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Insegurança alimentar crónica domina seminário no Lubango

João Luhaco | Lubango

Técnicos das províncias da Huíla, Namibe, Cunene e outros provenientes de três regiões de Moçambique estão a receber conhecimentos sobre classificação integrada das fases da segurança alimentar e nutricional (IPC), num seminário que arrancou ontem, no Lubango, organizado pelo gabinete de segurança alimentar do Ministério da Agricultura, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para Agricultura  (FAO), na região sul de Angola.

Seminário organizado pelo gabinete de segurança alimentar do Ministério da Agricultura conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

Durante sete dias vão ser abordadas matérias sobre a visão geral das fases da segurança alimentar e nutricional, a classificação da insegurança alimentar crónica, observando as funções do seu propósito, ferramentas, procedimentos, comunicação para acção, garantia de qualidade, antecedentes e processo de desenvolvimento.
Na cerimónia de abertura do seminário, a representante do gabinete de segurança alimentar do Ministério da Agricultura, Odete Bacalhau, frisou que esta capacitação vai dar uma visão mais realística do grau de vulnerabilidade à insegurança alimentar e nutricional das populações.
“É ideia do gabinete ter uma equipa bem formada para produzirmos e realizarmos as avaliações contínuas e posteriores análises, por isso pedimos aos colegas das províncias do Cunene, Namibe e Huíla, para o seu engajamento e que os conhecimentos adquiridos sejam aplicados na prática”, sublinhou Odete Bacalhau.
De acordo com o  representante da FAO na região Sul, Matteo Tonini, através do Projecto Integrado Resiliência Angola-Namíbia (PIRAN), financiado pela USAID, a FAO tem vindo a apoiar o gabinete de segurança alimentar do Ministério da Agricultura e Florestas, na realização de estudos, com vista a fornecer dados e informações sobre a situação de segurança alimentar, da capacidade de sustento dos agregados familiares, bem como da sua capacidade de gestão de riscos.
Matteo Tonini informou que está em curso a realização da classificação integrada das fases da segurança alimentar e nutricional, que irá proporcionar informação sobre a situação, o numero e localização de pessoas em estado de insegurança alimentar. “A maioria dos países da África, América e da Ásia já adoptaram esta metodologia, a fim de poder comparar dados a nível global e também uniformizar informações dos diferentes ministérios e institutos”, sublinhou Matteo Tonini. O representante da FAO no Sul de Angola reconheceu que Governo continua a dar prioridade ao programa que visa reduzir a fome e aumentar o nível de segurança alimentar.
“Por meio desta metodologia será possível identificar as áreas com maior risco de insegurança alimentar e direccionar ajudas, programas e projectos para continuar a melhorar as condições de vida das nossas comunidades e fortalecer os grandes resultados que o Ministério da Agricultura, através das próprias direcções, já atingiu”, disse Matteo Tonini que considerou que com esta metodologia é possível mobilizar recursos nacionais e internacionais para garantir e melhorar a segurança alimentar das populações. "A FAO vai posicionar-se sempre como um parceiro estratégico do Governo de Angola, apoiando o esforço do executivo que visa reduzir a fome e a pobreza no meio rural."    
Otto Jacinto Adriano, assessor da vice-governadora provincial da Huíla para o Sector Social, Maria Chipalavela, disse que "como a província dispõe de óptimas condições climáticas, acrescidas de excelentes recursos hídricos, a problemática da segurança alimentar é bastante discutível". 
“Asseguro-vos que a segurança alimentar é um assunto em perspectiva, por tratar-se de uma temática inesgotável e por estar directamente ligada à produção, agro-silo, silvícola, pastoril e pesqueira, praticadas nesta região. Se não houver acesso físico aos alimentos estamos perante uma insegurança alimentar, o que leva as populações ao estado de vulnerabilidade ”, explicou Otto Jacinto Adriano.

Milhares de famílias envolvidas na presente campanha agrícola

Um total de 210.800 famílias, de 876 aldeias dos 14 municípios da província da Huíla, foram integradas em actividades produtivas, no âmbito da campanha agrícola 2017-2018, informou ontem, no Lubango, o director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente.
Lutero Campos disse que as famílias assistidas são dos municípios do Lubango, Cuvango, Chipindo, Caconda, Jamba, Matala, Humpata, Caluquembe, Cacula, Quipungo, Gambos, Chibia, Quilengues e Chicomba.
A Direcção Provincial da Huíla da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, acrescentou Lutero Campos, está a dar auxílio a essas famílias, desde o mês de Julho do ano em curso, por intermédio das administrações municipais, com um plano de distribuição de inputs agrícolas, em que foram entregues 290 toneladas de sementes de milho, 454.85 toneladas de fertilizantes, quatro mil charruas de tracção animal e 63 carroças.
O plano de produção para a campanha agrícola prevê produzir 508.157 toneladas, divididas entre 303.669 de milho, 51.120 de massango, 62.790 massambala, 26.214 de feijão, 32.405 de batata rena, 3.248 de mandioca, 20.648 de batata doce, 585 de amendoim, 5.606 de hortícolas, 506 de abóbora, 3.326 de fruteiras, numa área de 605.190 hectares.
A Direcção Provincial da Huíla da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente controla 835 associações camponesas e 224 cooperativas agrícolas.
Na campanha agrícola 2016/2017 foram cultivados mais de 580 mil hectares de terras e colhidas mais de 300 mil toneladas.

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