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Frutas e hortícolas na Humpata ao preço da chuva

Estanislau Costa| Lubango

Na província da Huíla o município da Humpata é famoso pela imensa variedade das suas frutas, cuja produção cresce todos os anos.

O mercado da Humpata é um verdadeiro mostruário do que há de melhor em matéria de frutas na província da Huíla
Fotografia: Estanislau Costa

Na província da Huíla o município da Humpata é famoso pela imensa variedade das suas frutas, cuja produção cresce todos os anos. Os produtores encontram dificuldades de escoamento dos seus produtos, apesar de nos últimos tempos o mercado da Humpata ser cada vez mais procurado por compradores provenientes de várias regiões do país.
A vila da Humpata está situada 25 quilómetros a oeste da cidade do Lubango. O comércio informal está cada vez mais forte e ocupa muitas mulheres e adolescentes que fazem da venda nos mercados informais a principal fonte de sustento das suas famílias. Mas os comerciantes almejam melhores condições para desenvolverem a sua actividade num ambiente de maior dignidade, segurança e conforto.
As autoridades estão a desenvolver acções para moldar a imagem dos mercados, esses locais públicos de convergência de vendedores e clientes, com vista a convertê-los numa mais valia para fortalecer as economias locais.
Os produtores de frutas e outros bens agrícolas da Humpata vão, a partir de Maio próximo, desenvolver as suas actividades em melhores condições, com a abertura do novo mercado municipal.
As obras do mercado estão em fase de acabamento. Para além do espaço para venda, o mercado tem áreas para a construção de outras infra-estruturas de prestação de serviços. 
O mercado tem capacidade para 200 vendedores em lojas e bancadas individuais, além de instalações administrativas. A empresa local que construiu o mercado garante a abertura ao público no dia 1 de Maio próximo.
O responsável da área técnica da construtora, Miguel António, afirmou que estão criadas as condições mínimas para que o novo mercado municipal da Humpata ofereça melhores condições aos negociantes e aos clientes.
“A construtora empenhou-se o suficiente para imprimir qualidade no saneamento básico e criar meios para a segurança e conservação dos produtos, sobretudo da fruta e outros bens perecíveis”, garantiu.
 
Riqueza em frutas
 
O município da Humpata é uma das referências na produção e comércio de produtos hortícolas e frutas. Esta razão faz com que haja afluência de clientes provenientes do Lubango e de outros pontos do país, nomeadamente Luanda, Namibe, Benguela, Cunene, Lunda-Norte e Lunda-Sul.
O actual mercado está cheio de barracas de pau a pique cobertas com plástico. Os vendedores expõem de uma forma precária e sem condições de higiene peras, maçãs, goiabas, ameixas, laranjas, tangerinas, pêssegos, mangas, hortaliças e os famosos morangos.
A abundância e diversidade dos produtos agrícolas locais tornam os preços acessíveis, dando pertinência ao consagrado slogan “preços da chuva”. Os preços extremamente baixos facilitam o escoamento da maior parte da produção.
Por exemplo, cinco quilos de pêra, laranja, tangerina ou goiaba estão cotados entre 200 e 500 kwanzas. A maçã, o morango e o pêssego têm preços relativamente altos, dois quilos podem custar entre mil e dois mil kwanzas.
O potencial agrícola das terras da Humpata é melhorado com o clima ameno e húmido e pela água da Barragem das Neves, cujo canal pode irrigar mais de 1.300 hectares.
A água conservada na albufeira da Barragem das Neves, cujo sistema de irrigação está a necessitar de obras de restauro, corre para várias fazendas, algumas delas reactivadas para o cultivo há três anos, contando já com pomares repovoados.
O tempo da colheita das frutas e das hortaliças movimenta milhares de camponeses. Em todas as estradas e picadas vemos dezenas de carroças puxadas por bois. Os produtores madrugam nas fazendas, carregam os produtos e transportam-nos para o mercado paralelo da Humpata. Aqui, são aguardados por gente proveniente de vários pontos do país. Efectua-se então a permuta dos produtos e, depois do negócio fechado, entre vendedores e comerciantes reina a satisfação.

Onda crescente

Os produtos são expostos ao sol, factor que reduz o tempo de conservação . Para além de não possuir condições ideais para o desenvolvimento do comércio, o mercado informal é manifestamente incapaz de albergar a crescente onda de compradores. Espera-se que este problema seja finalmente resolvido em Maio, com a entrega do novo mercado.
Fruticultores, revendedores, consumidores e outras pessoas que passam o dia a dia na praça congratulam-se com as autoridades locais, pela construção do novo mercado. 
Dona Nambele, vendedora de morangos e ameixas há dez anos, enaltece a iniciativa da Administração Municipal da Humpata pela construção do mercado, que vai finalmente acabar com a preocupação de arranjar um local seguro para conservar os produtos.
“Não tenho barraca na actual praça. Por isso tenho tido prejuízos com os morangos e ameixas. São frutas que não resistem muito ao calor e são fáceis de estragar quando muito expostas ao sol”, disse Nambele, sublinhando que no novo mercado vai estar mais à vontade.
O fruticultor Alexandre César considera que o novo mercado vai trazer mais higiene, segurança, controlo dos produtos e combate à especulação dos preços. “Há pessoas que se desleixam dos cuidados higiénicos nos locais de venda e fogem à uniformização dos preços. Isto agora vai mudar”, disse.
A fruta e as hortaliças, referiu o fruticultor, “vão deixar de ter como montra as carroças, os sacos de plástico no chão ou outros recipientes. Agora todos vão ter barracas boas e cómodas”. 
 
Facilidades de escoamento

Os produtores do município da Humpata, alguns deles com boas safras de fruta e hortaliças, como resultado da renovação das plantas e aumento dos espaços lavrados, comercializaram este ano, quantidades consideráveis de laranja, tangerina, pêra, maçã e ameixa.
O fácil acesso a partir das províncias de Benguela, Namibe, Huambo e outras zonas do país, devido às excelentes estradas, à abertura de vários estabelecimentos comerciais, unidades de hotelaria e turismo impulsionaram a procura de fruta e hortaliças.
A procura dos produtos cresce a cada colheita, facto que tranquiliza os fruticultores por evitar o desperdício de quantidades consideráveis de frutas e hortaliças e serve de incentivo ao aumento da produção todos os anos.
O Jornal de Angola apurou, na Humpata, que há fruticultores que aguardam pela conclusão da estrada Lubango-Ondjiva para exportarem a fruta da província da Huíla, principalmente o morango e o mirangol, para a vizinha República da Namíbia.
O passo inicial, na província da Huíla, para conferir maior dignidade aos vendedores informais aconteceu na localidade do Mutundo, arredores da cidade do Lubango, com a construção de um vasto e moderno mercado para acomodar mais de mil negociantes, então concentrados na praça do Tchioco.

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