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Faltam medicamentos nos hospitais do Cuvango

João Luhaco | Lubango

O hospital do município do Cuvango, na província da Huíla, atravessa, nos últimos dias,  dificuldades sérias na aquisição de medicamentos, segundo o director municipal da Saúde.

Parte frontal do Hospital Municipal que precisa de reforços nas reservas de medicamentos e de material gastável para garantir a assistência à população
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

Cláudio Maria revelou que, para contornar  o problema da falta de medicamentos, o hospital  do Cuvango conta com o apoio de entidades da sociedade civil. “Com estes apoios mínimos, procuramos ter fármacos para o atendimento de emergência e o internamento. Para os casos  ambulatórios, em que os tratamentos têm de ser feitos em casa, temos de passar as receitas para os pacientes adquirirem os remédios nas farmácias”, informou.
Cláudio Maria assegurou que o sector está a intensificar os trabalhos de prevenção e  promoção da saúde, para as pessoas terem conhecimento dos principais problemas sanitários.
“Estamos a trabalhar com entidades tradicionais e  agentes comunitários no saneamento básico,  no sentido de passarem a mensagem às comunidades, pois só com trabalho preventivo  podemos conseguir evitar as doenças”, disse.
 
Doenças mais frequentes

O director municipal da Saúde no Cuvango disse que as  principais enfermidades na região e que têm tirado o sono às entidades sanitárias são os casos de diarreia, malária e as doenças respiratórias agudas.
“Nesta altura,  em que começaram as chuvas, os casos de malária e diarreia vão subir, por isso estamos a trabalhar na promoção da saúde junto das comunidades e estamos satisfeitos com os resultados deste trabalho, porque a população está a aderir às medidas de prevenção”, disse. Quanto à tuberculose, disse Cláudio Maria,  estão controlados 25 casos,  que estão em tratamento. E acrescentou: “Para o caso da tuberculose, a medicação é de âmbito nacional e não tem havido problemas de  abastecimento, pois o fornecimento de  remédios para esta doença  é regular”.
Relativamente ao  índice de mortalidade, Cláudio Maria assegurou que  “não é tão assustador”, mas  lamentou  o facto de  existirem doentes que  chegam de forma tardia aos  hospitais.
“Não temos grandes registos de mortes hospitalares, o problema tem a ver com aquelas pessoas que aparecem de forma tardia ao hospital, porque antes procuram os tratamentos tradicionais e vêm praticamente intoxicadas.  É  nesta vertente de prevenção que também estamos a trabalhar”, frisou Cláudio Maria.
 
Rede sanitária
O director municipal da Saúde informou que a rede sanitária do município do
Cuvango é constituída por 25 unidades, das quais quatro centros e um hospital municipal e há exiguidade de recursos humanos.Cláudio Maria informou que os cinco médicos enviados recentemente para o município já se encontram a trabalhar. “Neste momento, temos quatro médicos a fazer a campanha de vacinação e uma médica que faz o banco de urgência no hospital municipal”, explicou Cláudio Maria, que se queixou  do reduzido número de quadros do sector da Saúde no município Cuvango e apontou que  existem  135 técnicos  a funcionar, dos quais 43 são eventuais, que dão uma grande ajuda na assistência médica à população.
“Quanto aos trabalhadores eventuais,  estamos com alguns problemas no pagamento dos  salários, mas, em função de alguns parcos valores que vamos recebendo, temos amortizado a dívida”, disse Cláudio Maria, para precisar que os trabalhadores eventuais estão com cerca de um ano de atrasos nos salários, mas, garantiu, tiveram uma comunicação do Governo Provincial da Huíla que vai assegurar em breve a  solução do problema.
Segundo o director municipal da saúde, Cuvango necessita de mais médicos, enfermeiros e técnicos de análises clínicas, para serem colocados nos centros médicos e postos de saúde que estão a ser construídos e/ou reabilitados e ampliados em várias localidades.

Província do Namibe está a reforçar acções de combate à malária

Um total de quarenta e sete jovens voluntários do município do Tômbwa, na província do Namibe, estão a ser capacitados, desde ontem, sobre a prevenção da malária e o uso adequado dos mosquiteiros, numa acção promovida pelos serviços de saúde pública.
Em declarações à imprensa, o chefe da Repartição Municipal de Saúde Pública, Felisberto Kuliaquita, salientou que a formação, de quatro dias, tem como objectivo aprimorar os conhecimentos dos voluntários que vão trabalhar na sensibilização e mobilização da população da região, visando a melhoria do saneamento do meio, uso adequado da água e do mosquiteiro, no âmbito do programa de combate à malária.
Durante a formação, os participantes vão aprender como fazer a distribuição dos mosquiteiros nas comunidades e como aconselhar a população sobre o seu uso, fundamentalmente para as mulheres grávidas e crianças.
O chefe da Repartição Municipal de Saúde Pública realçou que para o combate à malária no município do Tômbwa, as unidades sanitárias têm realizado campanhas de sensibilização junto dos pacientes (consultas externas) e em alguns bairros periféricos da cidade, aconselhando para a limpeza das suas residências, evitar a presença de mosquitos, baratas e ratos, tratamento da água para beber e eliminação de águas paradas.
Este trabalho, segundo o responsável da saúde, tem o apoio da administração municipal, que também tem feito campanhas de limpeza, eliminando assim as grandes lixeiras.
Os técnicos da saúde têm também aconselhado a população no sentido de evitar a automedicação.

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