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Fomento à habitação está a incentivar fixação

Arão Martins | Lubango

As acções de construção e reabilitação de infra-estruturas, no quadro dos programas de Fomento Habitacional e de  Combate à Pobreza, em curso no município de Chipindo, estão a incentivar os funcionários públicos a fixarem residência.

Construção de novas moradias a nível de Chipindo na Huíla está a atrair centenas de habitantes e a dignificar mais os quadros locais
Fotografia: Arimateia Baptista|

As acções de construção e reabilitação de infra-estruturas, no quadro dos programas de Fomento Habitacional e de  Combate à Pobreza, em curso no município de Chipindo, estão a incentivar os funcionários públicos a fixarem residência.
Ao contrário dos outros anos, em que os funcionários evitavam trabalhar na municipalidade por falta de condições de acomodação, hoje o cenário é mais convidativo, como explicou a jovem Analtina Cutassi, de 20 anos, quadro da administração municipal há quatro.
A jovem escriturário, natural do Huambo, esclareceu que, em 2008, quando foi admitida em concurso publicou, o município vivia uma monotonia que afugentava qualquer técnico, pois não havia estruturas para albergar os funcionários públicos. Fruto dessa situação, os quadros abandonavam o município em direcção outras localidades da província da Huíla.
Antes, a nível da sede municipal, as únicas estruturas que existiam eram a administração e a residência do administrador. Energia eléctrica, escolas, unidades sanitárias eram coisas do imaginário. “Nada disso aqui existia, nem tínhamos um horizonte de quando esses problemas iam ser resolvidos”, recorda.
Ao mesmo tempo, recordou Analtina, centenas de crianças estavam sem estudar, enquanto outras poucas frequentam aulas em espaços improvisados e ao ar livre.
Actualmente, constatou o Jornal de Angola, as coisas mudaram de forma significativa. Os serviços de saúde e escolas, que funcionavam em locais improvisados, já contam com instalações próprias, propiciando um melhor atendimento dos habitantes.
Cecília Mulangui, de 28 anos, é professora do ensino secundário do primeiro ciclo na sede municipal de Chipindo, há cerca de cinco anos. Segundo ela, as obras de construção e reconstrução naquela parcela da província da Huíla estão a dar outra dinâmica à vida dos munícipes, o que não se registava há quatro anos.
“Hoje, o município cativa qualquer cidadão que queira ingressar na função pública, pois alterou-se a situação em que a localidade estava isolada de quase tudo, e até as casas e bairros eram muito distantes uns dos outros”, lembrou.

A importância das estradas

Nos outros anos, salienta a professora, para se atingir a sede de Chipindo, partindo da província do Huambo, os habitantes corriam muitos riscos ao atravessar o rio Cunene de canoa. Hoje, o quadro mudou, com a reposição da ponte, no troço que liga os municípios da Caála, na província do Huambo, ao Chipindo, o que fez renascer as esperanças das populações locais.
Cecília Mulangui referiu que esta ponte, além de permitir fluidez na circulação, também está a contribuir para que muitos quadros tenham a possibilidade de frequentar o ensino superior nas universidades da província do Huambo, sem dificuldades. O professor Mariano Calunga salienta que a construção de mais escolas está a permitir reduzir, em grande medida, o número de crianças fora do sistema de ensino, principalmente nas comunas do Bunjei e Bambi e nas localidades de Ndovala e Mbuloteque.
Apesar dos avanços, os funcionários estão preocupados com a falta de uma agência bancária, o que faz com que muitos técnicos, na altura do pagamento dos salários, continuem a fazer levantamentos dos ordenados noutras paragens.

O sonho da casa própria


O Programa de Fomento Habitacional também está a contribuir para que muitos habitantes comecem a sonhar com a possibilidade de ter casa própria.
No dia 23 de Março, a localidade lançou a abertura do concurso público para a construção de 40 casas, em benefício dos jovens locais.
“Isso faz com que as pessoas fiquem aqui a trabalhar, tanto na sede municipal, como nas outras localidades”, assegura.
Quando chegou ao Chipindo, recorda o professor, era obrigado a arrendar casas, algumas sem condições. Mas, com este programa de construção de residências, as coisas vão mudar, uma vez que muitos quadros vão passar a dispor dessas casas. O Programa de Fomento Habitacional permitiu erguer, até ao princípio deste ano, 12 residências do tipo T3, para acolher os técnicos da Educação, Saúde, Agricultura, Energia e Água, Polícia Nacional, entre outros.

Outras acções

No âmbito do Programa de Combate à Pobreza, foram construídos dois postos de saúde, nas localidades de Ndovala e Mbuloteque e nas comunas de Bambim e Bunjei.
O município conta ainda com um centro comunitário infantil, com capacidade para albergar mais de 100 crianças na sede municipal.
O administrador municipal, Daniel Salupassa, garantiu que vão haver ainda muitas mudanças a nível das acções de construção de novas infra-estruturas, para melhorar cada vez mais a vida das populações.
As 200 casas a serem erguidas, no quadro do programa de construção para todos os municípios do país, vão dar igualmente outra dignidade aos municípios do Chipindo, que iniciou a erguer as primeiras 40 residências.
Para materializar a empreitada de construção das primeiras 40 moradias de tipo T3,no Chipindo, o Executivo está a empregar mais de 200 milhões de kwanzas.
 As obras deram emprego directo a mais de 40 jovens da municipalidade, como referiu o encarregado de obras, Hélder Soares, que explicou que para que facilitar os trabalhos, a empresa encarregue pela construção deslocou para lá uma máquina, com capacidade para fabricar nove blocos por minuto.
As primeiras 20 casas são entregues em Agosto e as outras 20 vão ser concluídas em Outubro, garantiu o encarregado.

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