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Intoxicação por remédios tradicionais afecta cada vez mais crianças na Huíla

Arão Martins |Lubango

A directora clínica do Hospital Pediátrico do Lubango, Mariana Miguel, manifestou na sexta-feira a sua preocupação com o elevado número de crianças intoxicadas por uso de remédios tradicionais, na Huíla.

Directora em exercício da pediatria
Fotografia: Arimateia Baptista

A directora clínica do Hospital Pediátrico do Lubango, Mariana Miguel, manifestou na sexta-feira a sua preocupação com o elevado número de crianças intoxicadas por uso de remédios tradicionais, na Huíla.
A médica Mariana Miguel disse que muitos casos de morte de menores registados na pediatria são causados por produtos tradicionais como as conhecidas “Santa Maria”, “kwanana” e “filanganga”, este último regularmente usado para a cura de oxiuri, vulgo maculo.
Segundo a pediatra Mariana Miguel , o uso destas plantas medicinais tem complicado, nalguns casos, o estado clínico das crianças submetidas a tratamentos nas comunidades da província.
Para inverter o quadro, Mariana Miguel salientou a necessidade imperiosa da colaboração dos órgãos de imprensa, organizações não governamentais, igrejas, autoridades tradicionais, juntamente com as instituições governamentais, para o esclarecimento das famílias sobre os perigos do uso de remédios tradicionais em crianças.
A directora clínica disse que é comum as famílias que têm crianças doentes optarem primeiro por recorrer aos remédios tradicionais, quando deviam procurar os serviços de saúde.
“Só quando notam que o estado de saúde se agravou, é que pensam ir aos hospitais, o que tem levado ao aumento de óbitos na pediatria”, disse. A médica apelou às famílias para tenham cuidados ao dar ervas e raízes às crianças, salientando que os bebés “não devem tomar tais medicamentos, mesmo quando estiverem dias sem defecar”.
A directora clínica da pediatria do Lubango disse que há registo de casos de crianças que acabam por morrer entre os 10 e 20 minutos depois de chegarem ao hospital, por causa do seu estado crítico.
Mariana Miguel salientou que alguns casos recebidos pela são provenientes de postos médicos que, por não quererem assumir as mortes, mandam os pacientes graves para o hospital. “O doente entra grave, mas vivo. Depois de falecer, este caso fica registado como sendo da pediatria, quando era praticamente impossível salvar a vida, o que aumenta as estatísticas de óbitos na Pediatria”, disse a pediatra Mariana Miguel. 
A directora clínica da Pediatria do Lubango disse que, nesta altura do ano, a unidade está a registar a subida do gráfico de casos de doenças diarreicas e respiratórias agudas, de malária e pneumonia. O atendimento aos doentes que chegam à Pediatria de Lubango é assegurado por 11 médicos e cerca de 200 enfermeiros e catalogadoras, números ainda insuficientes para atender à procura.No total, o hospital conta com 700 funcionários.
A médica Mariana Miguel exortou à população a doar sangue à Pediatria para ajudar a salvar vidas de muitas crianças.
 “Não temos muito deste precioso líquido. Estamos a precisar deste bem”, rematou médica.

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