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Famílias recebem terrenos e material de construção

Estanislau Costa| Lubango

Um número considerável de famílias que residia por detrás do cine Arco-Íris, no espaço projectado, ainda antes da independência, para a edificação da avenida Salvador Correia, no centro da cidade do Lubango, recebeu terrenos de mil metros quadrados e diverso material de construção para a construção de casas. 

A nova avenida no Lubango começa a ser erguida assim que estiverem concluídos os trabalhos de limpeza dos escombros dos casebres
Fotografia: Estanislau Costa| Lubango

 
Um número considerável de famílias que residia por detrás do cine Arco-Íris, no espaço projectado, ainda antes da independência, para a edificação da avenida Salvador Correia, no centro da cidade do Lubango, recebeu terrenos de mil metros quadrados e diverso material de construção para a construção de casas. 
Os populares abandonaram a área de forma voluntária, após a entrega, pelo governo provincial da Huíla, de talhões para erguer moradias na zona urbanística do Mutundo, incluindo três a cinco mil tijolos e outro material.
O Jornal de Angola apurou que a maioria dos ocupantes dos casebres já abandonou o espaço, tendo levado consigo, além de haveres pessoais, material como portas, janelas, vigas, sistemas de instalação eléctrica, chapas de zinco, entre outros.
António Calombonde, que viveu no local durante 15 anos, contou que o bairro surgiu com pequenas casas de blocos de adobo e cobertas de chapas de zinco. A maioria das famílias que aí vivia emigrou do interior da província da Huíla e de outros prontos do país, por causa da guerra.
“As pessoas construíram num local projectado para a construção da estrada que parte da rua ex-Pinheiro Chagas e que vai dar à zona que está por detraz do cine Arco-Iris”, disse, referindo que houve moradores que ergueram as suas casas, além do espaço da estrada, nas áreas de drenagem das águas das chuvas e residuais, provocando consequências aos habitantes.
Na época chuvosa, disse, muitas casas ficavam inundadas e outras não suportavam a pressão das correntes de água e acabavam por desabar, além de arrastar o lixo e lama. “Foram anos de muito sofrimento, angústia e frustração. Agora estamos numa zona com mais espaço e apropriada para habitar”.
Kamba Lumbanza, 50 anos, recebeu, pela primeira vez, um terreno de mil metros quadrados onde está a erguer a sua casa. Satisfeita, considerou o terreno como o melhor presente, porque estava desprovida de recursos para a aquisição de um talhão que lhe permitisse materializar os seus objectivos.
No local, a antiga moradora da zona Arco-Íris está a construir um quarto, sala e casa de banho com os três mil tijolos e chapas, que recebeu do governo provincial. Assim que tiver condições, Kamba Lumbanza pretende aumentar os compartimentos e materializar o sonho de erguer uma pequena loja. “Tenho experiência em negócios e quero ter uma casa própria para o comércio”, afirmou. 
Enalteceu as autoridades da província por criarem condições de realojamento próximo ao novo mercado do Mutundo, que já regista algum movimento, o que incentiva outras pessoas sem ocupação a desenvolverem pequenos negócios e criarem sustentabilidade e riqueza.
Kamba é uma mãe batalhadora, que cuida de seis filhos. Confessa ser, hoje, uma mulher feliz, por conseguir algo de valor para um dia deixar aos herdeiros. “Vivia num lugar apertado e com o risco de desabar com as inundações”.
O processo de transferência das famílias residentes por detrás do cine Arco-Iris para a centralidade urbanística do Mutundo obedeceu a várias etapas: diálogo com a comissão do bairro e habitantes, inscrição e marcação dos casebres, distribuição dos terrenos e material de construção civil diverso e abandono voluntário.
 
Nova avenida
  
O trânsito automóvel, com congestionamento em várias artérias do Lubango, passa a ser mais fluido com a construção de novas avenidas no perímetro urbano. O realojamento dos populares que construíram casas precárias na zona do Arco-Iris vai permitir o arranque das obras da segunda avenida.
Com uma extensão de cerca de um quilómetro e meio, a nova avenida começa a ser erguida logo que estejam concluídos os trabalhos de limpeza dos escombros dos casebres. O engarrafamento registado nas horas de ponta na via do Arco Iris, nos sentidos ascendente e descendente, vai reduzir, com a conclusão do projecto da antiga avenida Salvador Correia.
A primeira avenida em obras fica próxima das imediações da praça João Paulo II aos Lareanos, com um quilómetro e 166 metros de extensão. A estrada foi projectada na margem do rio Mukufi. A construtora Andrade Gutierrez-Zagope realiza, neste momento, acções de limpeza, remoção de solos e terraplanagem.
Para empreitada, o governo provincial investiu 830 mil dólares para a colocação de asfalto na estrada, que vai ter sete metros de largura, passeios e calçada para incentivar a prática de exercícios físicos, recreação e lazer. O executor da obra garantiu primar pela qualidade e respeitar os prazos estipulados no contrato.
 A componente ambiental foi salvaguardada na construção de novas infra-estruturas no rio Mukufi e zonas adjacentes, na medida em que vão ser construídos sistemas de tratamento de águas residuais e de drenagem das águas das chuvas, que escorrem do cimo do complexo turístico da Nossa Srª do Monte para o centro da cidade.
O governado defende a criação de condições para drenagem das águas das chuvas e residuais e a criação de condições para a prevenção de doenças, com a eliminação dos focos de propagação de mosquitos e outros insectos causadores de enfermidades aos habitantes do Lubango.
A criação de novos sistemas de drenagem ao longo da cidade vai permitir a redução da velocidade da água das chuvas provenientes da Nossa Srª do Monte para o centro da cidade e parte baixa, arrastando areia e outros objectos que prejudicam o saneamento da urbe.

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