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Incentivo ao comércio rural na província da Huíla

Arão Martins| Lubango

Camponeses do Quilómetro 40, comuna do Hoque, Lubango, estão convictos de que o programa de aquisição de produtos agrícolas e agro-pecuários, que foi lançado ontem na região, pelo Executivo, vai fortificar o comércio rural.

Foram construídas infra-estruturas de armazenamento e conservação para que os produtos deixem de se estragar nas áreas de cultivo
Fotografia: Arão Martins

Domingos Cacolo, 46 anos, e Helena Cavissapa são camponeses que pertencem à cooperativa “Nova Vida”, integrada por 85 cooperadores, dos quais 30 mulheres, que viram melhorada a qualidade de vida das suas famílias, com os apoios prestados por intermédio de financiamento bancário.
A cooperativa trabalha uma área de 120 hectares, dos quais 20 destinados a hortícolas. Os dois camponeses explicaram ao Jornal de Angola que têm conhecimento do programa de aquisição de produtos do campo pelo Governo, sem intermediários.
Domingos Cacolo reconheceu que o programa de aquisição de produtos do campo vai permitir aos camponeses comercializem os seus produtos de forma segura: “a iniciativa é valiosa porque os excedentes já não se vão deteriorar”.
O camponês produz em grande escala e não sabe onde vender os produtos. “A criação do programa da compra de produtos do campo vai permitir mudar o quadro e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”, disse Domingos Cacolo.  Helena Cavissapa, camponesa que comercializa hortícolas e cereais no Quilómetro 40, disse ter recebido, em 2011, uma moto-bomba e outros acessórios, no quadro do Programa de Crédito de Campanha, através do Banco de Comércio e Industria (BCI).
Integrante da cooperativa Nova Vida, na povoação de Baba Yela, no sector de Toco, cidade do Lubango, com a moto-bomba, explicou, aumentou a área de cultivo de cereais e hortícolas. Os excedentes deterioravam-se quase sempre, por falta de escoamento. O programa de aquisição de produtos vai facilitar a vida dos agricultores e camponeses.
Manuel Severino é agricultor no município da Chibia, que trabalha uma parcela de terra ao longo do perímetro irrigado das Gangelas.  Responsável da cooperativa “Estrela do Campo Motchivia”, definiu o programa de aquisição de produtos do campo de forma directa, como um contributo valioso no programa do Executivo de combate à fome e à pobreza.
Manuel Severino explicou que a cooperativa cultiva 80 hectares, onde são produzidas laranja, limão, milho, feijão e dedica-se igualmente à criação de gado caprino, bovino e suíno.
“O programa permite aos camponeses aumentarem ainda mais os níveis de produção, com a garantia de escoar os produtos”, disse.
O vice-governador l da Huíla para o sector económico, Sérgio da Cunha Velho, esclareceu que localmente as condições foram criadas para que o programa seja desenvolvido com sucesso. Numa primeira fase, o programa vai ser desenvolvido nos municípios da Matala, Humpata e Chibia, onde existem quantidades elevadas de batata e tomate, que se estragam por falta de escoamento e o programa vai permitir fazer com que os camponeses vendam os produtos sem sobressaltos. “Com o programa, os camponeses são motivados a produzir mais”, disse.
A ministra do Comércio visitou os locais onde vão ser instaladas infra-estruturas destinadas à aquisição directa dos produtos. Rosa Pacavira assegurou que existe já uma capacidade aceitável nos municípios seleccionados para o êxito do programa.
Na Huíla foi projectada a construção de circuitos de grande dimensão. O ganho, assegurou a ministra, é que muitos filhos de camponeses, que estão em grandes cidades, como Benguela, Luanda e mesmo no Lubango, regressem às famílias, para poderem ajudar os pais a gerir as verbas e fazerem economias.
O vice-governador da Huíla para o sector económico, Sérgio da Cunha Velho, assegurou que as condições de implantação do programa estão criadas.

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