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Famílias integradas no programa de fomento agrícola

Arão Martins | Cacula

O projecto de Fortalecimento da Resiliência e Agricultura Familiar Kumosi, financiado pela União Europeia, beneficia mais de duas mil pessoas de 20 aldeias do município de Cacula, província da Huíla.

Projecto foi contemplado com grande variedade de sementes que permitiu aumentar os níveis de produção de várias culturas
Fotografia: Arão Martins

O projecto, implementado no município da Cacula, 120 quilómetros a leste da cidade do Lubango, foi visitado pelo embaixador da União Europeia em Angola, Gordon Kricke, e pela vice-governadora da Huíla para o sector Político e Social, Maria João Chipalavela.
O responsável pela produção do projecto Kumosi, Adão Cassoma, disse, em nome da comunidade beneficiária, que o projecto permitiu aperfeiçoar as técnicas de lavoura na localidade de Kavissi, comuna de Tchikuaqueia, município de Cacula.
O projecto foi contemplado com uma variedade de sementes que permitiu aumentar os níveis de produção e colheita de repolho, mandioca, feijão, gergelim, batata, ervilha, abóbora. Adão Cassoma recordou que com a aplicação do projecto muitas mulheres beneficiaram de uma formação para a transformação de produtos do campo. “Estamos felizes, porque antigamente vendíamos a batata de forma esporádica e agora temos a possibilidade de transformar a produção em bolos e não só, o que permite diversificar a nossa dieta alimentar diária”, disse.A coordenadora do projecto, Mariana Soma, explicou que a formação está a ser dada pela Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Antena Huíla e Cunene, complementada pela organização alemã, denominada Pão para o Mundo.O projecto beneficia de um financiamento de 900 mil euros, desde 2011, e tem duração de quatro anos. Mariana Soma disse que o projecto está subdividido em duas vertentes, referindo que o primeiro passa pelo reforço da capacidade organizacional das famílias e camponeses, o segundo pelo apoio ao processo produtivo.
Durante o período foi possível congregar 22 grupos, dos quais 18 associações de camponeses e quatro cooperativas a nível do município de Cacula. Até ao momento, o projecto beneficiou 2.500 pessoas que, de forma directa, receberam apoios.
A Administração Municipal de Cacula também deu o seu apoio e dez novas associações de camponeses submeteram os seus documentos ao Cartório da Comarca da Huíla para obtenção de escritura. Na localidade existem duas associações de camponeses legalizadas.
As cooperativas da comuna de Tchituto têm moagens, armazéns e cantinas comunitárias, onde prestam serviços às comunidades.
A coordenadora Mariana Soma disse que o projecto Kumosi permitiu a oito associações aplicar sistemas de rega.
O município de Cacula é pouco rico em recursos hídricos, mas existem algumas localidades com possibilidades de retenção de água, de forma que as pessoas associadas promovam a agricultura.Várias associações dispõem de diques de retenção de água e em alguns casos o projecto distribui tanques para o armazenamento de água, que facilita no sistema de rega por gravidade, sobretudo na época seca.
No âmbito do apoio à diversificação, referiu, foi introduzido uma metodologia que se denomina “Escola na lavra do agricultor ou camponês”, que permite ao camponês aperfeiçoar as técnicas de produção para maximizar os solos e minimizar as perdas.
Mariana Soma informou que foram instaladas no município de Cacula 14 lavras na escola dos camponeses, que seguem as técnicas nas lavras individuais.
 Ainda no âmbito do apoio à produção, foram distribuídas aos camponeses oito motorizadas de três rodas que estão acopladas aos sistemas de rega, para o transporte de hortícolas às áreas de comercialização.

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