Províncias

Jovens com casas na zona da Chavola

Estanislau Costa e Arão Martins | Lubango

No Lubango centenas de pessoas que habitavam em zonas de risco foram transferidas para a zona da Chavola, onde foram preparados terrenos para o programa de autoconstrução dirigida. Dezenas de jovens ergueram ali as suas casas.

Momento em que o governador provincial da Huíla fazia a entrega das chaves a uma beneficiária do projecto
Fotografia: Arimateia Baptista | Huíla

Ter casa própria não é, hoje em dia, tarefa fácil. Preocupado com a situação, o Executivo juntou parceiros e lançou o programa de autoconstrução dirigida para mitigar as dificuldades e inverter o quadro de gente a viver em casebres e em zonas de risco. No Lubango, o processo ganhou corpo com a transferência de pessoas que habitavam em zonas de risco para a zona da Chavola, onde foram preparados terrenos para o programa de autoconstrução dirigida.
São já às dezenas os jovens que ali ergueram as suas casas. O Governo, por sua vez, também construiu casas sociais no bairro, no âmbito do projecto “Angola Jovem”.
Com este programa, o sonho de Josefina Naufila de ter casa e depois casar e constituir família pôde finalmente tornar-se realidade. Na sexta-feira, no bairro da Chavola, arredores do Lubango, a jovem foi uma das contempladas com uma das 92 moradias mandadas construir pelo Governo, no âmbito do “Angola Jovem”.
Professora há quatro anos, Josefina disse ter agora muitas razões para projectar o futuro, pois a casa, um T2, “é bonita e tem um quintal enorme que dá para projectar outras actividades de desenvolvimento familiar, tais como a construção de estabelecimentos comerciais”.
A jovem aproveitou este fim-de-semana para trabalhos de limpeza, adquirir mobiliário simples e mudar para a nova casa imediatamente. “A minha ansiedade em entrar já na moradia tem a ver com as condições básicas criadas e com o facto de querer deixar de viver no casebre arrendado”.
Com o semblante a manifestar grande satisfação, a professora quase não acreditava que tinha, finalmente, um tecto seu. “Agora posso respirar de alívio. As vicissitudes de viver em casa arrendada fazem agora parte da história. Onde vivia era preciso ter muita pachorra para aturar o senhorio. Todos os meses era uma lista de novas exigências”, explicou.

Fim do arrendamento

Da mesma opinião é o casal Castilho. Com três filhos, Fernando e Carla, casados há seis anos, conhecem bem o quão difícil é suportar as exigências de um senhorio complicado, incómodo e com dificuldade em compreender que o inquilino, enquanto funcionário público, tem limitações e nem sempre pode suportar subidas bruscas da renda.
Fernando explicou que a perspectiva de uma vida melhor, sem o senhorio às costas, começou quando a família venceu o sorteio de uma casa no projecto “Angola Jovem”, realizado pela Direcção Provincial da Juventude e Desportos da Huíla, concurso que contou com a participação de dezenas de jovens. “Tirámos a rifa que nos facultou o acesso à nossa primeira casa no bairro da Chavola”, disse visivelmente satisfeito.
“Esta sexta-feira, dia 3, vai ficar como um marco histórico das nossas vidas por termos recebido as chaves de uma casa com água potável, energia eléctrica, condições sanitárias asseguradas e com espaço para acomodar uma família numerosa”, disse.
Fernando Castilho adiantou que a primeira tranche do reembolso a fazer ao banco financiador do projecto é o equivalente, em kwanzas, a quatro mil dólares. A partir daí, o resto será descontado no salário, durante 15 a 20 anos, conforme opção de cada beneficiário.
Sublinhou que esta modalidade ajuda os contemplados com as 92 casas, sendo a maioria deles trabalhadores de instituições públicas. “Eu e a minha mulher trabalhamos, temos um salário que nos permite honrar os compromissos com o banco. Vamos saldar a dívida talvez até muito antes do tempo previsto”, disse. Os contemplados encorajam a Direcção da Juventude e Desportos, Governo e parceiros a continuarem com o projecto “Angola Jovem”, para que um maior número de pessoas, sobretudo os interessados em constituir família, tenham casa própria e possam criar riqueza e ajudar a desenvolver o país com paz de espírito e tranquilidade.

