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Finalistas de Medicina estagiam no Hospital Central

André Amaro| Lubango

Os estudantes de medicina de faculdades públicas e privadas nacionais e internacionais interessados vão brevemente estagiar no Hospital Central do Lubango, Doutor Agostinho Neto, afirmou o director da unidade sanitária, Henrique Chipenda.

Deputados do MPLA visitaram unidades sanitárias da província para se inteirarem sobre os principais problemas
Fotografia: Arimateis Baptista

Os estudantes de medicina de faculdades públicas e privadas nacionais e internacionais interessados vão brevemente estagiar no Hospital Central do Lubango, Doutor Agostinho Neto, afirmou o director da unidade sanitária, Henrique Chipenda.
Para tal, a direcção da instituição está a criar as condições de equipamento e alojamento para que o primeiro grupo possa iniciar os estágios a partir do próximo mês de Julho.
Usando da palavra durante a visita dos deputados do MPLA, Henrique Chipenda disse que a direcção já foi solicitada por estudantes da Piaget, Universidade Privada de Angola, Faculdade Nova de Lisboa e Faculdade de Medicina do Lubango.
Para o director, este intercâmbio com diversas instituições universitárias reveste-se de capital importância, por permitir a eficiência na assistência médica e medicamentosa e fazer com que os futuros médicos possam aliar a teoria à prática, assim como trocar experiências com técnicos cubanos e russos.
Esta cooperação, com algumas faculdades de Medicina, referiu, vai atrair mais médicos de especialidades para a unidade, sobretudo daquelas que ainda se debatem com certas carências.
Acrescentou que a entrada em funcionamento da Faculdade de Medicina do Lubango representa uma valia para o sector da Saúde a nível local, uma vez que vai formar quadros para reforçar os hospitais.
 
Referencia regional 
 
Após a reabilitação e modernização de que beneficiou em 2008, o Hospital Central do Lubango tornou-se numa referência a nível regional, pela quantidade e qualidade de serviços que presta. De acordo com Henrique Chipenda, nos últimos tempos a unidade está a receber pacientes provenientes de várias províncias do país.
 Actualmente, o hospital presta 20 tipos de serviços médicos, em áreas como as de cardiologia, gastrenterologia, dermatologia, neurologia, ortopedia, maxifacial, cirurgia, pediatria, urologia, radiologia, electrocardiograma, medicina interna, cirurgia geral, estomatologia, neurocirurgia, oftalmologia, urologia, ginecologia e obstetrícia.
Estes serviços são assegurados por 64 médicos das distintas especialidades, de nacionalidade angolana, cubana e russa, auxiliados 309 enfermeiros, técnicos de laboratório, instrumentistas, anestesistas e outros.
Henrique Chipenda esclareceu que está prevista a abertura de mais quatro serviços nas especialidades de hemodiálise, endocrinologia, gastrenterologia e oncologia. O hospital tem capacidade para 500 camas e as doenças mais frequentes são a malária, tuberculose, politraumatismo, meningite, acidentes vasculares celebrais e hipertensão arterial.

Jovens doam sangue

A carência de sangue que a maternidade do Lubango atravessa nos últimos tempo está a ser minimizada com a doação que um grupo de jovens, filiados na JMPLA de Humpata, fez na sexta-feira. O gesto, enquadrado nas comemorações do mês da juventude angolana, contou com a participação de 23 jovens.  secretário municipal da JMPLA na Humpata, Venâncio Ngula, disse que este gesto de solidariedade visa minimizar a carência de sangue que a unidade hospitalar tem enfrentado para salvar vidas.
Venâncio Ngula referiu que esta acção vai continuar, uma vez que na maternidade do Lubango muitas mulheres têm perdido a vida devido à falta de sangue. “Nas próximas vezes vamos aumentar o número de jovens doadores”, garantiu.
A responsável do banco de sangue da maternidade, Emília Talassa, agradeceu o gesto dos jovens e garantiu que o produto doado vai ajudar o hospital pelo menos durante duas semanas.
“Em termos de sangue a maternidade estava péssima e para acudir às pacientes, normalmente recorreremos aos familiares para salvar a vida de muitas delas”, esclareceu.
Emília Talassa explicou que para a doação de sangue os jovens tiveram que preencher os seguintes requisitos: ter mais de 18 anos, peso superior a 55 quilos, não possuir doenças venéreas e fazer os testes de HABS, HIV, RPS, hemoglobina e gota espécie.
Referindo-se à situação da Maternidade, esclareceu que, apesar de esta ter sido reabilitada, atravessa dificuldades, como a infiltração de água nas paredes, canalização furada, aparelhos do laboratório paralisados por falta de pessoal especializado e de reagentes.
Tal como para as outras unidades hospitalares da Huíla, a sua quota financeira mensal é de 779 mil kwanzas, quando mensalmente o estabelecimento necessita de pelo menos cinco milhões de kwanzas para minimizar as despesas.

