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Grupo Khoisan com apoio na integração social

Arão Martins| Lubango

Joaquim Manuel, do grupo étnico khoisan, tem as sementes de milho, massango, massambala no balaio. E vai colocando-as na terra. Cada passo que dá, à mesma distância, semeia os cereais no campo de cultivo na localidade da Hupa, município de Cacula, província da Huíla.

Membros da comunidade Khoisan receberam sementes e instrumentos de trabalho para poderem aumentar a produção de alimentos
Fotografia: Arão Martins | Lubango

O idoso é seguido por uma junta de gado de tracção animal, oferecida pelo Programa de Apoio às Famílias da Tribo San.
O apoio às famílias da localidade da Hupa, município da Cacula, está inserido no projecto desenvolvido pelo Governo, através das direcções provinciais da Agricultura e da Assistência e Reinserção Social (MINARS), no quadro do programa de segurança alimentar em prol dos khoisan.
Esta acção faz parte do programa da Organização Cristã de Apoio ao Desenvolvimento Comunitário, em parceria com a Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural, e contempla 150 famílias .
Manuel Jorge, oficial de campo da organização cristã, informou que, para a campanha agrícola em curso, foram preparados, de forma mecanizada, 300 hectares, que estão a ser cultivados para colher milho, massango, massambala  massango e outros produtos.
O projecto está a ser financiado pelos Serviços de Cooperação e Acção Cultural da Embaixada de França em Angola, no quadro da cooperação existente entre os dois países e é executado no intervalo que vai de 2013 a 2015. No princípio da campanha agrícola, as famílias khoisan receberam 15 cabeças de gado bovino para tracção animal, três toneladas de sementes de milho, massango, massambala, gergelim e ginguba. Benedito Quessongo, director executivo do programa, explicou que o projecto tem como finalidade o reforço da capacidade produtiva da comunidade san, não só do município da Cacula, mas de outros que estão empenhados no trabalho do campo.  Quessongo afirma que o projecto, que abrange os municípios da Cacula, Quipungo, Matala e Chibia, onde vivem famílias da mesmo grupo étnico, foi proposto durante um estudo de viabilização feito e apresentado pela comunidade para quebrar o ciclo vicioso de insegurança alimentar que se regista há muito tempo, com a produção agrícola sustentada e acompanhada, para que as pessoas tenham alimentos suficientes, em quantidade e qualidade. O Governo Provincial da Huíla, através da Direcção Provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social, controla 3.455 pessoas, num total de 798 famílias da tribo khoisan. A directora provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), Maria Diogo Casimiro, disse que o Lubango controla 1.354 pessoas, Quipungo 551, Cacula 537, Matala 341, Jamba 333, Chibia 292 e Cacula 47.
As políticas do Executivo permitiram unir as famílias e evitar a sua dispersão, disse o representante da comunidade khoisan na Huíla, Zeferino Piriquito, indicando que estão identificadas famílias Khoisan na comuna de Capunda Cavilongo, Mulondo, na Matala, Hombo, Hupa e Dindi, no Quipungo e Tchikuaqueia, na Cacula. A estas localidades, assegurou Maria Casimiro, o Governo, no quadro do programa de combate à pobreza, construiu e reabilitou escolas, o que permitiu inserir centenas de crianças no sistema de ensino gratuito. “Os khoisan são por sua natureza nómadas. Os tempos mudaram e a situação social idem e está-se a trabalhar no sentido de adaptá-los a uma nova situação”, disse Maria Casimiro. Há projectos na agricultura, educação, formação profissional, que têm permitido à população trabalhar também em outras áreas.
No município de Quipungo há cooperativas muito bem localizadas da população khoisan, onde foram integrados jovens na área de mecânica e recauchutagem.

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