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Hoque ganha fôlego com novas estradas

Estanislau Costa e Arão Martins| Lubango

A estrada reconstruída pelo Executivo Angolano, no Hoque, 54 quilómetros a Norte da cidade do Lubango, está a impulsionar o desenvolvimento da comuna e das regiões limítrofes. Os agricultores já não receiam aumentar a produção devido a facilidade de escoamento e estão a reembolsar os produtos recebidos a crédito na fase do início da campanha agrícola.

A estrada que dá acesso à localidade foi reabilitada para melhorar a livre circulação
Fotografia: Estanislau Costa| Lubango

A estrada reconstruída pelo Executivo Angolano, no Hoque, 54 quilómetros a Norte da cidade do Lubango, está a impulsionar o desenvolvimento da comuna e das regiões limítrofes. Os agricultores já não receiam aumentar a produção devido a facilidade de escoamento e estão a reembolsar os produtos recebidos a crédito na fase do início da campanha agrícola.
O verdejar de diversas culturas no vasto campo de cultivo, reanima Maria Camata e Catarina Luepi a retirar os obstáculos que atrapalham o curso normal da água nas valas de irrigação, abertas manualmente nas margens do rio Hoque.
O trabalho é árduo. Começa às primeiras horas da alvorada, com interrupção para o almoço, e reinicia por volta das 15 horas. As plantas de tomate, repolho, cebola, alho, cenoura e pimenta “bebem” água duas vezes ao dia, facto que exige paciência das senhoras.
Maria Camata e Catarina Luepi são duas amigas, herdeiras de um hectare de terra situado próximo do rio Hoque, na comuna com o mesmo nome. O campo de cultivo das senhoras fica a menos de 200 metros do bairro onde habitam, com um agregado composto por 14 pessoas.
A proximidade da “naca” com o bairro faz com que as duas agricultoras estejam, na época do cultivo, permanentemente no campo, para inviabilizar as más intenções de pessoas. “As pessoas que não gostam de lavrar a terra roubam os produtos durante as safras. Por isso, estamos sempre a vigiar”, disseram.
As hortícolas que produzem, além de servir para alimentação familiar, são escoadas para os mercados da sede da província, Lubango, para comercialização. Os resultados satisfatórios da produção e da venda motivam Maria e Catarina a aumentar o cultivo, com a aposta em mais fertilizantes.
As duas senhoras fazem parte de uma das 38 associações de camponeses da comuna do Hoque, que, a cada início da campanha agrícola, recebem sementes, imputes e fertilizantes da direcção da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
Os bons resultados alcançados pelos camponeses filiados em agremiações está a permitir o reembolso do crédito dos meios agrícolas.
O administrador da comuna do Hoque, Jacinto Sakanye, disse que “os produtores estão a cumprir com os pressupostos, levando quantidades de milho, massango, massambala, feijão e outros produtos do campo”.
A maioria dos produtores, acrescentou, está satisfeita com a reconstrução da estrada Lubango-Cacula, com um percurso de 90 quilómetros, feita por uma construtora brasileira ao abrigo do programa de reconstrução das principais vias, levada a cabo, há quatro anos, pelo Executivo.
Os produtores, ainda de acordo com o administrador, são unânimes em reconhecer que a reconstrução da estrada, passando pela comuna do Hoque, reanimou as várias vertentes da vida do município.
“Antes de termos boas vias, era muito difícil trabalhar a terra, por causa da falta de sementes, imputes, fertilizantes e do escoamento dos produtos”, disse Jacinto Sakanye.
O agricultor Fernando considerou que a comuna começou a se desenvolver com a reparação da estrada, possibilitando a chegada de mais visitantes que vêm procurar produtos do campo, terrenos para o cultivo, entre outros. “Também já é fácil a gente da comuna viajar para o Lubango, Benguela, e Huambo com os novos autocarros”, disse.
A comuna regista actualmente um crescimento socioeconómico acentuado, com a execução de diversos programas desenvolvidos pelo governo provincial.
Um dos exemplos apresentados pelo administrador da comuna, Jacinto Sakanie, é a execução do programa “Água para Todos”, que permitiu levar a água para as populações e gado para zonas mais recônditas, com realce para povoações, quimbos e outros sítios.

Hoque está a crescer

Os sectores do Toco, Mucuio, Tchei-Tchei e Tchikala possuem agora sistemas de captação e distribuição de água potável situados mais próximo da população. Nestas zonas, a população contemplada “é sensibilizada e mobilizada a utilizar a água para o consumo e a preservar as infra-estruturas construídas para o efeito”.
O administrador comunal, que sublinhou haver ainda localidades com deficiência no abastecimento de água, garantiu que estão em curso acções que visam criar novos sistemas para os bairros Simione Mukune, 1º de Maio, Hoji-ya-Henda, entre outras, no centro da vila.
A iluminação pública e nas residências é assegurada por três geradores potentes. Foram executadas obras que incidiram na ampliação da residência oficial, palácio e outras infra-estruturas político-administrativas.
A comuna possui 38 escolas do I e II ciclo, das quais uma construída recentemente, que albergam 14.600 alunos, concentrados nos sectores da Tchengue, Mucuio, Toco, Tchakala e outros. “O nosso empenho é enquadrar o maior número de crianças no sistema de ensino e aprendizagem”, disse Jacinto Sakanye.
A construção de mais estabelecimentos de ensino na comuna, afirmou, visa evitar que as crianças percorram longas distâncias, facto que tem repercussão no aproveitamento escolar. “Já tivemos crianças que percorriam 20 a 40 quilómetros para atingir as escolas. Hoje, o quadro é outro. As escolas estão perto”, disse.
Asseguram as aulas 248 professores, mas para reduzir a cifra de três mil crianças fora do ensino, a comuna vai contar com outros 120 docentes, admitidos recentemente por concurso público, realizado na província da Huíla.

Sector da Saúde

A comuna do Hoque possui um serviço de saúde capaz de atender os casos menos delicados, com destaque para a malária, diarreias agudas e doenças respiratórias. No primeiro semestre, pelo menos 10 mil pacientes receberam assistência médica e medicamentosa.
O sector da Saúde conta com oito centros de saúde construídos de raiz, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos.
Os centros possuem consultórios, farmácias e salas de pré-parto, parto e pós-parto.
Os técnicos de Saúde Pública e Controlo de Endemias, bem como os activistas de diversas organizações, desenvolvem, com frequência, campanhas de sensibilização sobre a prevenção da malária, de desinfestação e de distribuição de mosquiteiros impregnados, bem como outras acções para conter a doença.
A quantidade de mosquiteiros distribuídos, nos últimos três meses, ronda os 25 mil, onde a prioridade foi para as famílias que vivem em zonas propensas ao contágio da malária. Um técnico da Saúde Pública explicou que “às famílias são ensinados os métodos de uso do mosquiteiro, eliminação das águas estagnadas e outros procedimentos”.

Programa de expansão

O projecto de expansão e de novas áreas urbanizadas aguarda por financiamentos para a sua execução. A área disponível para o efeito é de 450 mil metros quadrados e vai comportar 400 talhões para a construção de casas, arruamentos, valas de drenagem e iluminação pública.
A nova área a ser urbanizada vai ter também espaços para a construção de escolas, centros médicos, campos desportivos, unidades hoteleiras e espaços turísticos. “A ideia da expansão da comuna visa responder às várias solicitações de entidades singulares e colectivas”, disse o administrador.

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