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Jacaré faz mais uma vítima mortal

Domingos Mucuta | Lubango

Os jacarés continuam a atacar pessoas na comuna do Mulondo, município da Matala, província da Huíla, cerca de três meses depois do abate de um dos animais com mais de dois metros de comprimento, informou  o administrador da circunscrição.

Autoridades pedem a colaboração dos ambientalistas no controlo do número de jacarés
Fotografia: AFP

Zeca Mupinga revelou que, desta vez, a vítima foi uma mulher de 47 anos, no dia 3 de Abril, nas margens do Rio Cunene, arredores do bairro Chipei. Maria Carolina Tchambassi deixou 11 filhos, que neste momento precisam de apoio em bens diversos, por parte das autoridades governamentais e de pessoas solidárias. 
A vítima foi surpreendida pelo animal numa manhã, quando tentava acarretar água no Rio Cunene para consumo e tarefas domésticas. Moradores e agentes da autoridade do Mulondo realizaram várias buscas nas margens do rio para tentar encontrar o corpo da vítima.
“Os jacarés voltaram, infelizmente, a fazer vítimas humanas. Foram efectuadas várias buscas, mas sem sucesso. Estamos preocupados com a situação”, disse o administrador, sublinhando que a sensibilização continua para se evitar mais vítimas.
Zeca Mupinga defendeu a intervenção de ambientalistas para promover o equilíbrio, uma vez que os jacarés se reproduzem muito e a falta de acções para reduzir o número de animais aumenta o risco junto das populações. “Os jacarés não são como peixe que à medida que se reproduzem os pescamos para consumo. A reprodução dos jacarés é elevada e por falta de alimentos no rio vêem nas pessoas alimento para sobreviver”, argumentou.
 
Acessos difíceis

O mau estado das estradas entre a sede do município da Matala e do Mulondo, numa distância de quase 150 quilómetros, da sede comunal para as povoações, continua a preocupar o administrador do Mulondo.
O troço da estrada do Cunene tem sido a alternativa para minimizar o desgaste nas viaturas. Mas do desvio dos Gambos até ao Mulondo só há estradas de terra batida e esburacadas.
 Zeca Mupinga disse que a reabilitação definitiva da estrada secundária está prevista para breve, numa iniciativa do Executivo. A administração da Matala mobilizou algumas máquinas que vão, ainda em este ano, terraplenar o troço para minimizar o problema e reduzir o tempo de viagem, actualmente de três horas e meia.
O mau estado da estrada condiciona a actividade comercial e o transporte de alguns meios, como combustível. “É muito difícil a mobilidade nesta estrada, sobretudo neste período de intensas chuvas. Os produtos que cá chegam são vendidos a preços muito elevados pelo facto de os comerciantes sacrificarem as suas viaturas”, argumentou.
A administração comunal e os habitantes do Mulondo também continuam à espera de ter acesso aos serviços de telecomunicações. Zeca Mupinga acredita que a degradação da via está na base da pouca aposta das operadoras de telemóvel. “Estamos praticamente isolados. A comuna precisa de ligação ao mundo”, frisou.

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