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Huíla sem incineradora para o lixo hospitalar

Arão Martins | Lubango

A inoperância da unidade de tratamento de lixo hospitalar, por falta de verbas, erguida na localidade de Poiares, comuna da Arimba, arredores da cidade do Lubango, na Huíla, preocupa as autoridades sanitárias e administrativas locais, informou o inspector provincial da Saúde.

Aterro sanitário do Luyovo, na cidade do Lubango, deixa de receber lixo hospitalar
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro | Lubango

Moisés Peso, em entrevista ao Jornal de Angola, disse que a província da Huíla está sem incineradora de referência à altura de responder as necessidades de incineração de lixo produzido nas unidades hospitalares.
Com a preocupação no tratamento das quantidades elevadas de lixo hospitalar que tem sido, de forma recorrente, depositado a céu aberto, no aterro sanitário do Luyovo, em 2014 as autoridades, na sequência de um financiamento italiano, mandaram erguer, na localidade do Poiares, uma unidade de tratamento de lixo, que continua encerrada por falta de verbas.
“No âmbito das parcerias existentes, uma empresa italiana ergueu a estrutura de tratamento de resíduos hospitalares, que precisa de ser equipada”, disse Moisés Peso, acrescentando que, a funcionar em pleno, vai se colmatar o défice existente.
De acordo com o responsável, a unidade existe e está erguida defronte ao hospital psiquiátrico na Eiva e logo que haja disponibilidade financeira vai ser equipada, para responder as actuais necessidades de tratar os resíduos sólidos infecciosos, produzidos pelas unidades hospitalares públicas e privadas da província.
Afirmou ser urgente o seu funcionamento, porque a única incineradora em funcionamento, do hospital central, já é antiga e tem várias deficiências.

Depósito proibido
As autoridades administrativas e sanitárias proibiram o depósito de resíduos sólidos infecciosos e cortantes no aterro sanitário do Luyovo, arredores da cidade do Lubango, que são produzidos pelos hospitais e clínicas privadas, por constituir um atentado à saúde pública.
 “Foi contratada uma empresa que faz a recolha de resíduos sólidos hospitalares, que foi aconselhada e proibida de fazer o depósito no aterro sanitário do Lubango, uma pratica que era recorrente”, disse.
Moisés Peso disse que os resíduos hospitalares estão divididos em cinco categorias, que vão desde os resíduos hospitalares gerais, onde estão incluídos os domésticos, infecciosos, estes últimos que têm a ver com partes biológicas, anatómica de órgãos.
Referiu ainda os resíduos hospitalares cortantes, que têm a ver com as agulhas, bisturis e outros, e os resíduos hospitalares químicos, que normalmente são produzidos com maior quantidade e frequência nos laboratórios e em farmácias de produção de medicamentos, sem prática na Huíla, e os radiológicos.
Esclareceu que decorreu no Lubango um encontro que juntou a direcção provincial da Saúde, membros do governo e os directores gerais de hospitais públicos e privados, chefes das secções municipais da saúde dos 14 municípios que compõem a província, onde concluiu-se que os resíduos hospitalares comuns vão continuar a ser eliminados no aterro sanitário, já que estão sem perigosidade de infecção.
Os resíduos hospitalares infecciosos e de fórum cortante vão merecer um tratamento especial, nas duas incineradoras que a província possui.
“Temos uma incineradora no Hospital Central Dr. António Agostinho Neto, com uma capacidade de 150 quilogramas, que, apesar da sua limitação, tem estado a dar resposta à eliminação dos resíduos infecciosos e cortantes, produzidos internamente”, explicou. Moisés Peso reconheceu a limitação que a maternidade central do Lubango, Irene Neto, tem, na incineração de resíduos hospitalares. “O hospital assinou um contrato com a clínica CME, para efectuar a incineração dos resíduos biológicos”.

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