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Huíla está a vencer luta contra a malária

Estanislau Costa| Lubango

A casa da família do pequeno António Tchiumbo, localizada no bairro Nambambi, arredores da cidade do Lubango, regista diariamente um movimento característico que envolve adultos e crianças no momento que antecede a ida para a cama. A prevenção da malária é uma tarefa de todos e de cada um em casa da família Tchiwé.

Milhares de mulheres em estado fértil e crianças receberam mosquiteiros impregnados com insecticidas
Fotografia: Estanislau Costa| Lubango

A casa da família do pequeno António Tchiumbo, localizada no bairro Nambambi, arredores da cidade do Lubango, regista diariamente um movimento característico que envolve adultos e crianças no momento que antecede a ida para a cama. A prevenção da malária é uma tarefa de todos e de cada um em casa da família Tchiwé.
António Tchiumbo, Maurito, Jamba e Kassinda, ajudam os pais a colocar os mosquiteiros impregnados. Os garotos tudo fazem para evitar qualquer abertura susceptível de deixar passar os mosquitos nos locais onde estão posicionadas as camas dos três quartos. Os gémeos – Jamba e Kassinda – na sua ingenuidade infantil, são os mais irrequietos, e de tanto puxarem os mosquiteiros, já causaram várias vezes danos, obrigando Dona Joana Albertina, a mãe, a remendar constantemente as partes rotas.
A barulheira da garotada contínua até os pais se certificarem que os "escudos" postos à volta das camas estão bem posicionados e capazes de travar as investidas dos insectos responsáveis pelo contágio da malária no seio das famílias da periferia da Serra da Chela e não só.
Dona Joana Albertina explicou ao Jornal de Angola que este procedimento rotineiro existente em sua casa desde meados do ano passado se tornou uma norma respeitada por todos. "As crianças sentem-se inseguras e não conseguem dormir sem o mosquiteiro nas camas", disse. A sua casa, explicou, é uma das pulverizadas do bairro com a campanha realizada, no ano passado. O programa, promovido pelo Governo e parceiros, visa o combate aos insectos transmissores de doenças, com realce para a malária, que desestabiliza muitas famílias.
O processo de distribuição de mosquiteiros, dando especial atenção às mulheres grávidas e às crianças, e a implementação das campanhas de pulverização de casas da periferia do Lubango, contribuiu substancialmente para reduzir o contágio da malária e de outras doenças. Os resultados do programa são satisfatórios. Por exemplo, em casa de Dona Joana, no ano transacto, apenas um dos filhos teve malária e o recurso com urgência ao hospital pediátrico do Lubango fez com que se evitassem as complicações. "O Tchiwé não internou e teve cura rápida porque nos apercebemos da doença". O procedimento preventivo do contágio da malária já é respeitado por um número considerável de famílias da cidade do Lubango. As donas de casa dos bairros Maringa, Nambambi, Comandante Cow Boy, Lalula e de alguns municípios da província da Huíla não dispensam o uso do mosquiteiro.
 