Tuberculose
          
As autoridades sanitárias da província estão preocupadas com o aumento de casos e de mortes provocadas pela tuberculose, no Hospital Sanatório do Lubango, durante o primeiro trimestre deste ano. Ao longo desse período, os casos de tuberculose no Hospital Sanatório aumentaram para 634, contra os 485 de igual trimestre do ano passado. Dos casos registados de Janeiro a Março do corrente ano, 81 resultaram em mortes. A directora-geral do Sanatório, Francisca de Carvalho, prestou esta informação no quadro de uma visita que o grupo de deputados da Assembleia Nacional, do ciclo provincial da Huíla, efectuou àquela unidade sanitária. Francisca de Carvalho explicou que existe uma tendência para o aumento do número dos casos de tuberculose, devido a má nutrição, consumo exagerado de álcool, uso de tabaco e pobreza de algumas famílias. A maior parte dos indivíduos que entram no hospital com esta patologia saem curados, uma vez que são submetidos a um tratamento intensivo e depois de dois meses passam para a segunda fase ambulatória em que levam a medicação para casa.
“O hospital debate-se com enormes dificuldades para prestar uma assistência médica e medicamentosa condigna aos pacientes que acorrem aos serviços. A exiguidade das quotas mensais tem limitado o funcionamento normal”. Com um orçamento mensal de 700 mil kwanzas torna-se impossível garantir alimentação e medicamentos, ao mesmo tempo que se zela pela manutenção do imóvel, que já apresenta fissuras, infiltrações, casas de banho inoperantes e limpeza. Francisca de Carvalho disse que a instituição contraiu dívidas para aquisição de medicamentos, no valor de oito milhões de dólares, que não está a conseguir honrar.
“A estrutura do hospital foi concebida para 50 camas mas, devido à grande afluência de pacientes, estamos a internar uma média de 80 doentes, o que obriga a acomodar alguns no corredor, aumentando os riscos de contágio”, referiu.
Face a esta realidade, o coordenador adjunto do grupo parlamentar do ciclo provincial da Huíla, Alfredo Berner, prometeu influenciar as autoridades competentes no sentido de melhorar a situação. O deputando louvou ainda a coragem dos três médicos e dos 60 enfermeiros que labutam naquela unidade e considerou-os verdadeiros heróis, porque, apesar das dificuldades, estão firmes na missão de salvar vidas.

Dificuldades

Berner, que chefiou uma visita de trabalho do grupo parlamentar do MPLA do ciclo provincial da Huíla ao Hospital Central, Pediátrico, Maternidade, Psiquiatria, Sanatório e Hospital Municipal da Mitchia, esteve acompanhado pelos deputados Isabel Ndala e Ágata Raimudo. No Hospital Psiquiátrico, o primeiro a ser visitado, as condições encontradas deixaram muito a desejar, por faltar de tudo um pouco, como água, medicamentos e ambulância, além das instalações se encontrarem em escombros. A directora da psiquiatria, Madalena Nachavano, informou os deputados de que a unidade está a receber, desde o início do ano, uma quota financeira mensal de 160 mil kwanzas, valor exíguo para fazer face às despesas correntes. “A verba só chega para cobrir a alimentação, porque os medicamentos para este tipo de patologia são escassos no mercado e quando aparecem são caros. Falta também material gastável e de limpeza”, disse.
Os deputados constataram que no Hospital Pediátrico muitas crianças estão internadas nos corredores, por a capacidade de internamento ser de 150 pessoas, mas o número actual de pacientes é de 211.
O director-geral da Pediatria, Simba Nafilo, informou que os 600 mil kwanzas que recebem como quota mensal são insuficientes para cobrir despesas, como a aquisição de medicamentos, alimentação, combustíveis, oxigénio e outras. Simba Nafilo disse que a solução da pediatria do Lubango passa pela construção de um outro hospital, com capacidade para pelo menos 300 camas e reforçar os serviços de saúde a nível dos bairros periféricos.
No final da visita, Alfredo Berner tranquilizou as direcções hospitalares dizendo que melhores dias virão para o sector, porque as autoridades governamentais estão atentas a estas situações.
 O parlamentar salientou que os deputados não têm competência para decidir nada, mas prometeu influenciar, quem de directo, para a solução destas questões o mais depressa possível, pois “a saúde não pode esperar”.

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