Obras estão a cargo de empresas nacionais

As construtoras nacionais Omatapalo e Revescor capricharam na execução das obras das 92 casas, orçadas em 2,76 milhões de dólares, financiadas pelo Executivo. O novo bairro é o primeiro, na província da Huíla, de moradias construídas para atender às necessidades habitacionais dos jovens.
Esta experiência motivou as associações juvenis a considerar que a solução dos problemas da juventude passa a ter, nas sociedades modernas, um carácter estratégico. Por isso, Manuel Osório, responsável da Omatapalo, manifestou a sua satisfação em acompanhar e participar nas acções do Governo para solucionar as necessidades deste grupo etário, sobretudo em termos de habitação.
Os jovens enaltecem a implementação do programa “Angola Jovem” com êxito, por profissionalizar pessoas, distribuir kits diversos de trabalho e promover o auto-emprego.
O soba da Chavola, José Buale, afirmou que a concretização do projecto de construção de casas “Angola Jovem” e os programas de autoconstrução dirigida, incentivada pelo governo da Huíla, fez nascer um novo bairro e provocou o crescimento da cidade do Lubango.
A zona da Chavola, disse, é agora um bom lugar para se viver. Recordou que outrora era uma zona abandonada, mas que hoje tem condições dignas. “O governo trouxe para o bairro água potável, energia eléctrica, ruas estruturadas, escolas e pessoas que construíram as suas casas e outras com terrenos em condições para começarem com as obras”, afirmou.
José Buale contou que dezenas de famílias residentes no bairro da Chavola viviam em péssimas condições, em casebres sem quintal para as crianças brincarem, ruas e espaço para montar um negócio, água potável, energia eléctrica, fraca higiene sanitária e com o perigo sempre à espreita na época das chuvas.
“A situação mudou radicalmente, com a cedência de muitos terrenos para as famílias construírem e algumas até foram apoiadas com material de construção civil”, afirmou o soba, acrescentando que já há várias famílias a viver nas suas novas casas e vizinhos das 92 moradias construídas pelo programa “Angola Jovem”.

Centro juvenil

O novo bairro da Chavola, localizada a Norte da cidade do Lubango, está com uma nova imagem estrutural, com a disposição ao público de casas para acomodar jovens interessados em constituir família e um centro comunitário juvenil gizado para reunir e animar a juventude.
A inauguração dos dois empreendimentos esteve a cargo do governador da província da Huíla, Isaac dos Anjos.
O centro, que também foi erguido no âmbito do “Angola Jovem” em 120 dias, custou aos cofres do Estado 54 milhões de kwanzas e está apetrechado com uma biblioteca, área administrativa, de informática, de fotografia, sala de aconselhamento, salão de beleza, sala de conferências, entre outros compartimentos capazes de cativar a presença constante de jovens, e não só, no local.
O administrador do centro, Francisco Nduli, disse que o local vai proporcionar à juventude um espaço de comunicação, intercâmbio, experiências, formação e informação, de modo a facilitar a integração e intervenção social, a actuação comunitária, o espírito empreendedor dos jovens, a prevenção e resolução dos conflitos sociais.
O governador Isaac dos Anjos afirmou que a entrega do bairro social e do centro comunitário se enquadra num amplo programa do Governo que visa dar solução aos problemas da juventude. “Os jovens têm agora um local onde podem encontrar-se, discutir os seus problemas, trocar impressões e aprender a usar as novas tecnologias de informação”, disse.
Referiu ainda que o centro foi criado com o propósito de permitir aos jovens conviverem e partilharem normas éticas, para uma convivência socialmente salutar. Além das áreas que compõem o centro, vão ser acrescentados outros estabelecimentos, como lojas de venda de telemóveis e material informático.
O governador sublinhou que o bairro da Chavola ganha, aos poucos, novos empreendimentos, que vão conferindo um novo modo de vida às pessoas, e anunciou que até ao momento foram erguidas 400 casas no âmbito do programa de autoconstrução dirigida.
A partir de Janeiro do próximo ano, adiantou Isaac dos Anjos, começam a ser construídas quatro mil casas nas terras da Chela, mas aconselhou as pessoas a continuarem com o processo de autoconstrução dirigida nos terrenos que lhes foram atribuídos.

Tempo

Multimédia