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Governo quer incineração de resíduos hospitalares

Arão Martins | Lubango

O lixo hospitalar das unidades sanitárias da cidade do Lubango está a ser depositado de forma inapropriada no aterro sanitário de Mututu, na localidade de Luyovo, constituindo deste modo um atentado à saúde pública, denunciou ontem ao Jornal de Angola a directora municipal da Saúde, Judith Santos.

Muita gente desfavorecida acorre à lixeira à procura de alimentos e outros produtos
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

“As entidades competentes já estão a trabalhar para inverter  este quadro”, disse Judith dos Santos, acrescentado que “os resíduos hospitalares não devem ser depositados em qualquer lugar, pois o processo de recolha e tratamento obedecem a critérios diferentes de lixo normal”.  
Segundo aquela responsável, muita gente da cidade, que passa por dificuldades extremas e  vai ao referido aterro sanitário à procura de alimentos, também leva para casa algum lixo hospitalar. “Isso constitui um verdadeiro atentado à saúde pública. Por isso, as entidades competentes devem velar pelo apetrechamento das unidades sanitárias locais, ou seja estas instituições devem estar equipadas com incineradoras”, apelou. “Todos nós”, prosseguiu Judith dos Santos, “temos a obrigação de participar neste processo que é do interesse geral”.
A responsável do sector da Saúde na cidade capital da província, diz não compreender as razões que levam alguns centros e postos médicos a não utilizarem a incineradora de hospitais públicos, preferindo depositar o lixo em locais impróprios. “Estamos a trabalhar para localizar as entidades que depositam os resíduos hospitalares no aterro sanitário e tomarmos as medidas que se impõem. Por exemplo, o Hospital Central do Lubango tem incineradora, onde as unidades privadas podem depositar o seu lixo, mas não o fazem. Não consigo compreender !”, disse.
“Por exemplo”, disse ainda Judith dos Santos, “o hospital do Cristo Rei, tem uma incineradora muito prática e barata. Já aconselhamos às clínicas do Lubango a comprarem um equipamento do género, ou na pior das hipóteses, utilizarem a mesma e pagarem pelos serviços um valor que é insignificante”.
O aterro sanitário de Mututu, na cidade do Lubango, é frequentado por populares que vivem nos bairros Ferro, Tchiteta, Massonjo, Camujengue, entre outros.
A interlocutora do Jornal de Angola fez saber que o governo da Huíla tem em carteira a criação de aterros sanitários “devidamente estruturados” em várias regiões da província. “Este projecto será implementado na perspectiva da manutenção do saneamento básico, que também é uma questão de saúde pública, visando a garantia da sanidade do meio”, disse.

Aterro sanitário do Lubango
O aterro sanitário do Lubango, orçado em 26 milhões de dólares, foi construído em 2010, através do Programa de Investimentos Públicos (PIP).
A empresa angolana Tuamutunga, foi a empreiteira que conduziu as obras num período de 70 dias. As instalações têm 100 metros de largura e dez de  profundidade.
“Antes de ser construído o aterro sanitário, o local foi objecto de um estudo de impacto ambiental”, disse a directora Judith dos Santos.  O Jornal de Angola esteve no aterro sanitário por algumas horas e observou no local muita gente , maioritariamente criança no meio do lixo tendo encontrar algo do seu interesse. Na verdade, o risco de contrair doença, por parte dos que frequentam o lugar é elevadíssimo,
"Tenho estado aqui quase diariamente a procura de algo de valor. Algumas vezes encontro roupa, outras alimentos ainda em condições para o consumo", disse um cidadão que abordamos no local, com aparência de meia-idade, e que preferiu o anonimato.

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