económico.

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