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Ganadeiros pedem apoio do Executivo para industrialização da agro-pecuária

André Amaro | Lubango

Os criadores de gado da região sul de Angola querem o apoio do Executivo para a industrialização do sector agro-pecuária, para travar a importação de carne, combater a fome e reduzir a pobreza.

O projecto de desenvolvimento da cooperativa tem como objectivo adquirir equipamento agrícola e meios de transporte adequados
Fotografia: André Amaro

Os criadores de gado da região sul de Angola querem o apoio do Executivo para a industrialização do sector agro-pecuária, para travar a importação de carne, combater a fome e reduzir a pobreza.
O presidente da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), Luís Nunes, manifestou este desejo no fim-de-semana, à margem das comemorações do Dia do Criador, realizado numa das fazendas associadas.
“Uma vez industrializado, o sector agro-pecuária vai permitir a substituição da carne importada com grandes vantagens para a nossa balança comercial, gera riqueza para os nacionais, combate a fome e reduz a pobreza”, disse o presidente da cooperativa.
Luís Nunes sublinhou que a cooperativa aguarda pela formalização de um convénio com o Executivo “para nos ser concedida a gestão de um matadouro industrial de bovinos, caprinos, suínos e antílopes com o aproveitamento dos sub produtos, cujo construção é possível num terreno da cooperativa, já adquiro para este fim”.
O projecto de desenvolvimento da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola visa adquirir gado, equipamento agrícola e meios de transporte adequados, cuja execução da primeira fase está em curso, com a concessão de crédito às fazendas.

Conselho de produtores

O Dia do Criador no Lubango foi marcado pela realização de um leilão de gado e troca de experiências entre os melhores criadores do país. O ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Pedro Canga, presente na cerimónia, elogiou a iniciativa. Pedro Canga considerou o Dia do Criador como “uma oportunidade para debates técnicos e para encontrar soluções adaptáveis à nossa realidade, troca de experiências que contribuem para o crescimento do sector agro-pecuário. Estou convicto que vamos vencer a batalha da fome, diminuir a importação de carne a partir desta região, mas também estamos atentos aos investimentos que estão a ser feitos na região norte, nas províncias de Malange, no planalto de Camabatela no leste e centro do país”. />O ministro Pedro Canga aproveitou a ocasião para anunciar a realização, ainda no decorrer deste mês, do primeiro conselho de produtores agro-pecuários e das pescas na província de Benguela, para abordar os problemas e perspectivas nas duas áreas.
“Nós também participamos para que os resultados sejam melhores. Por isso convocamos para este mês a primeira cessão de conselho de produtores agro-pecuários e das pescas que tem lugar na província de Benguela. Vamaos discutir os nossos  problemas”, disse.
No conselho vão ser discutidos problemas relacionados com a criação de gado, produção de carne e pescas, e definidas estratégias para os próximos tempos.

Matadouro industrial

A Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola tem um projecto de construção de um matadouro industrial com capacidade para abater diariamente 200 cabeças de bovinos, caprinos, suínos e animais de caça.
O presidente da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola, Luís Nunes, afirmou que o matadouro industrial faz parte do projecto de desenvolvimento da instituição que passa pela organização empresarial, construção da sede da cooperativa, um armazém, uma unidade de assistência técnica móvel, abertura de dois talhos e formação de técnicos e fazendeiros.
O projecto está orçado em nove milhões de dólares e é implantado numa área de 21 hectares, adquiridos pela cooperativa e localizados a 25 quilómetros do centro da cidade do Lubango, na estrada que liga à Chibia.
Luís Nunes disse que está em curso um programa de melhoramento da carcaça do gado regional, controlo da sanidade animal e formação profissional para os agentes da actividade agro-pecuária.
Igualmente está em execução um estudo que visa a instalação de um sistema para tirar água do rio Cunene, numa extensão de 150 quilómetros, para dar de beber ao gado e para abastecimento das populações nas zonas mais áridas das províncias da Huíla e Cunene.

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