Mosquiteiros para as famílias
           
O departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, no quadro da execução do Programa Especial de Combate à Malária, levado a cabo no ano findo, distribuiu, em várias famílias que habitam nas comunas do município do Lubango, mais de 155 mil mosquiteiros impregnados com insecticidas.
O programa, que dedicou mais atenção às mulheres grávidas e mães de menores de cinco anos, incluiu a entrega gratuita de anti-palúdicos, com realce para o Fansidar, e fármacos destinados a outros fins, como paracetamol, vitamina A, ácido fólico e albendazol.
Para os demais municípios da província da Huíla consta igualmente a distribuição de 14 mil mosquiteiros na Chibia e 13 mil em Caconda, na Matala, Jamba e Gambos. Foram ainda contemplados Quipungo, Cuvango, Caluquembe, Quilengues, Cacula, Chicomba e Humpata.
As famílias, principalmente do Lubango, Chibia, Quilengues, Quipungo, Gambos e Matala, além de terem protectores e medicamentos, aprenderam técnicas de eliminação de dejectos, águas desnecessárias, lixo e recipientes e charcos favoráveis à procriação de mosquitos.
O técnico de saúde Osvaldo Maria, que participou na campanha de sensibilização para a prevenção da malária na comuna da Huíla (Lubango), afirmou que os métodos utilizados para ensinar a população a combater o lixo e locais de reprodução dos mosquitos são de rápida assimilação.
"As pessoas devem estar consciencializadas que o lixo e águas paradas produzidas por eles próprios constitui o principal foco de criação e esconderijo dos insectos causadores da doença em referência e com a capacidade de infectar numa só casa várias pessoas", sublinhou.
Quando um grupo de famílias de um bairro tiver consciência da importância da higiene dos espaços onde habita, vão ser sistematicamente banidos os focos reprodutivos do mosquito do género anopheles e os casos de contaminação da doença.
 
Pulverização abrangente
 
A campanha de Pulverização Residual Interdomiciliar (PRI), realizada entre Janeiro e Dezembro do ano passado, nos municípios do Lubango, Chibia e Humpata, província da Huíla, contemplou mais de 240 mil casas, a maioria das zonas suburbanas. Os dados estatísticos do programa do departamento de Saúde Pública atestam que, ao todo, 60 mil pessoas beneficiaram da actividade, que envolveu 260 brigadistas treinados para o efeito. As 27 equipas utilizaram bombas pulverizadoras e um tipo de insecticida (Econ) que tem efeito de três meses.
Importa realçar que a primeira fase de Pulverização Residual Interdomiciliar ocorreu em 2005, com 89.985 casas abrangidas no Lubango, e em 2008 o projecto foi alargado para o município da Humpata, tendo abrangido 76 mil residências.
Em 2010, médicos de nacionalidade cubana e técnicos nacionais de saúde realizaram também uma campanha de desinfestação de reservatórios de água, cacimbas, charcos, latrinas e outros focos de reprodução do insecto, nos municípios de Quipungo, Matala, Cuvango e Chibia.
 
Redução de contágio e óbitos
 
O Programa Especial de Combate à Malária levado a cabo pelas autoridades da província da Huíla e parceiros, no ano findo, alcançou os objectivos preconizados, com a redução considerável do número de pacientes infectados pela doença assim como do registo de óbitos.
Os dados da direcção provincial de Saúde na Huíla indicam 312.604 casos diagnosticados de malária e 457 óbitos. Apesar de ainda haver unidades sanitárias com dados por apresentar, as autoridades estão satisfeitas com as acções desenvolvidas que visaram conter a propagação da doença e reduzir o número de mortes.
As autoridades sanitárias da província da Huíla consideram que as cifras do ano passado relativamente à mortalidade provocada pela malária não são alarmantes, comparativamente aos dados de 2009, que atingiram 1.101 óbitos dos 444.452 casos registados. Em 2008, a Saúde Pública alistou 435.410 casos da doença, tendo morrido 928 pessoas.
O director provincial da Saúde na Huíla, Bernabé Lemos, sublinhou haver uma redução considerável de mortes por malária, no ano passado, devido ao aumento dos programas preventivos, sensibilização e mobilização de muitas famílias das zonas urbanas e suburbanas, distribuição gratuita de mosquiteiros e outras actividades.
Bernabé Lemos realçou também a execução do programa Cubatex de luta anti-larval com a cooperação de técnicos cubanos, os anti-palúdicos com realce para o Coarten, Falcidar, quinino e outros medicamentos eficazes para a cura da malária.
Enalteceu a entrega e acatamento dos conselhos úteis para a prevenção da doença por parte da população, sobas e organizações da sociedade civil. "É fundamental a participação massiva de todos os membros da sociedade em acções que visam a prevenção e o combate a determinadas doenças, cujos focos estão identificados".

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